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Mostrando postagens de Maio, 2012

Nossa gramática.

Cartas no olhar. Palavras em cada brilho de íris. Sorrisos? São frases inteiras. E os seus gestos são textos. No seu beijo eu leio romances clássicos.
Nada mais resta senão a ortografia e a nossa gramática sinuosa. Complexa sintaxe de um amor que não pode ancorar. Escrevo seu nome em cada abraço. Sei que o sol nascerá nessa primavera sobre o nosso contato entregue e sincero.

Dualidade.

Te farei refém dos meus precipícios. Amor platônico. Há um misto de sensações. Chega de escolhas vãs.  Correrei até você. Prenderei-o na minha teia. Dois corpos em um. Veias pulsantes de uma união luxuriosa. Aonde quer que eu vá, estarei nessa sua sedução inocente, pois é o que somos. Somos uma dualidade infinita.

Te quiero.

Não dá para ocultar o que estou sentindo. Eu não consigo me convencer de que não quero amar você. É como uma cahoeira que lança suas águas transparentes sobre as pedras mais lodosas.  Já não assimilo nada, certo ou errado te quero. 

Sombras

Descendo as escadas a sombra aumenta. O  rangir da porta se abrindo é forte. Tenho pouco tempo para fugir. Porque isso acontece comigo? O que fiz de errado? Porque me condenam ? O passado não terá fim? Vocês não sabem nada de mim. O oceano é grande demais para eu nadar.
Vozes em urros de dor. Eu não consigo me afastar desse escuro.
Sombras, vocês podem me pegar, mas eu sei que há luz em mim. Acham que me vencerão, mas esperem até eu abrir meus olhos.
Vozes em urros de dor. Eu não consigo me afastar desse escuro.
Acham que me vencerão, mas esperem até eu abrir meus olhos e acordar.


Começou assim.

Começou assim, eu voava alto e alcançava as estrelas. Todos observavam. Começou assim, eu caía como fruta madura e sorria para você. Corra, corra, até mim. Não pare de correr. Eu vou alcançá-lo.  Esse é um dia perfeito. Chuva de morangos e borboletas amarelas voando. Eu te observo. Anote tudo o que você vê. Porque esse é um dia perfeito. Voar, voar, voar. Eu posso pisar na lua quando te vejo.


Nesse Lugar

Nesse lugar, nesse lugar eu vejo montanhas imensas, que servem como muros. Muros inquebráveis, muros que se perdem, me separam de você. Sim, estamos muito distantes, distantes... Não fui eu que escolhi esse céu tão azul, mas ele me faz bem. Ese o frio me atormenta tanto, a culpa não é minha. Esperei a vida dar sinais e ela me trouxe aqui. Perdida. Aprendi que eu conto comigo e ninguém mais. Por favor não interprete-me mal, não é descaso ao seu carinho. Mas o que você pode fazer se você está aí e eu aqui nesse lugar? Nesse lugar. O que há nesse lugar?

Vale das Palavras

Me perdi no vale das palavras. Fiz um caminho de livros onde entreguei a minha vida. E o propósito disso é unicamente amar. Porque a nossa alma se torna mais romântica à medida que lemos. É um ciclo de fatores. Você lê, imagina, sente, vive e consequentemente ama. Me traduzi ao amor de um só.  Solidão não é bem a palavra. Sozinho seria. Não é um isolamento do mundo ou das pessoas. Nem egoísmo de guardar tal sentimento. Disporia-me sim de compartilhá-lo, mas isso sobrepõe ramificações complicadas. E no momento, o fato é a introspecção de saber que esse amor próprio, não gera dor. 

Você é feita assim.

Você é feita assim. Você tem medo que o mundo te devore e vomite apenas seus ossos. Você tem medo do barulho da chuva. Seus medos não são maiores do que o seu potencial. Existe muita força escondida em você. Então você corre, corre, corre, buscando seu horizonte sempre. Mas é difícil correr com correntes nos seus pés, impedindo-te de chegar mais longe. E quando isso acontece, você continua correndo. Mas corre com a boca. Corre com as palavras, que podem te guiar a lugares que seus pés, talvez não alcançariam. Você tem tudo sob controle.  Você é feita assim. Acredite que seus sonhos irão se realizar.

Sóis de Outubro

Toda vez que o mês de outubro se inicia o mundo dela, para ela muda de cor, forma, tamanho. Simplesmente evolui.  Existe um motivo.  Ao acordar no primeiro dia do mês, aos primeiros raios de sol, ela se levanta espreguiçando-se . Sorri e deseja intimamente um bom dia a sua própria alma. Seu espírito alegra-se e contagia tudo o que ela tocar! Existe um motivo. A partir dessa época, ela avalia seu ano. E o décimo mês reflete as comemorações de reveillón que ainda irão chegar.  É antecipada. Sempre à frente dos obstáculos. Não se preocupa em saltitar em cima do muro, pois sabe que, por mais que possa demorar, quando outubro chegar ela ja terá descido. Talvez sozinha ou não. Nesses dias todas as estações climáticas se fundem. Todos os cheiros se aguçam. Todos os olhares são para ela. E os gostos ? Nada de amargo!  Soluços... só aqueles que vêm do diafragma, pois não é momento dos olhos soluçarem. Existe um motivo. Os sóis de outubro são mágicos e únicos. E em nenhum ano são os mesmos. É impossível…

A lanchonete .

Todo dia as onze e meia encontravam-se naquela lanchonete. Cumprimentavam-se abraçando-se. Sentavam-se às mesinhas abaixo dos toldos, independente de fazer sol ou estar chovendo. Ela pedia sua saladinha. Era vegetariana e seguia uma alimentação balanceada, mas nem por isso menos deliciosa. Suco de abacaxi com hortelã sempre. Ele pedia intercaladamente pelos dias, carnes magras com batatas ou chuchus com camarão. Não bebia nada, somente após as refeições. E ela acompanhava-o nesse segundo drinque. Em um dia, algum tipo de chá e no outro, café. Conversavam aleatoriamente. As bocas mexiam e remexiam balbuciando coisas nem sempre em sintonia, mas os olhos... Ah os olhos! Ambos debatiam diálogos inteiros, mistos de sentimentos diversos e únicos. Pareciam apenas duas pessoas em horário de almoço cumprindo ali com as refeições diárias da semana. Pareciam e eram.  Houve o dia que ela atrasou-se. Ele não se sentara nem pedira nada até avistá-la. Chegou calada e sombria em sua felicidade. Não pe…

Liberdade Passarinha .

Nós nascemos livres e temos o direito de ir e vir. Nós possuímos as decisões à ponta de nossos dedos apontados nem sempre à liberdade, mas por nossa exclusiva vontade. Temos o livre arbítrio de saber quem queremos amar, odiar, machucar, curar. Odireito de escolher a quem iremos nos dirigir, para onde iremos ou o que faremos do mundo. O poder e o querer de tudo está nas nossas mãos porque foi-nos dado por Deus. Enfim, se nós temos liberdade até para julgar e fazer escárnio, porque os pássaros também não o teriam ? Eles poderiam decidir não cantar, piar, não voar, nem aninharem-se. Eles poderiam escolher até deixar de multiplicarem-se. Nós podemos ser a podridão, mas também podemos ser as soluções. Porque escolher o errado ?  Tome cuidado na próxima arapuca que armares para a natureza,  na próxima gaiola que você deixar de abrir, ou a qualquer causa de salvação que você não abraçar, pois a natureza... essa nos fez, ela surgiu primeiro, e se ela quiser, ela nos engolirá a qualquer momento …

O dia que a chuva caiu .

Na saída da escola eu corria para esperá-lo passar. Nunca falava com ele. Bastava-me apenas olhá-lo. As meninas bonitas faziam o rir, e eu pensava : "Como eu gostaria que ele sorrisse para mim." Eu sabia que se abrisse a boca, ele iria rir de mim, e não para mim. Afinal como era mesmo a palavra que me definiam ? Hum.... era algo com "P". Ah sim, lembrei-me! Patética . Eu era patética aos olhos gerais e cheguei a acreditar nisso por um tempo. Diziam que eu suscitava pena e tristeza por gostar tanto dele e achar que a possibilidade da troca de sentimentos fosse real, portanto patética. Horas eu passava a fitá-lo no recreio, ele sempre sorrindo irônico para aquelas ninfetas. Folhas e mais folhas dos meus cadernos arranquei para guardar escondidas. Todas envolviam ilusões minhas sobre ele e eu. Depois eu me lamentava por tantos papéis aninhando traças, eu tinha contribuído para dizimar muitas árvores. Pobrezinhas. E ainda me envolvia a escrever as cartinhas que jogava no armár…

A Euforia .

A euforia de ter você, me fazia correr atrás. Me impulsionava a chegar perto. A euforia só afastou o que eu queria tão logo. Aprendi a me acalmar e observar. Esse é o segredo, se você observa paciente aos mínimos detalhes, a decisão é certa. E as decepções não acontecem.

Fazer sorrir é suficiente.

Me perguntam :  "Tem certeza disso? Ele falhará muitas vezes." E eu respondo: "Eu também posso falhar muitas vezes com ele." E diante disso ouço sua voz rouca e tristonha: "Mas eles têm razão." E sorrindo quero que saiba apenas que: Se você apenas me fizer sorrir ... é o suficiente.


Existem inúmeras causas e muito maiores  do que seu ego.

E muitas delas podem te tornar alguém melhor. Te fazer descobrir algo em você que antes era inóspito.

Portanto, respeite, lute e abrace alguma dessas causas. Não dói.

Pedras que rolam .

Jogou a pedra no rio. Como fez tantas e tantas vezes. Porém como nenhuma antes, dessa vez, com raiva. E a pedra voltou. Enfureceu-se ainda mais e observou o lugar. "Será possível que há alguém brincando comigo?"  Pensava enraivecido. Novamente jogou a pedra no rio. Seu leito corria tranquilo, com o tilintar das águas, que pareciam rir daquele ser tão néscio. E assim em reprise, o projétil voltou. Então, o rapaz atirou-o com toda a força e insatisfação que apresentava.  Já havia passado por tantas perturbações e ainda teria que aguentar aquela brincadeira de mau gosto?  Oras! Era muita petulância! Qual não foi a sua surpresa quando a pedrinha acertou-lhe a testa e o visco vermelho escorreu-lhe a face. Pasme com as gotículas pingando ao chão levou as mãos à testa. Sentou-se e procurou se acalmar. Atrás de uma árvore um sábio chinês observava-o calado, depois do ocorrido, pôs-se a rir. -- Então foi o senhor?  Bradou o jovem irado. -- Foi o rio. Respondeu calmamente o velho.
-- Como foi o rio? Rios…