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Mostrando postagens de Novembro, 2012

Conversas de varanda

Estava abrindo a portinhola de minha varanda com uma bandeja de chá, duas xícaras e algumas bolachas caseiras na mão. A tarde era fria e densa, não muito bonita. Oras, qual é o padrão de uma tarde bonita? Acho que seria justo denominar que todas as tardes são belas. Era uma tarde então, fria, densa e bela. Meus ombros franzinos encobriam-se por uma manta gaúcha antiga, xadrez e com cheiro de essência de jasmim. Eu costumo utilizar esses cheirinhos- de-armário, são excelentes para afastar o odor de roupa velha guardada. Sentei-me na cadeira de varanda e pousei a bandeja na mesinha do conjunto. Servi-me de deliciosa água-quente com leve adocicado. Não esperava ninguém, mas esperava. Paradoxo não? Isso é o sexto sentido feminino. Eu sabia que me procurariam naquela tarde.
            Aproximando-se a passos cautelosos e molhados avistei em meio à neblina um enorme casaco de caxemira vindo em minha direção.
_ Boa tarde. - eu disse ao casaco que havia perdido o dom de caminhar, ainda …

Do quê ela foge?

Ela corre incapaz de escutar os próprios passos. Apesar de sapatear em poças, chutar pedrinhas, ela não consegue escutar seus pés.  Ela corre sendo guiada por pernas medrosas. Pés fujões.  Por que ela corre?  Corre, pois é a única opção. E foge desequilibrada.  Uma parte deseja fincar o corpo em concreto e outra parte deseja inflar como um balão que sobe às altas nuvens.  Ela foge do medo, do desespero, da violência, da insegurança, da chuva, do sol. Ela foge da família, da casa dos pais, da falta de apoio. Ela foge do grande amor de sua média vida, foge dos seus sonhos infantis. Foge dos monstros no armário e do rastro de gosma que eles deixam. Foge das drogas, foge da cura, foge da morte. Foge por prazer de fugir sem rumo, deixando seus pés descontroladamente covardes guiarem-na para qualquer horizonte.  Ela corre dos próprios batimentos cardíacos, da própria alma reencarnada, do sangue que ferve em suas veias, da mente curiosa e insana. Ela foge dela mesma correndo vida à fora.

Por, Rayan…

A Melhor Noite Sem Você.

São exatamente duas horas da manhã e aqui estou tentando rabiscar algumas linhas tortas que possam definir ou justificar esse recorte de nosso enlace. Conhecemo-nos há tanto tempo e tantas vezes fomos lançados em ondas distantes. Contudo sempre remamos ao encontro um do outro. Mas, por quê, justamente no melhor dos encontros não tivemo-nos inteiros?  Naquela manhã eu pensava incessante em todos os momentos cinematográficos do nosso namoro. Três meses sem dar uma explicação, sem um resposta, um indício de que ainda existisse algo entre nós. Foi de um silêncio ensurdecedor. Eu juro que tentei de todas as formas compreender seu afastamento, compreender a minha escolha cega. O fato é que não havia esperança.  Como quando você chega no fim de um caminho e encontra nele um abismo, um buraco irreconhecível que não o levará para nenhum outro lugar. Sem rumo. Era assim que passei a enxergar a nossa relação depois de tanto tempo no vácuo. Quando alguém se ausenta da vida de outra pess…

Sonhos Pendurados?

Sonhos pendurados. Onde você pendura seus sonhos? Você os pendura? Por quê ? Sonhos pendurados podem não ser uma boa ideia, sonhos pendurados precise de quem os despendure. E se esse alguém não vier? Ficarão eternamente pendurados? Sonhos bonitos são aqueles que rolam soltos por uma íngreme e extensa ladeira ensolarada. Sonhos que fogem amarrados nos para-lamas de caminhões viajantes. Sonhos ainda melhores são aqueles que seguem presos nas hélices de aviões.  Agora... perfeitos! Sonhos perfeitos sabem quais são? São os sonhos que saem do seu coração, escorrem para suas mãos e são lançados nos seus ventos. São aqueles que você cria, molda e desenforma.

Por, Rayanne Nayara.

Eu quero uma casa no campo!

"Eu quero uma casa no campo onde eu possa compor muitos rocks rurais. E tenha somente a certeza dos amigos do peito e nada mais. (...) Onde eu possa ficar no tamanho da paz.Eu quero carneiros e cabras pastando solenes no meu jardim. Eu quero o silêncio das línguas cansada. Eu quero a esperança de óculos e meu filho de cuca legal. Eu quero plantar e colher com a mão a pimenta e o sal. Eu quero uma casa no campo do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé. Onde eu possa plantar meus amigos, meus discos e livros e nada mais." - Elis Regina. 

Uma canção que descreve exatamente o que eu quero ! Imagino-me em um lugar inóspito ou apenas um pouco tranquilo, com minha casinha rural de janelinhas coloridas. Meu tronco demolido à sombra de uma frondosa árvore, onde eu sentaria para tocar meu violão. Animaizinhos soltos no jardim e quintal. Uma natureza onde meus filhos possam amigar-se e aprender a amar. Um lugar que seja o refúgio dos meus irmão nascidos de outras famílias. Um lugar onde o…

Suzan e os Poodles

Abriu a porta sonolenta com a pequenina mochila rosada em suas costas franzinas. Esfregava os olhos e bocejava. Sentou-se ao pé da varanda, enquanto esperava pela mãe atrasada e atarefada. Com as mãozinhas sob o queixo, e cotovelos apoiados nos joelhos, a menininha olhou para sua frente. Deparou-se com um grande cesto, coberto com um pano. Algo dentro dele se movia. Devagar e cautelosa, aproximou-se retirando o pano. E eis que os viu ali, tão assustados quanto ela. Neve, Nevada, Nevasca e Avalanche. Esses eram os nomes que constavam dentro do cesto de cãezinhos. Mas quem poderia abandonar poodles tão lindinhos como aqueles? E tão saudáveis ! O que levaria o dono a fazer uma coisa daquelas? Suzan pegou seu carrinho de rolimã que estava jogado no gramado e correndo até o cesto, levantou-o com certa dificuldade. Ela encantou-se com os cachorrinhos. Eram tão comportados! Enquanto ela tentava por o cesto sobre o carrinho, eles observavam curiosos e caladinhos. Como se entendessem o que ela p…

Vira-lata que não lê.

"Querido John" terminei de ler o livro e uivei de depressão. Onde você estava? Por acaso não são só os gatos que saem à noite para miar? Arrumei-me tão linda para lermos juntos essa noites, até lacinhos roxos coloquei. E onde você esteve durante "A Última Música" ? Esse senhor humano, Nicholas Sparks, tocou-me a alma. E tocaria-o se aqui ao meu lado estivesse. Não sou uma cadelinha de rua meu amado, eu tenho pedigree! Contudo, todavia o que esperar de um vira-lata? Olhe bem para meu rostinho infeliz. Não consigo nem latir mais! Estou chateada, raivosa. E lamento informar que não divido mais minha raçãozinha de carne ao molho madeira com você. Revire os seus lixos de madrugada. De hoje em diante só irei compartilhar com o senhor Nicholas, que compartilhou comigo duas histórias lindérrimas, das quais tanto tive que insistir para minha dona ler para mim.

Esse continho surgiu em minha mente assim que vi essa imagem tão cômica. Espero terem gostado. Por, Rayanne Nayara.


Copinhos em série.

Eu não estava lá quando foram criados, alimentados e distribuídos. Todos receberam o mesmo selo. Ainda que houvesse neles um rabisco diferente, algumas caligrafias inexpressíveis, legíveis, tortas ou corretas, com cores diferentes, todos receberam o mesmo selo. Em seu interior, alguns trazem café. De cheiro forte e oponente. Outros contém leite, cheiro fraco, textura mais densa, meros "amenizadores" . Uma outra parte é composta pela mistura de ambos, uns com mais outros com menos. E que curioso! Tem até alguns que são enviados ao meio dos outros, sem nada conter por dentro . Contudo, todos receberam o mesmo selo. Há um comandante muito maior em torno disso tudo. Um comandante do qual eu desconheço a figura, mas que persegue o meu copinho. E apesar de serem todos guiados por ele, eu deposito confiança em cada um desses copinhos, cheios, vazios ou meio-a-meio. Esses copinhos se movem, na grande parte sem serem controlados, e pensam na grande parte com um chip detectável por s…

Não esqueça-me.

Não esqueça-me por minhas idiotices. Por meus medos. Por meus desejos ainda que soem muito insanos, ou grandes demais para que me acompanhes. Não esqueça-me por meus choros, risos e piadas inúteis. Não esqueça-me por minha pressa. Não esqueça-me por minha vagareza. Não esqueça-me por meus gritos, minha raiva ou minha estupidez. Não esqueça-me por minhas manhas,meiguices, por minhas manhãs nubladas ou ensolaradas ou até mesmo por minha compreensão incompreensível. Não esqueça-me por nada. Por favor, não esqueça-me. Apenas pense que em alguma dessas coisas eu posso ter lhe trazido algo bom,  ainda que queira me esquecer, terás de esquecer meu legado na única coisa que para ti possa ter feito a diferença. Então porque esquecer alguém que em algo te ajudou? Se for para esquecer, esqueça as lembranças que doem. Não esqueça as pessoas de sua vida. Seria como se você tivesse aprendido as coisas com uma lousa que escreve sozinha. E sabemos que alguém teve de te ensinar, pois infelizmente, lou…

Estrada, longíqua estrada.

Estrada, longíqua estrada. Para onde tu vais posso ir? Tens fim? O que há na saída de suas faixas? Esse deserto ao seu redor, eu anseio. A sensação da liberdade, dos descompromissos.  Me traga esse horizonte todos os dias! Como se eu dormisse dentro de um carro e acordasse com o Sol no pára-brisa, ali tão perto e tão longe no meu horizonte. Estrada, longíqua estrada. Tu és tão solitária quanto eu. Poderíamos conviver no mesmo espaço? Eu poderia pisar no seu concreto gasto? Ainda que eu a busque, buscando nada, buscando tudo, buscando dentro de mim alguma pedra que lhe falte, promete-me que para sempre à frente me levarás? Sem nenhum semáforo ou pedágio? Sem nenhum abismo?

Por, Rayanne Nayara.

Califórnia, aí vai ela.

Nasceu em um dia nublado, e parecia um raio de Sol. Jurou rodar o mundo em uma bicicletinha. Ela não tem medo de enfrentar desafios, mas tem medo de ficar sozinha. Seus pais meio doidões não se importam com sonhos de cinderela, eles são ocupados demais. Califórnia aí vai ela mostrá-los o que é o bom da vida. Com quinze anos se vestiu de hippie entrou em uma rave escondida e roubou todas as drogas, jogando toda a diversão no esgoto. Estava na delegacia quando a mãe mandou um tutor. Califórnia aí vai ela ser inconsequente da melhor maneira. Com dezessete anos peregrinou três meses nas ruas, escondida em vielas. Quis provar a dor dos outros.  Roubou os cartões de crédito dos pais e comprou uma passagem para o Alabama, acampou no deserto e comia carne das cobras que caçava. Foram encontrá-la em Praga declamando poemas escritos a prórpio punho. Ela sabe o que é dolorido, mas conhece como ninguém os prazeres mundanos. Califórnia aí vai ela com um livro de bolso e um relógio cuco. Ela é uma bomba-re…

Quanto tempo?

Quanto tempo, quanto tempo ainda há para sair correndo e engolir as chaves? Ouvi sua voz em um vídeo caseiro antigo e desenrolei toda a fita.  As suas fotos espalhadas pelo vento parecem uma armadilha do destino. Um destino do outro lado do passado. Um destino do outro lado do passado feliz.
Quanto tempo, quanto tempo ainda há para você se desculpar? Eu não acredito nesse tipo de milagre, pois a mão humana não é capaz de fazer milagres, muito menos de criar algo sem falhas.      Tem um leão aqui dentro rugindo. Ele tem fome, então é melhor você fugir.
Quanto tempo, quanto tempo ainda tenho até o fim de tudo? Eu não sei, e também não acredito que este seja o momento mais apocalíptico, mas muito tempo alimentando monstros tornam-os mais fortes. Preciso levar para o outro lado toda essa feitiçaria de mágico de pracinha. 
O meu condão produz sorrisos enquanto você tira coelhos de cartolas. Nunca acreditei em palavras soltas que não façam sentido. Você só sabe pronunciá-las. Preciso levar para o out…

Civitatem Incantatio.

CivitatemIncantatio.  Cidade dos sonhos inexplicáveis e apaixonados. Mundo em que me abrigo e fujo contente. Subo as escadinhas artesanais e desço pelo gargalo da garrafa. Garrafa cheia em que embebo-me. Lá as pessoas são felizes e gatos são medrosos, óculos são espelhos, leões são animais de estimação falantes. Bolhas de sabão flutuam levando pessoas, botinas servem de elevadores. Tudo é mágico. País das Maravilhas? Imagine! Quem é essa Alice, afinal? Ela não vive em mundo como o meu, e com certeza ela adoraria conhecê-lo.  Na verdade, estou falando do paraíso. É isso, o meu paraíso perdido.
por, Rayanne Nayara.

Livro Indicado do mês : Caminhos Errantes da Liberdade

Caminhos Errantes da Liberdade . Autor : Jorge Miguel; Editora : Passe Livre
"A liberdade é uma forma de autonomia que se inicia quando o homem,  ousadamente, vai em busca da sua individualidade." - Jorge Miguel.


Quando li esse livro, a primeira impressão foi de revolta. Revolta pela nudez de toda uma realidade explícita sem vergonha, nas páginas do livro. Meus pensamentos discordavam de início com a opinião do autor, mas após ler novamente com mais calma, enxerguei o que de fato ele queria mostrar. Fiz uma análise geral e venho compartilhar com vocês. Devo muito de meu amadurecimento psicológico, literal e acadêmico a esse livro.

O prefácio, nele já começamos bruscamente. É difícil a compreensão, à primeira vista, do pensamento do autor. Não por má escrita, pelo contrário escreve muito bem. Acredito que seja pela periodicidade apresentada e pelo uso da intertextualidade.  Jorge Miguel, escreve este livro em busca da realização pessoal influeciado por Freud, Marx e Russel (da…

Internet : A segunda identidade pessoal.

PROPOSTA DE REDAÇÃO ENEM 2011 Tema: Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado. Objetivo: Apresentar proposta de conscientização social que respeite os direitos humanos. Regras: - Max. 30 Linhas; - Texto dissertativo-argumentativo em língua padrão.
Uma dica para construir um bom texto é destacar alguns pontos, os quais você deseja abordar. No meu texto, por exemplo; - rede como direito universal; - rede como disseminador de ideias; - popularidade e reputação online;
Vamos lá!
Internet : A segunda identidade pessoal.        O crescimento desordenado da população indicia a principal razão para o avanço da internet. É inegável que, o público mais atrativo dessa ferramenta está entre a pré-adolescência e a juventude.  Na verdade esse público é alvo de tudo ao nosso redor e na internet tudo é urgente.        A interconexão com o mundo, novas experiências, conhecimento e tudo o mais que ela oferece permitem que cada usuário torne-se cada dia mais dependente dela. Tal dependência…