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Mostrando postagens de Dezembro, 2012

Você não é você.

Você não quer enxergar nada além das suas pegadas. E eu quero ir muito além de perigos.
Você acha que ninguém é mais coitado do que você, talvez porque nunca tenha sido de verdade.
Ando por vielas, praças, becos, avenidas respirando odores. Indistintos, oblíquos e que não trazem nenhum resquício de tempos vividos.
E você aí fantasiando suas dores e amores. Você não enxerga nada além do seu mundinho. Eu prefiro escrever meu próprio destino.
Você acha que nada é pior a não ser para você. Você sonha com unicórnios e coroas que não busca encontrar. Sua alma é um desenho à lápis onde qualquer um pode apagar e refazer.
Seu reflexo é um jogo de espelhos, no bolso de qualquer pessoa. Sombra desfocada, torta e espelho sujo.
Você espera que tudo venha por osmose. Eu busco tudo, eu crio mundos, eu pesco o meu futuro.
É necessário evitar nossa própria derrota, porque ninguém fará isso por nós.
Ainda que involuntário somos nós que cavamos nossa cova.
Ninguém pode ensinar nada a ninguém, pois nin…

Cabeça de balão.

Cabeça de balão.  Vá ! Suba! Flutue ! Envergue-se contra! Deixa a mente voar e se transcender. O que liberta também pode ser prisão. O tempo passa e você não se desfaz de vícios corriqueiros. Mente suja, loucura, sanidade demais é um mar escuro de ilusão. Aquiete esse coração. Dê a eles suas vontades. Cresce e aparece em outras galáxias, porque tudo que agora está na vitrine é limitado.

A Eternidade

Caminhavam distantes, embora de mãos dadas. Deixavam-se guiar pelos pés na areia pesada. Os olhos fitavam além do horizonte e os ventos eram duendes mudos que brincavam de fazer cócegas.
Não há nada a se dizer quando já se sabe tudo. E quando não se conhece os limites o melhor é enfrentá-los. Portanto, para quê pressa?
Estavam em um bom tempo do relacionamento. A plenitude pairava sobre ambos dando-lhes a impressão de não ter nada mais para conquistar. Já tinham o coração um do outro. Venceram as batalhas impostas pelo destino. Firmaram o desejo um do outro que neles sempre habitava. O que mais querer?
Pensativos entraram no mar. Enquanto as ondas lambiam suas pernas eles abraçavam-se ternamente. Olharam um ao outro e afundaram nas águas. Embaixo dela tudo era diferente, não se viam como na superfície. Aquilo dizia muita coisa.
Subiram novamente e na areia se sentaram. Ficaram longo tempo ali sem pronunciar qualquer som. Até que sorridentes aproximaram-se.

_ A eternidade. - Ele disse…

Paraíso Negro

Seria louco, muito louco que tudo caminhasse à nossa maneira. Extremamente surreal que todos os planos começassem a dar certo, como por um inspirar e expirar dos pulmões. Toda essa loucura poderia ser boa? Minimamente saudável, talvez?
Embora utopias assim sejam as garras que nos prendem às íngremes montanhas, este paraíso negro é o que me faz buscar sempre o que há de maior.
Fecho os olhos e pisco incontáveis vezes, não muda muita coisa além da luz e o escuro. Nunca pensei em cair e ficar deitada, pelo contrário, eu gosto desse paraíso negro. Eu gosto desse paraíso negro que foge de mim e das minhas latas de spray coloridos. Eu sou uma grafiteira em um mundo turvo e incolor.
Embora utopias assim sejam as garras que nos prendem às íngremes montanhas, este paraíso negro é o que me faz buscar sempre o que há de maior. 
Pois não existiria graça abrir os olhos e sempre enxergar o arco-íris perfeito.

Memórias fotográficas

Memórias compartilhadas entre tantos povos e momentos. Cada uma com sua história singular ainda que irmãs de um dia.
São fotografias de lugares onde tantos passaram, poucos ficaram, muitos levaram um bom tempo para desvencilhar-se. 
Algumas viagens e as melhores lembranças da sua mente captadas em papel aparente. Através de instrumentos mágicos e lentes refletoras.
Deliciosa sensação de poder tocar nas suas lembranças. Coisa que nem mesmo um holograma permitiria ou seria tão fiel. 
Só falta uma fotografia de cada pedacinho seu, para guardá-lo sempre como meu apesar de qualquer circunstância. Pois se de tudo que meus olhos viram ao seu lado, registro tenho guardados, só me fala mesmo os seus riscos. 
Assim quem sabe se um dia por uma estranha ironia eu perca as imagens da mente, ainda terei em minhas mãos pedaços e desenhos então de você, amor meu tão somente.

Um pote de crenças! Possíveis!

_ Um pote de crenças palpáveis, por favor. - Dizia sorrindo e batendo o pé no chão. _ Desculpe, como? _ Você sabe! Algo em que eu possa acreditar sem o medo de ter uma ilusão. - Gesticulava esbaforidamente as mãos enquanto falava. _ Eu realmente não entendo o que você quer dizer senhorita. _ Espere! Tenho lápis e caneta. - Remexeu a bolsa no chão procurando os itens, enquanto os demais presentes olhavam-na perplexos. _ O quê está fazendo moça? _ Espere, falta pouco... - Com caneta e papel na mãos pôs-se a desenhar. _ Prontinho ! Veja :

















_Isso realmente parece um pote, mas ainda não entendo-a. _ Sabe ler? _ Ora, mas é lógico senhorita! - O homem constragia-se com toda a situação e ainda mais com a menina à sua frente. _ Então leia. Como pode ler e não entender? - Tinha olhos desesperados e curiosos. _ Eu entendi muito bem o que está escrito! Não entendo essa conversinha lunática da senhorita em pedir-me um pote de crenças, possibilidades ou sei-lá-o-quê. _ Porque está zangado? Quem não conseguiu o p…

Homônimo Antropófago de sentimentos.

Camisa xadrez, jeans surrado e cheiro cítrico. Com certeza havia um vestígio de Elvis em você. Ginga e sorriso Presleyano. Adentrou o corredor e você sabe que eu perdi o ar.  Tão cruel como a dor e tão entorpecente como a morfina.
Fanático por futebol e meio rockeiro. Eu aprecio música clássica e nem sei golear. A ligação era tão perfeita, mais perfeita que meu próprio reflexo. Ainda lembro daquele segundo dia de outubro e uma multidão inerte ao que nos ocorria.
Abraçou-me e eu gelei. Não esperava nenhuma aproximação pública. Sorrisos tortos e palpitar de sangue venífluo.
Eu te desejei como um viciado em drogas. Os dias se passaram e era urgente o seu toque, a sua excentricidade.
Querido que hipnotizou meu cérebro. Me transformando em uma tola acordada com grandes ilusões de perigo.
Eu te desejei como um viciado em drogas. Os dias se passaram e era urgente o seu toque a sua excentricidade.
Diga que se recorda daquele segundo dia de outubro com beijos ardentes.


Rayanne Nayara.

Ignotum

Um, dois, três e quatro. Contadores disparados e cada segundo é precioso. Altas maneiras de lutar e de enxergar objetivos e perdas. Talvez seja apenas  uma forma distorcida de continuar vagueando sem rumo. Legados de antepassados frustrados. Ou apenas preguiça. Ou apenas falta de entedimento. Ouço sons da minha alma dizendo que posso reconhecer todos os caminhos e que a saída é antiga amiga. Mas não enxergo, não consigo o brilho nem a vidência mesmo que turva. Tenho tido muitas dúvidas e carregado fardos que não me pertencem. Talvez seja apenas uma forma de repetir as coisas de um jeito errado. Talvez seja apenas o desespero impedindo de ver o óbvio. Ou cansaço. Ou medo. Ou solidão. Ouço sons baixos que caluniam desconhecidas figuras, desconhecidos rituais.
Rayanne Nayara.

Ventos e Dúvidas.

Um momento com as nuvens, a brisa e a areia molhada a tocar o corpo todos podemos ter e é renovador. Um momento com o amor da sua vida é o grande mistério ao qual devemos perseguir. Você pode amar tantas pessoas em tantas noites, mas você não pode escolher justamente a quem você quer amar todas as noites da sua vida.  Eu penso, repenso e busco consolar uma alma tristonha que jogou pela janela muitos ventos.  Ventos mudos e calados incapazes de sossegar as dúvidas constantes a cerca de quem os trouxera. Era alguém importante? Era algum visitante através de anos? Seria um complemento viajante por entre os séculos?  Um momento com a dúvida, tão constante e intrigueira. Tão amiga e companheira. Tão falante e silenciosa.  Tão dolorida e confortável. Tão minha. Tão íntima. Tão surda. Inexplicável. Extensamente irreplicável.

Rayanne Nayara.

Nem que seja no dia em que morrermos.

Querido fique certo de quê por mais distante que estejamos, meus pés não falharão. Eles seguirão até você quando for preciso. São estes os jogos cruéis da vida. Segure firme seu coração para aguentar as resistências. E não deixe cair o meu. Não me faça chorar, lembre-se da promessa de sempre me fazer sorrir. Não quero deixá-lo triste, embora fosse um pouco justo. O amor é duro na maioria das vezes, até que aprendemos como tratá-lo. Eu tive que engolir muita coisa vendo você com outras malvadas, mas aprendi que calar é uma das melhores formas de causar a dor. Está sendo difícil observr de longe, porém aproximar-me é altamente destrutivo.  Nos reencontraremos nem que seja no dia em que morrermos.

Perdida nas lembranças daqueles dias bons, onde observávamos o mar e brigavámos pela estação do rádio. Tempos que não voltam. Não me odeie, eu mesma não consigo. Entre todos os beijos e lágrimas de nada me arrependo .  Compreender o que se passa dentro do outro soa impossível, por isso arranquei meu coraçã…