Noite Ilustrada: Uma negra estrela de brilho discreto.

         Fui criada desde pequenina criança, ao gosto de boas musicalidades. E sou imensamente grata por esse legado familiar. Penso que o Brasil já viveu seu ápice estrondoso de qualidade histórica musical. E a cada antigo poeta dos acordes que se vai, eu temo pelas novas gerações. Essas que não conhecerão o nosso vasto passado relicário, pois a cada dia perde-se o valor de tudo isso para os "quadradinhos de oito", "leks leks" e sertanejos (infâmia assim chamar) chicletes. Contudo creio eu que, essa mudança toda é equivalente ao poderio do povo. Bem nota-se que pessoas com a audição aguçada ao requinte antigo, são raras. Então elevemos a coisa toda à genética! Não é a ela que culpam, diante a "evolução", ou melhor dizendo, ao retrocesso do homem? Pois bem! Se não há música decente digamos que é por não ter alguém devidamente "decente" para fazê-la. O que é um engano escancarado, já que eu posso indicar novos talentos bem capazes de garantir o pão-de-ló da música brasileira. E como tem música boa escondida por aí!       Isso é tudo muito pessoal, não posso transformar toda a visão em algo concreto, porque afinal de contas essa é a minha visão.
        Portanto, podem chamar-me de velha, antiquada, de viajante na época errada. Na verdade eu sinto-me mesmo, uma gente de séculos remotos, mas eu não deixarei essa essência, que é minha. Amo músicas clássicas, nacionais de ouro, boleros, tangos, blues, sertanejo raiz, jazz e tantas outras faces da música fina. E sendo assim, apresento-lhes meu lado dinossáurico. Apresento-lhes um pouco da minha cultura. E que se junte à mim, quem a entender!

Mário de Souza Marques Filho, o Noite Ilustrada.

Cantor e sambista Brasileiro

(1928 - 2003) 




        Nascido em Pirapetinga, interior de Minas Gerais. Filho único, seu pai era um professor de língua inglesa. Após a Segunda Guerra Mundial mudaram-se para o Rio de Janeiro, onde sua vida como sambista iniciou os primeiros passos. Ingressou-se à escola de samba carioca, a Portela. 
           Dez anos depois partiu para São Paulo. Foi em São Paulo que de fato sua carreira firmou. Cantor de boates, por lá, começou a gravar seus discos. Noite, teve 73 discos gravados, e todos alvos de muito sucesso pelo país. 
           O primeiro grande sucesso chamou-se "Volta por Cima", composição de Paulo Vanzolini, gravado em 1963 (álbum: Noite Ilustrada). E ainda hoje, quem não cantarola com fervor a frase "Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima!" ? Outros destaques de sucesso, são "Cara de Boboca" de Jaime Silva e Edmundo Andrade; "Barracão" de Luís Antônio e Oldemar Magalhães; "O neguinho e a senhorita" de Noel Rosa e Abelardo Silva e "Toalha de Mesa" de Dora Lopes, Carminha Mascarenhas e Chumbo.    
         Entre tantos outros nomes gravados, também encontram-se os grandes Cartola e Nelson Cavaquinho. Em quarenta anos consagrou-se um dos maiores intérpretes do ramo. 
        Faleceu de um trágico câncer em 2003, na cidade de Atibaia em São Paulo, aos 76 anos de idade. Seu último álbum foi "Perfil de um Sambista", 2001

        O motivo do apelido "Noite Ilustrada" conta-se ser dado pelo humorista Zé Trindade, na época em que Noite ainda era um calouro e não desgrudava de uma revista de passatempo e palavras cruzadas com o definido nome "Noite Ilustrada". 
      
      Entretanto, é pequeno perceber que a origem do apelido seja tão simples diante de um homem realmente ilustre. Ilustrado! Nunca escutou-se o nome de Mário Souza, vulgo Noite Ilustrada, em escândalos. Foi um homem digno que vivia por sua arte. Sua inconfundível voz, abençoada e exalando talento é ainda em minha opinião, uma das mais deliciosas de ouvir. 

Faço aqui uma listagem (bem difícil de escolher), das minhas músicas favoritas interpretadas pelo Noite Ilustrada:

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Juventude de antigas adrenalinas.


Jeans azul. E um toque de rebeldia.
Luzes coloridas sobre os olhos.
E ventania de juventude louca.

Quem se contentaria com a segurança se o melhor sabor está nos riscos?
Diga que se lembra, da adrenalina pulsando enquanto sonhavas?

Palavras ocas, ilusões bradadas, juras que o vento levaram. 
O amor eterno é eterno simplesmente. E o que transforma os lados é o tamanho do querer.

Você caiu no fundo de tudo e não sabe voltar, não quer nem mesmo olhar para onde há o que pode ensinar.
Desde que se fecha, a alma se envenena aos poucos.
E a liberdade nem sempre pode curar quando é tarde demais.

É forte, muito forte e inesquecível quando parte de dentro e só pertence a si.
Diga que se lembra da adrenalina pulsando enquanto sonhavas.
8

O céu é meu primeiro andar

Pés não falhem. 
Só mais um pouco de caminhada.
Vocês ainda não correram o quanto podem.

Pés, não falhem. Ainda há uma linda chegada. 
Meu coração se sente acorrentado a cada passo, mas as dúvidas não fazem da minha alma, se tornar essa  torrente brisa de mundo.
Ela diz tudo o que é meu.

Correndo pelas ruas, por engano ou por desejo. Por amor ou por sonhos. Me sentindo só todos os dias, mas sabendo que há quem espera-me. 
Me esperam no portão. 

O céu é meu primeiro andar.

Tento sair desse sótão e são muitos os degraus.
Está escuro, mas é um escuro que me pertence.
Algo do qual acostumei-me.
Há uma luz no alto refletindo o brilho do que se há a conquistar.
A insanidade companheira sussurra o que é meu.
Falta pouco do muito. 

Correndo com pulmões sem ar, por engano ou por desejo. Por amor ou por sonhos. Até por medo. Me sentindo capaz, sozinha indo atrás do portão aberto que aguarda.

O céu é meu primeiro andar.

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Salva.

Nas manhãs de dias frios, onde a vontade de se levantar é mínima, um raio de sol irradiou-me por dentro. 
Não adiantaria ficar inerte, não querer falhar não garante as escolhas certas.

Todas as ideias e oportunidades passavam diante de meus olhos e eu dizia que não sabia onde queria chegar. 
E então surgiu essa luz forte. 
E eu percebi que não adiantaria me enganar.
Você me salvou, me salvou de desistir de viver.

Nas manhãs de ansiedade era só olhar para trás e perceber.
Todos os medos estavam lá vigiando, atentos.
Esperando o menor deslize, aquilo impulsiona a busca pelos passos certos.

Era só meu.
Era só eu.
Era eu.
Sou eu.
E lá se vai.

Você me salvou, me salvou de desistir. 
Me salvou de você.
Me segurou distante.
Assegurou minha ascensão. 

Era eu, me reerguendo. 
Caminhando agora à frente.
Carregando com coragem, os medos nas costas.


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Coluna Nova! EBA!

Estava eu, linda e bela em um grupo no Facebook ontem à noite: o Leitoras Cobaias. As lindas participantes do grupo, debatiam sobre "dilemas amorosos" de suas vidas. Entre muitas situações, dicas, conselhos e histórias dignas de virar fanfics ou livros, eu tive a ideia de criar uma nova coluna.
Júlia, ou melhor, Anabelle Lovegood perguntou-me se poderia escrever aqui no Xícaras para desabafar porque ela atualmente, como tantas outras meninas, precisa desabafar em algum cantinho.

Afinal, como foi mesmo que o Xícaras começou? Com desabafos, meus caros! Poemas, textos, e desabafos. E por que não colocar umas caretinhas novas aqui?

E assim se deu. Temos uma nova coluna no Blog "Nossos Dilemas".  Linda, não? *w*

E estamos abertas à colaborações! Quem quiser fazer parte é só clicar aí na Ask e fazer o pedido apresentando-se.

A estreia da Coluna, com um primeiro post decente (lê-se com tema) será no dia 13/05, próxima segunda-feira, ou seja: temos uma semana para receber ideias!

Clique lá e confira.

Até a próxima :}



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