Novidade!

Cliquem no menu "Autora" e curtam a nova página da blogueira Rayanne Nayara. Uma página somente de citações, para aqueles que gostam de compartilhar frases reflexivas, poéticas, ou simplesmente adoram citações!

Conheça a página:


Vai lá! E diz o que achou depois ;)


0

♫ "Domingo, eu NÃO vou ao maracanã..." ♫





"Domingo, eu vou ao maracanã. Vou torcer pro time que sou fã. Vou levar foguetes e bandeira ..." ♫ 


Esperem aí, companheiros! Não. Simples assim. Eu não vou ao maracanã. 

Como é que eu posso ir assistir à uma partida de futebol se eu nem fiz a minha cama? Como assim? Ora, mas em que mundo vocês vivem? 
Festejar? Festejar o quê? O salário altíssimo e absurdo dos jogadores do seu time enquanto você conta moedinhas no supermercado por ter economizado para comprar seus ingressos? Pois, se é de circo que você vive, tudo bem. Eu não. 

Tem uma lista quilométrica de equívocos, pendurada bem debaixo do seu nariz. E eu vou dar o meu cartão vermelho! Um só garanto-lhes que não é. É uma penca! Haja juiz para tanto cartão. 

Primeiro cartão: 


Aos hospitais públicos, que dispensam comentários e me livram de uma longa explicação já que está tudo muito bem escancarado. 

E é bom economizar saliva mesmo, porque eu sei que se falar demais também, ninguém irá escutar. Ou melhor, ler. Se é que os camaradas, dão algum valor para minhas lamúrias com café. 

Segundo cartão: 

Ao transporte público. Estamos pagando caro, logo, quase cinco reais para andar de pau-de-arara
Pois, olha meu amigo, eu nem te digo para andar de bicicleta, porque na certa você será atropelado. É o caos solto! Entretanto, se quiser um conselho faça como eu: compre um par de patins ou um skate, porque pelo menos pode-se utilizar as calçadas. Mas vou advertí-los que não é seguro, não. Hoje em dia, bato palmas para quem tem coragem de sair de casa todo dia. Não é à toa que as pessoas estão procurando emprego para se trabalhar em casa. É o caos solto! E se você não sabe andar de patins ou skate, que se vire. Do contrário, vai de pau-de-arara moderno pagando caro. 

Em especial para os navegantes do Rio de Janeiro: meus caros, não seria melhor emanciparem-se, nossos amigos, que se encontram do outro lado da baía de Guanabara? Pois pensem bem, é melhor criar uma nova civilização estatal por essas bandas aí, do que pagar um cruzeiro (à lá canoa) só para atravessar o mar. Vão por mim, é mais lucrativo!

Terceiro cartão: 

Alô segurança pública: se morrer gringo vai dar problema hein! Vocês podem até não dar a mínima para nós pobres, "a ralé", os suburbanos e já estão acostumados ao "desvalor" que tem as nossas míseras vidas, mas a galera que vem é coisa fina, camaradas! Não digo nem que são o "caviar" porque o pobre já tem acesso à isso. É só comprar de pescador de praia, clandestino. Contudo, os colonos vem aí preparados para o glamour. Cá entre nós, nós sabemos que glamour é coisa da globo, e por mais que vocês se enganem, os gringos estão espertos e de olho vivo em nós. Então, está avisado! Se morrer gringo avisa antes, porque eu fujo da confusão e vou para a Lapônia catar pedrinhas pelo menos até a poeira abaixar. 

Quarto cartão: 

Disseram que é futebol de estreia domingo(28/04) no Maraca né? Vocês juram? Para cima de muá
Quem é bobo que vá. Três anos para reformar e concluir a obra e ainda tenho que presenciar os noticiários divulgando as sei-lá-quantas emendas de prazos de entrega remarcados? Poxa, gente!  Contrata direitinho da próxima vez, afinal de contas não pode ser qualquer construtora. Isso aí não é o "minha casa, minha vida" para fazer "nas coxas" não! É o Maracanã! Aquela obra, que renderá milhões de reais e milhões de bobos pagando ingresso na copa.
Ah, e desculpem a grosseria, mas estou torcendo para que os índios (pode ser aqueles que vocês enxotaram lá do museu, no centro) façam a dança da chuva, porque eu estou pagando para ver o que vai dar! Na pior das hipóteses nós poderemos contar com o fenômeno: futebol a nado. 

Quinto Cartão: 

Trânsito. 
Então? Qual vai ser do trânsito? Eu não dirijo, e só estou perguntando mesmo à caso de curiosidade. Porque tem uns colegas meus que necessitam do pau-de-arara moderno, e se não está tendo linha o suficiente para nós, as baratas locais, então... Como vai ser? 
Supervia? Trem? 
Não, obrigado. Acho que ninguém aqui quer refazer "Velocidade Máxima". Pelo menos, não sem o Keanu Reeves. E sem falar que, a nossa Maria Fumaça também está com um precinho... Não, não vale a pena. Se eu quiser morrer, me jogo da ponte Rio-Niterói. Morro pobre, mas com estilo.
Táxi? 
Alô produção, isso não é exclusividade para os gringos? Ainda não? Ah, mas vai ser! A "bandeira" deles vai estar digna de pagamento com euro ou dólar.

Mais uma coisinha: Ei aí em cima, quem controla e organiza o tráfego! Vocês vão fazer simpatia para que não chova? Porque se não, é melhor implantar uns barcos, uns botes, assim os entornos do Maraca vão ficar mais transitáveis. Ah, e por favor, meus queridos, não vamos cobrar taxas altas não, porque não precisa nem de gasolina! Basta umas canoinhas com remo e pronto. Corredeiras radicais em pleno centro da cidade!

Sexto Cartão: 

Torcidas Organizadas.

Posso organizar uma guarda especial do Batalhão de Operações Especiais? Se a torcida é "organizada" eu também sou. E é melhor me preparar não é? Bem sei que vocês vem com tudo! Então está combinado! Eu vou ao jogo dentro de um caveirão e torcemos juntos pela nossa seleção. E com rima!

Agora, algumas pequeninas observações incluindo tudo isso à Copa, e as Olimpíadas:

- Aos setores responsáveis: 

Nada de foguetes na arquibancada não é? Não seria legal uma punição no meio do torneio da Copa Mundial, não é? Vimos como foi com o Coringão, lá em SP e não queremos! Então, vamos proibir os foguetinhos, cabeças de nego, estalinhos de são joão, granadas, sinalizadores e qualquer outra coisinha "divertida e sem importância" dessas. Só para evitar dor de cabeça, meus caros.

- Aos jogadores de futebol: 

Sei que independente dos resultados, a conta corrente gorda de vocês está garantida. E nem peço por nós porque vocês não dão a mínima, mas pela fama que temos, poxa, tentem não envergonhar demais nossos pobres torcedores. Vamos tentar evitar às festinhas,  os bailes funks, as regalias desregradas e por favor, não sejam pegos no dopping por que é vergonhoso para vocês. Sei que não se tem a mesma cultura antiga, e hoje, o próprio atleta dos campos de futebol não se importa com a posição social que deveria ter, mas vamos brincar de fingir. É que os gringos vão estar assistindo também né? 

- Aos torcedores: 

Não se iludam com o hexa título, por favor. Já não basta se iludirem de que a vida por aqui está um mar de rosas enquanto vocês torcem por seus clubes ricos? 

- Aos governantes: 

NADA DE FERIADO. Por favor, parou com a palhaçada! Por que se vocês não querem trabalhar, tem quem queira! E eu não sou a única! Aos bobos, dá muito bem para trabalhar e assistir ao jogo, ou matar o trabalho, mas feriado não! É inaceitável! Temos feriado o ano todo, e ainda nos damos ao luxo de "emendar". Já está bom, já está ótimo. Então, pela misericórdia, uma única vez: Feriado não. E isso vale para o título de "Ponto Facultativo" também.

- Aos leitores: 

Eu, descrente? Eu, desacreditada? Eu, do contra? Talvez. 
Só sei que estou sendo realista. E juro que dessa vez torço para que dê tudo errado. Sem acidentes trágicos, sem mortes, mas que o Brasil leve uma zica danada na copa! Porque é muita hipocrisia fingir que está tudo bem quando, repito mais uma vez, o caos está solto!

É vergonhoso sediarmos a Copa do Mundo, quando não temos hospitais. Quando goleiros homicidas cumprem uma pena cara-de-pau com papinho mole de voltar a jogar. Quando pessoas lutam para voltar para casa vivos, inteiros e com um mínimo de moedas nos bolsos. Quando pessoas são mortas como se a vida delas não fosse nada além de mais uma identificação civil. Quando famílias perdem tudo nas enchentes,  com os morros (negligências estatais) caindo. Quando a bandidagem é tampada com uma peneira. Quando menores de idade agem como bárbaros estúpidos que sabem muito bem o que fazem, mas são tratados com humanidade. 

Humanidade... Sabe, agora acabando de escrever o post, catar pedrinhas na Lapônia me soa muito mais feliz.

Eu não vou assistir à copa. Eu não vou participar da "festa". Eu não vou fingir. Tudo, porque eu não estou de acordo, não estou feliz e nem orgulhosa com nada do que ando vendo. 

Agora, se tudo for muito diferente do que anda sendo, eu peço desculpas e retiro o "meu time de campo". No entanto, todos continuarão sendo enganados e provavelmente, nada vai mudar depois da Copa e as Olimpíadas.


Será que ainda encontro um lugar mais justo? Uma justiça mútua e não egocêntrica como vemos.



2

#XícaraVIP - 04 - Chega mais, Millôr!

Ah! As crônicas de Millôr...

Hoje com coesão referencial! 
Snooker é um jogo de bilhar. Aqui, no presente caso, é o título de mais um texto de Millôr Fernandes.  E ainda que eu seja suspeita para falar (por apreciar as Millordices) é um texto muito genial e divertido. É um texto de coesão referencial (CLIQUE AQUI)Que não é chamado de snooker à toa, pois é justamente um texto de tacadas. Trata-se de uma forma escrita em que as informações são lançadas sem certa periodicidade. Eu digo-lhe uma coisa, que  fica subtendida à sua interpretação e logo depois de dizer outra coisa, esclareço a primeira. Complicado de entender assim, não é? Mas sem desespero! Dá uma lida no que é "coesão referencial" se você não sabe e verás uma luz. Tentei fazer um snooker e não ficou tão bom quanto ao do Lolô (Millôr. Lolô para os íntimos, admiradores desconhecidos como eu). Todavia, foi a primeira vez que fiz a tentativa e acho que não fui tão mal quanto pensei. O texto original Snooker, de Millôr pode ser lido clicando aqui


Snooker, à lá Rayanne.


  Outro dia, eu cheguei em casa e observei que havia uma deliciosa sobremesa à minha espera. Sendo assim matei-a à vassouradas. Refiro-me à enorme aranha que encontrei pendurada no teto. Em seguida a engoli, ainda que não devesse, saboreando o leve derreter em minha boca. Estou falando da sobremesa.  Um pouco depois me livrei dela no banheiro, e toda a sujeira do dia de trabalho, da qual estou falando, escorreu pelo ralo, no banho que me deixou novo. Mas ela levou a minha aliança de casamento. A minha mulher. Achei tê-la perdido. A aliança na pia do banheiro. Então saí e encontrei-a nas mãos de outro homem. Minha mulher, que abraçava ao meu cunhado. Ele disse-me que a levaria para dar um trato. Falo da aliança. Enquanto conversávamos minha filha chegou e tascou-lhe uma beijoca na boca. Seu namorado me olhou apreensivo e eu meti-lhe dois tapas bem acertados. Aquela mosca voando nos incomodava. Pedindo que se comportasse em respeito à família, eu a levei para cozinha em minhas mãos. E ali a minha filha ficou a ajudar a mãe. Meu cunhado falava de política e o rapaz, namorado de minha filha, ficava irritado. De repente deparei-me com ele bem gordo e morto na mesa, e meu cunhado atacou-o arrancando-lhe um pedaço da pele com a faca. O leitão assado parecia mesmo muito apetitoso. Comeu pouco e saiu agradecendo montado na motoca deixando-a aos suspiros. Falo do namorado. E da minha filha. Abracei-a pela cintura e tasquei-lhe uma beijoca na boca... De minha esposa é claro. Levei meu cunhado para casa com a minha belezinha no bolso. Nem me preocupei muito, pois na manhã do outro dia ela seria-me entregue. Meu cunhado deixaria a minha aliança, polida, em meu escritório.

É isso gente ^^' Never que ficaria tão bom quanto ao do Millôr, por tratar-se do meu primeiro texto assim, entretanto dá para engolir não é?

0

#XícaraVIP - 03 - Chega mais, Millôr!

Um pouco mais de Millôr! 
Em '30 anos de mim mesmo', Millôr Fernandes faz uma viagem no tempo partindo do início de sua carreira, em 1943 - com apenas 19 anos - até 1972, quando já era um nome reconhecido nacionalmente com passagem pelos principais veículos da mídia impressa. Para cada ano, o escritor seleciono um ou mais textos e desenhos, publicados nos mais importantes jornais e revistas da época. O resultado é um almanaque pessoal, com registros das décadas de 1940 a 1970, sem, no entanto, cair no didatismo. A escolha de textos foi realizada a partir de diferentes formas de humor que o autor desenvolveu ao longo dos anos. Recortes instantâneos que permitem traçar uma reflexão artística e histórica de Millôr. (FONTE: LIVRARIA CULTURA) 

Selecionei para vocês mais algumas páginas muito legais desse almanaque pessoal de Millôr. A "Imprensa antes da Imprensa" não só é uma sátira ao fundamento dessa ideia, como também é uma visão própria do autor que demonstra a universalidade do "fazer imprensa" trazendo fatos históricos narrados com humor. 


A IMPRENSA ANTES DA IMPRESA

por, Millôr Fernandes - O PIF-PAF (1954)

"Num furo sensacional, num esforço de reportagem, o arqueólogo exclusivo de O PIF-PAF descobre nas cabeceiras do Rio Xingu (mão esquerda, quem desce) uma relíquia em jornais antigos, anteriores à Bíblia de Mogúncia. Reproduzimos aqui alguns desses documentos sensacionais."

(...)

"Do 'Correio da Grécia',
LAMENTÁVEL DESASTRE COM UM VELOCINO ESPECIAL 

Ontem à noite, quando viajava num velocino* de ouro, de dois lugares, em direção ao oriente, no momento exato em que o poderoso transporte voava sobre o estreito que separa a Europa da Ásia, projetou-se do animal a princesa Hele, filha do rei Atamas com a rainha Nefele. O velocino continuou viagem em direção ao  Mar Negro, tendo Hele vindo a falecer. Seu pai, pesarosíssimo, mandou dar ao local em que ela caiu o nome de Helesponto. "

Como dito, Millôr faz menção ao que poderia ser o jornalismo em sua síntese inicial dado por relatos "reais" e brinca com fatos históricos de nossa história. Assim como será visto nos textos a seguir. Em  "Correio da Grécia" o fato histórico ao qual ele se refere, não é propriamente do narrado acidente, isso foi apenas um cenário para que ele abordasse a locução sobre a origem grega de muitas das nossas palavras.

"Do 'Paleolitical Sunday',
DESCOBERTO O FOGO!

Depois de três anos de contínuas experiências, o ilustre sábio Cro-ma-nhon, Ut-Ut, anunciou ontem ao mundo civilizado uma descoberta completamente revolucionária - o fogo. A nova descoberta, com a qual se obtém calor artificial, é capaz de derreter certo tipo de pedras tornando possível amoldá-las de modo especial, o que, compreende-se, é de fabuloso alcance para a indústria bélica. Às pedras que já conseguiu dissolver com seu maravilhoso invento, o sábio deu o nome de Ferro. O processo, tremendamente complexo, requer o uso de um pau roçado em outro pau, de tal maneira que, depois de algumas horas produz fumaça, e , outras tantas horas depois, fogo. Círculos militares estão interessados desde já nos estudo de um aproveitamento do fogo na fabricação de armas tão potentes que, de uma vez por todas, eliminem o perigo de novas guerras. P.S. Os primeiros críticos da nova descoberta afirmam, porém, que ela tende a poluir todo o ar tornando impossível a vida na terra."

Os paleolíticos podiam não saber falar, em contrapartida sabiam escrever muito bem, não? 
Partindo da minha observação: "Círculos militares estão interessados (...) aproveitamento do fogo na fabricação de armas tão potentes que(...) eliminem o perigo de novas guerras"; retrata o extinto de poderio do homem, cujo qual pensa que o mais forte (nesse caso, aqueles que possuem o fogo como arma) podem governar sobre o mais fraco (nesse caso, a ilusão de que a arma cessa às guerras), ou seja, o homem desde sempre é um ser egoísta, que apela primeiramente ao irracional, ao invés de agir com mansidão. É claro que nós evoluímos e, na maioria das vezes, agir de forma irracional é a última alternativa. (Não é?)
Enfim, o 'Paleolitical Sunday' é uma maravilhosa sátira às novas descobertas do homem relacionadas ao poder destrutivo. Escrito em 1954 e tão atual! 
Alguém imaginaria um relato desses sobre a "invenção" do fogo? O autor expõe, praticamente, que a tendência destrutiva do homem contemporâneo (ao narrar o fato com mescla da atualidade) provém do extinto natural dele. 
Bem, o que é o fogo hoje, diante de tantas armas? Entretanto, se o fogo não fosse descoberto não existiria o poder bélico e as coisas seriam muito boas, mas também muito difíceis. E claro! Se escutassem aos primeiros críticos daquele tempo, poderíamos ter o "fogo" como aliado à práticas mais inteligentes e sustentáveis! Aquecimento global? O que seria isso?


"Do 'Decadentis Romanorum',
NERO PÕE FOGO EM ROMA!

Ontem à noite, depois de uma desagradável e monótona devoração de cristãos pelos leões no Coliseu, quando toda a cidade comentava o decréscimo de interesse de espetáculos cada vez mais destituídos de selvageria e bom gosto, foi dado o alarma* geral de incêndio. Pouco depois, porém, a população se mostrava mais satisfeita ao saber que se tratava de outra curiosa pilhéria do Imperador Nero, o qual, entediado com o espetáculo acima referido, a vida, em geral, e a sua, em particular, resolveria destruir pelo fogo parte da cidade para animar um pouco a modorra em que caiu o Império Romano. O fogo começou nos bosques próximos ao Circo Máximo. Logo estendeu-se, destruiu o Palatino, o Esquilino, o Aventino, o Forum Boarium e, apesar dos esforços dos bravos centuriões, o fogo, só se deteve diante a barreira líquida do Tibre. Os jornais oficiais culpam os cristãos como autores do sinistro."

Não bastasse, os cristãos serem a carne de alimento dos leões, ainda são o bode espiatório de Nero. Quanta covardia! E ainda mais espantoso, a reação do povo diante a percepção de que tudo era apenas mais uma loucura de Nero. Tranquilos esses romanos, não?
Pobre Nero... Se todos incendiássemos as coisas por aí, diante o tédio... Ainda bem que não temos tempo atualmente de sentir tédio, (os que trabalham ou estudam, é claro), e ainda bem que o Coliseu já não está apto para novas aparições felinas! 

"Do 'Kalapalos Daily',
FOMOS DESCOBERTOS!

Na madrugada do dia 12, aportou à nossa ilha o navegador genovês Cristóvão Colombo, comandando uma frota de três veleiros: Santa Maria, Pinta e Nina. Entrevistado pela nossa reportagem, o marinheiro genovês declarou que foi muito difícil chegar às Bahamas: os capitais para a armação de sua frota só foram conseguidos através da venda das joias pessoais a rainha Isabel, a católica. Mas, apesar dos sofrimentos por que passou durante a viagem, Cris parecia  completamente satisfeito com o fato de nos ter descoberto, estando mesmo disposto a perdoar alguns marinheiros que tentaram se sublevar durante a viagem. Foi decretado feriado."

"Foi decretado feriado". Sem comentários! Genial! Os americanos (incluindo nós aqui de baixo) temos esse "apreço" por farras e feriados então, graças ao Cris? (risos). 

"Do 'Guttenberg Zeitung',
INVENTADA A IMPRENSA

Tendo eu inventado a imprensa antes-de-ontem, depois de anos de pesquisa, aproveito aqui para comunicá-los ao público de Mogúncia. Aos que continuam não acreditando na possibilidade do tipo móvel, nossas novas edições, já com dois cadernos e um suplemento a cores, rapidamente obrigarão a se curvarem ante os fatos. Estou agora mesmo preparando uma bíblia que, espero, será a mais famosa do mundo inteiro. (a) Gutt. Mogúncia, 1568."

O que mais dizer? Valeu, Gutt! Valeu.

VOCABULÁRIO:
*Velocino: Carneiro mitológico, de velo de ouro.
*Alarma : o mesmo que, alarme.
0

04 #Doce Infância - Gibis &Afins {02}

Eu sei que já indiquei o "Depósito do Calvin" na última postagem do "Doce Infância", mas eu queria muito compartilhar a seção 'personagens'! 
*----*

Susie Dikens! Quem não a conhece? Gente!!! Ela é simplesmente a paixonite de infância do Calvin e posteriormente, eles se casam, com a nova versão "26 anos depois" dos irmãos Tom e Dan Heyerman. 

Não deixem de visitar TUDO no Depósito !
0

03 #Doce Infância - Gibis & Afins

Quando eu era apenas uma lagartinha borboleta, a leitura de gibis impulsionavam-me às leituras diversas. Devo à Turma da Mônica esse amor completo pelas letras e seus conjuntos.  Depois dos gibis, eu pegava os jornais para e deliciar com as tirinhas! 

Quem não gosta de uma boa tirinha? 

Eu amo!

Calvin&Haroldo é uma das minhas favoritas. 
O garotinho inteligente e contestador, crítico e muito criativo. E seu inseparável tigre, Haroldo, que também servia-lhe como sua consciência. 

Enfim, o Calvin é querido por muitos em todo o mundo, e eu acompanho um blog super-hiper-mega-legal que decidi compartilhar com vocês: Depósito do Calvin . Tem tudo sobre os personagens por lá, entre livros (até para download), promoções, seções divertidas, TV Calvin, e várias tirinhas! 

Sem dúvidas, Calvin&Haroldo foi a série de quadrinhos que mais emocionou, principalmente em seu fim.  A última tirinha saiu em 31 de dezembro de 1995 e deixou não um "fim" categórico, mas sim, uma certeza de que Calvin crescia, e nem por isso abandonaria Haroldo! 



O blog Caixa Misteriosa, tem uma postagem INCRÍVEL sobre o final de C&H, com um trecho do próprio Bill Waterson, explicando aos seus fãs, o motivo de ter parado e sumido. E mais: tem Calvin&Haroldo 26 ANOS DEPOIS!

Eu chorei e choro toda vez que termino de ler essa postagem do Caixa, ou faço uma visita ao Depósito...


Então corram, ou melhor, cliquem para ler ! 


0

Para a felicidade bater à porta





Necessidades para a felicidade bater à porta: 
Abrir os braços para a vida;
Abrir os braços para a humildade;
Abrir os braços para a tolerância;
Abrir os braços para a mansidão;
Abrir os braços para as lutas;
Abrir os braços para as pequenas coisas;
Abrir os braços para que as lágrimas caiam se necessário;
Abrir os braços para a compaixão;
Abrir os braços para o próximo;
Abrir os braços para os sonhos;
Abrir os braços para si;
Abrir os braços para os aprendizados;
Abrir os braços para a paz;
Abrir os braços para o mundo;
Abrir os braços para o amor;
É só o amor. 





0

Sem Mais



                  LER, LER, LER                 LER, LER, LER
                  LER                     LER,    LER                      LER
                        LER                         LER LER                         LER    
                       LER                               LER                             LER  
                   LER,                             LER,                           LER
                   LER,                                                             LER
                    LER                                                           LER
                      LER                                                    LER
                      LER                                             LER
                      LER                                      LER
                     LER                             LER
                    LER                       LER
                     LER                  LER
                     LER          LER
                      LER      LER
                       LER  LER
                       LER


0

Rosas Apenas





Deixou as rosas sobre a mesa e saiu do controle. E talvez se somente eu, esperasse, este buraco não estaria sob meus pés.
Cada uma das flores dançavam na brisa, e suas pétalas caíam, caíam, caíam. E ali restava uma observação... Uma observação do profundo escuro abaixo de mim.

 O tempo, aquele traidor! Sempre esteve ao seu lado. O tempo não te empurra do penhasco e tudo à sua volta contribui a ti, e não é questão de preocupação. 
Cada uma das flores dançavam na brisa, e suas pétalas caíam, caíam, caíam. 
O brilho sumiu, sumiu, sumiu. Eclipse solar de almas amantes e medrosas.

Eu posso gritar, chorar , mas não vejo libertação. É um som surdo. É uma voz muda. 
Bóio morta na superfície da minha pele. 
Presa em bolhas que estourarão logo. 

Deixou as rosas sobre a mesa e saiu do controle.
Saiu de mim, saiu da história, saiu do amor. 
O amor é assim? Ele é tão cruel?
O amor... 
Desaparece e não deixa nenhum bilhete, somente rosas despetaladas. 
Rosas apenas.


0

Indicação do mês : "Ninguém Escreve ao Coronel", de Gabriel García Márquez

"Ninguém Escreve ao Coronel" escrito por Gabriel García Márquez. 

Literatura Estrangeira - Literatura Latino-Americana

Segunda Obra do autor!


A obra mais vangloriada de García é "Cem Anos de Solidão", cujo eu quero muito conhecer.  García é, um dos autores latino-americano mais traduzido e lido. Meu livro pertence à terceira edição, ano de 1973. É uma relíquia, e ouso acreditar que a resenha da contra capa feita pela "Livraria José Olympio Editora do Rio de Janeiro" ainda é muito atual, apesar das décadas passadas:

"Nenhum escritor latino-americano é tão lido hoje no mundo quanto Gabriel García Márquez. Os seus livros  estão traduzidos praticamente para todas as línguas, sucedem-se estudos e análises críticas sobre eles, surgem reedições a cada mês. Seus personagens "conversam" como se fossem pessoas de verdade porque são reflexo das angústias e dramas de um continente que somente agora, pouco a pouco, começa a impor respeito a outros povos (...)."





Um coronel reformado aguarda ansiosamente a sua aposentadoria, porém o governo ditatorial recém estabelecido e extremamente burocrático dificulta as coisas. 

Um excelente livro escrito em 1957, tendo García o auge maduro de seus 29 anos de idade. 

0

A Garota da Jaqueta


Pode ser que ela fosse apenas uma garota comum. E era. Mas tinha algo mais. Algo que só eu percebia. Resultado de muito tempo observando-a, até digo que foram anos em contemplá-la. Não era por paixão. Não era por amor. Não era por inveja. Não era somente por admiração. 


Eu observava-a sempre, por uma força interna inexplicável. Uma conexão de almas e mentes. Como se fôssemos almas gêmeas. Então pode-se dizer que era por muitas coisas, mas somente bons sentimentos.

Nós somos uma dualidade, só que ela não sabe. Ou saiba, mas assim como eu resolveu manter esse segredo. 


De todas as vezes que eu olhava-a, a sensação era ótima, contudo em certo tempo passou a ser desesperador apenas olhar e não chegar perto. Passou. Depois tornou-se sufocante notar que ela notava-me e mantinha-se distante, assim como eu, seguindo sua vida. Mais algum tempo e a monotonia apoderou-se da situação. 

Tornou-se um paradigma entre nós: cruzar olhares e sorrir. Com ou sem vontade. Ritual, cotidiano, e tudo como se ambos assistissem a um programa de televisão. Éramos duas tevês. 


Felizmente, alguma hora se fosse nossa união um objetivo do destino, as coisas mudariam e mudaram. 



Eu estava sentado ao ponto de ônibus com meus camaradas. Eu? Um garoto bem conhecido, acho que popular é demais. Inteligente, divertido e até extrovertido. Timidez? Não, obrigada. Só me sirvo disso diante dela. 


0

#XícaraVIP - 02 - Chega mais, Millôr!

Ainda folheando os "Trinta anos" de Millôr encontra-se um diálogo estupendo! Magnífico! E embora publicado em 1951, pelo jornal Cruzeiro, na coluna PIF-PAF, eu ousaria dizer que demonstra certa "atualidade". 

Por Millôr Fernandes, 
Papo com a Lei 


“Porque se diz que nossa polícia não tem qualquer sentimento de justiça sendo, ao contrário uma força de coerção terrível, transmitimos aqui esse diálogo alto e esclarecedor.
Polícia – Fale.
Nós – Bem, o que faz você?
Polícia – Algumas vezes cumpro meu dever.
Nós – Que é isso?
Polícia – Bem… Por exemplo, controlo o tráfego.
Nós – Ah, você é aquele? Já o vimos uma vez – apita, levanta a mão, faz parar a cavalhada. Exato?
Polícia – Isso.
Nós – Não é justo.
Polícia – Como?
Nós – Deter o tráfego. Os industriais fabricam os carros para corres e os automobilistas compraram o carro porque ele faz 120. Que direito você tem de deter em sua beleza de velocidade essas máquinas que foram feitas só para correr? Em toda parte vemos a mesma força detendo e corrompendo essas máquinas poderosas que ficam gemendo e resfolegando, ansiosas.
Polícia – Não entendo de filosofia, nem sou pago para isso.
Nós – Que outros deveres você tem?
Polícia – Mantenho a ordem. Se alguém faz desordem, prendo.
Nós – Prende-o? Antes dele ter sido julgado?
Polícia – Uai, ele não pode ser julgado antes de ser preso.
Nós – Não importa. ‘Um homem é inocente até que se prove sua culpa’.
Polícia – Nós sabemos por experiência que um homem é sempre culpado de alguma coisa. É questão de rebuscar.
Nós – Ou baixar o braço.
Polícia – Também serve.
Nós – É impossível que seja mesmo verdade. Mas a polícia deveria ter em mente o contrário e acreditar que o mundo é povoado por anjinhos.
Polícia – Está bem. Como provaremos que o cara é culpado se não o prendemos?
Nós – Lá vem você. Ele deve ser levado ao tribunal, mas com extrema delicadeza, requintes de finura. Ele é um cidadão. Você devia ser mais amigo do que inimigo. Aliás, devia usar um uniforme menos aterrorizante e repelente.
Polícia – Que é que há com o meu uniforme?
Nós – Não gostamos dele. Militar demais. Você parece que vai permanentemente entrar em guerra contra outro país, e no entanto sua função é só proteger o vizinho que, ele próprio, paga. Você parece uma panzervision.
Polícia – Que é isso?
Nós – Uma máquina de guerra. Esmaga tudo á sua frente. Pelo menos é feita para isso. Também não gosto do seu quepe. Você devia usar alguma coisa em forma de frigideira e, nas horas vagas, cozinhar comida, fritar ovos para os pobres. Assim, transformar-se-ia de organização opressora em organização filantrópica.
Polícia – Fil… O quê?
Nós – Filantrópica – de caridade. E esses cintos e essa arma, tudo isso não podia ser alterado?
Polícia – É o que me faz respeitado.
Nós – Pelos inocentes. Os culpados agem melhor depois de ver as possibilidades que você tem. Essa arma visível lhes dá a exata ideia do quanto você pode. Façamos uma coisa simples e natural. Você deve ser o ‘amparo do suspeito e a proteção dos indefesos‘.
Polícia – A oitocentos cruzeiros por mês?
Nós – Isso é outro problema. O que lhe pede proteção às vezes ganha menos e, além disso, está sendo roubado.
Polícia – Nós somos sempre. Nosso trabalho vale mais.
Nós – Que é esse negócio preto aí do lado?
Polícia – É o cassetete.
Nós – Casse… O que?
Polícia – Cassetete, palavra francesa.
Nós – Puxa, é um negócio duro, parece de ferro!
Polícia – É de borracha.
Nós – Para que serve?
Polícia – Para dar nas cabeça dos caras que resistem à voz da lei.
Nós – Deixa de brincadeira. Não vai me dizer que usa esse processo da Idade Paleolítica.
Polícia – Não sei a que idade se refere. Eu só tenho trinta e dois anos.
Nós – Estamos falando de um período histórico.
Polícia – Ah…
Nós – Isso deveria ser feito de material macio, de modo que não machucasse, no caso de ser usado por acidente. Isso deve ser um emblema mais que uma arma. Não deve jamais ser usado.
Polícia – Não seria melhor que fosse oco, com sorvete dentro, confete ou qualquer coisa parecida?
Nós – Você está começando a perceber a ideia. Mas esta coisa de sorvete está cheirando um pouco a zombaria. Por que não usar um guarda chuva ao invés de um cassetete? Serviria também para bater, em casos raríssimos, e , mais comumente, protegeria você e o prisioneiro da chuva.
Polícia – Soa cavalheiresco.
Nós – Que barulho é esse?
Polícia – Qual?
Nós – No seu bolso.
Polícia – Soco-inglês.
Nós – Soco-inglês? Cada vez pior. Não vai dizer que usa isso.
Polícia – Oh, alguns anjinhos tem que ser desmaiados de vez em quando para impedir que sua inocência dê no pé.
Nós – Não é de admirar. Você gostaria de ser confundido com um criminoso?
Polícia – Pombas! Você acha realmente que ninguém cometeu nenhum crime?
Nós – Não é bem isso. Mas saber perdoar é tudo.
Polícia – Esse princípio é forte demais para quem ganha só 800 pratas por mês.
Nós – Já passamos por esse capítulo.
Polícia – Ele continua existindo.
Nós – O mal justamente é que escolhem os policiais pelo físico, força dos músculos e potência de soco, quando deviam escolhê-los pelo talento e educação;.
Polícia – Ótima ideia. E quando um ladrão entrasse me sua casa para matá-lo eu usaria a cultura?
Nós – Isso. Verificaria todos os prós e contras da situação e explicaria tudo para si próprio. Isso traria como conclusão dar sempre ao criminosos uma nova oportunidade.
Polícia – Enquanto isso ele o teria assassinado.
Nós – Morrer é um direito nosso.”  
(Extraído do livro Trinta anos de mim mesmo )
0

#XícaraVIP- 01 - Chega mais, Millôr!

Millôr Viola Fernandes (16 de agosto de 1923 - 27 de março de 2012) foi um cartunista, jornalista, cronista, dramaturgo, roteirista, tradutor e poeta brasileiro. Nasce no Rio de Janeiro, em 1923, filho do engenheiro Francisco Fernandes e de Maria Viola Fernandes.
Leia mais na fonte: Pensador

Em suma, Millôr era o cara. E eu o admiro muito. Então acho que em poucas e humildes palavras: "Eu quero ser um tipo meio Millôr quando crescer!" 
Assim, como tantos outros tipos nos quais eu busco me espelhar!

O novo "quadro" digamos assim, do Xícaras é o "#XícaraVIP" onde tentarei falar dos grandes autores de que adoro. E nessa estreia destaca-se um livro do Millôr que ganhei (o primeiro, inclusive). 

APRESENTO-LHES: "Trinta anos de mim mesmo".

O livro, traz nostálgicas publicações de Millôr, nos jornais em que trabalhou e algumas das suas crônicas. E que tipo de blogueira seria eu, em omitir meus pensamentos e algumas dessas páginas? Lógico que eu não irei lhes oferecer o deguste inteiro do livro! Ah... Mas vamos nos divertir em conhecê-lo!

O livro é marcado por datas anuais e pelas referidas publicações de sucesso, inclusive ilustrações. Algumas das ilustrações não se remetem à obras do autor somente, mas à coisas que referenciam-se ao seu cotidiano. Aos seus "trinta anos" como pressupõe o título.

O sarcasmo  e a ironia são marcantes no estilo do autor, uma das primeiras páginas traz o título "Frases sem dor" publicação em 1943, elejo as preferidas:

"Um banqueiro pode escrever falsa literatura. Mas vá um escritor falsificar um cheque!".
"A justiça é cega, sua balança desregulada e sua espada sem fio".
"Chama-se herói um sujeito que não teve tempo de fugir ".

Folheando algumas outras páginas, encontramos o "Ministério das Perguntas Cretinas" onde eu, também separei algumas: 


 - O olho d'água tem pestana?
 - A boca da noite diz nome feio? 
 - Cabo de faca pode ser promovido a sargento?
 - Cabo de esquadra pode ser posto em vassoura?
 - Se o diabo se portar bem, vai pro céu?
 - Mudo, tem palavra?
 - A chapa de raio-x foi bem votada?
 - Marmelada falsificada é marmelada?
 - As maçãs do rosto tem vitaminas?
 - As vitaminas tem maçãs do rosto?
 - Gerente, o senhor vai aumentar meu ordenado?
 - O mata-borrão é assassino?
 - Em corte de ordenado se põe iodo?
 - A Serra da Mantiqueira corta lenha?
 - Por que que os garçons não trazem um pires pra gente botar os buracos do queijo?
 - E se todo queijo tem buraco, por que nem todo buraco tem queijo?
 - Miolo de pão raciocina?
 - A barriga da perna tem umbigo?
 - Na ilha de Pago-Pago, as contas são pagas duas vezes?
 - A bolsa de Nova York é de crocodilo?
 - Deve-se ter vergonha do que se vê a olho nu?
 - Se Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil, quem foi que o cobriu?
 - Um cego pode pagar contas à vista?
 - Pé de vento calça meia?
 - Banana d'água mata a sede?
 - É verdade que os esgrimistas só comem manga espada?
 - Os cachos de uva são feitos no cabeleireiro?
 - No momento em que você lê estas perguntas não se sente muito inteligente?
 - Um encarregado de cobrar impostos, é um impostor?
 - O calor de uma paixão dá para cozinhar o jantar?
 - Você já verificou se a Terra é mesmo redonda?
 - Quando o Disney faz um desenho ruim, é um desenho desanimado?
 - Um sujeito armado de boa vontade, deve ser preso?
 - Um sujeito muito cara de pau pode fazer barba com gilete?
 - Você é capaz de escrever uma composição sobre um crime indescritível?
 - Aceita uma cervejinha, seu guarda?
 - Por que tudo fica tão claro quando eu acendo a luz?
 - Você é capaz de dizer por que os precipícios são tão fundos?
 - Nosso país, vai pra frente?
 - A boia servida nos restaurantes serve como salva-vidas? 
 - Quando uma mulher tem pé de galinha, deve ser posta no galinheiro?
 - O verso do papel é feito por algum poeta?
 - Mamãe, por que agora que vamos com o papai, a senhora não cumprimenta o Dr. André? 
 - As estrelas cadentes caem onde e de onde?
 - A lua de mel pode servir como sobremesa?
 - Em Cabo Frio também faz calor?
 - Os suspiros das virgens são de clara de ovo?
 - Do parapeito das janelas pode-se tirar leite?
 - Um ato de loucura pode ser levado no teatro?
 - O critério político existe?
 - A estrada da vida é asfaltada?
 - A anestesia, dói muito?

Podem até ser tolices, e de fato são piadas cretinas, mas não deixam de ser também brincadeiras com as palavras e expressões inventadas por nós. E algumas chegam a ser até mesmo, sarcasmos. 

Por hoje, faço essa breve apresentação do Millôr, mas ainda temos muitas páginas de "Trinta Anos" a percorrer. 

Até a próxima!

0

Carro roubado uma vez é tenso, duas já é palhaçada!


Então a boa nova que me rende uma crônica nesta semana é a pataquada* a qual somos subordinados quando precisamos de um serviço público como a segurança policial. As reportagens noticiaram o furto duplo de um mesmo carro, no mesmo dia e pelo mesmo artista das margens sociais. 

De manhã, no bairro da Penha, um senhor de classe média trabalhador brasileiro (cá sabemos o respeito que essas pessoas merecem por tamanho o seu heroísmo de sobreviver ao dia-a-dia) abre a porta de sua casa em direção ao seu carrinho. Conforto que, sem sombra de dúvida, deu duro para comprar! Qual era o destino desse personagem? Preparava-se para mais um fatigante dia de trabalho, mas eis que é abordado por uma dessas pessoas, que eu ainda insisto em não entender os motivos de certas escolhas, que teve a magnífica ideia de surrupiar o carro do cidadão. 

Pera lá! Isso hoje em dia é natural! Nós é quem temos que nos proteger e evitar essas situações! Pois eu bem os digo, que não é nada natural. Tornou-se parte da vivência, mas aceitar a isso é no mínimo constrangedor. É como se os mesmos larápios de alguns quinze (para ser camarada) anos atrás, expandissem seus negócios do planalto para as ruas. Como um "shopping popular" a lhes dar lucro. Sabe como é né? Gente da alta rouba por baixo do panos, enquanto a ralé pega os caixotes e faz o escândalo típico. Ah! Esse imenso cortiço em que vivemos todos! 

No entanto, voltemos aos fatos. 


Diante da situação o trabalhador entrega o bem que adquiriu para o indivíduo descaracterizado. Tudo bem! Vamos ligar à polícia! Feito isso rola-se um boletim de ocorrência, protocolo antigo e carimbo de uma certa eficácia, em algumas vezes não aparente. Posso lhes contar algo? Estamos falando de uma dessas "algumas vezes"
Com o B.O articulado na delegacia, o que basta é esperar um pouco às noticias. Ora, mas isso não impede que o cidadão de direito suprimido saia para uma ronda particular em busca de pistas. Eis que ele encontra o carro em um bairro próximo: Brás de Pina. 

- Liga à polícia! 
- Liguei! Agora é só aguardar!

Três horas se passam e... Não! Você não entendeu errado! TRÊS HORAS SE PASSAM E NADA DA POLÍCIA! 
O que acontece em seguida? O mesmo ladrão que roubou-lhe o carro à porta de sua casa, agora, após fazer-se sabe lá o que durante três horas ressurge de repente cumprimentando sua recém-vítima e levando novamente, por bem debaixo do nariz do coitado, aquele carrinho que não era "zero", mas quebrava-lhe um grande galho todos os dias! 
E vendo o carro ser levado,  o homem retornou as ligações às autoridades e ao invés de explicações sobre o atraso e ineficiência foi-se aconselhado a produção de outro boletim de ocorrência, afinal: era um outro roubo.

Oras, mas acalma aí Rayanne! Segura essa sua língua... Ou os dedos! Afinal, o ladrão também é um trabalhador! Ou você acha que é fácil roubar um carro de cara limpa e ainda repetir o ato com a mesma pobre criatura? 
E você também não pode falar nada do serviço competente da polícia! Sabe-se lá se algum imprevisto aconteceu? Talvez a cafeteira da delegacia tenha quebrado durante aquelas três horas! Os coitados ainda não tinham nem tomado seu cafezinho!
Um pouco de humanidade, por favor, garota! 




Até  a próxima. Talvez menos indignada. 
4

Plágio é Crime

MyFreeCopyright.com Registered & Protected



Licença Creative Commons
Este trabalho foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-NãoComercial-SemDerivados 3.0 Brasil.

copyright © . all rights reserved. designed by Color and Code

grid layout coding by helpblogger.com