09 março, 2015

#Resenha : O Irmão Alemão, Chico Buarque de Holanda

SINOPSE: O novo livro de Chico Buarque - um romance em busca da verdade e dos afetosO irmão alemão é o novo livro de Chico Buarque. O autor já publicou os romances Estorvo, Benjamim, Budapeste e Leite derramado que lhe renderam três prêmios Jabuti e venderam quase um milhão de exemplares, ficando por meses nas listas de livros mais vendidos do país. Ele também é autor de peças como Roda viva e Ópera do malandro. (Fonte: Blog Companhia das Letras)

            



Que o Chico é um amor, não é novidade! Entretanto outras faces pude conhecer desse homem maravilhoso.

"O Irmão Alemão" narra em primeira pessoa, a busca pessoal de Chico por um meio-irmão da Alemanha. São muitos os anos de dúvida e busca. Uma narrativa que mescla realidade e lirismo, com teor de comédia agradável.

Primeiramente gostaria de deixar claro que, a casa fictícia da família Buarque se tornou uma cobiça para mim. Eu a-do-ra-ria conhecer as paredes repletas de estantes e livros, que no texto são tão valiosamente descritas.

Eu sempre tive uma visão do Chico como um homem culto e no livro ficou claro, que suas leituras incansáveis através das coleções literárias de seu pai, de fato o tornaram culto. Mas a realidade, ainda que fundida à literatura se contrapõem vez ou outra. Chico mesclou verdade, modificando um pouco sua vida, acometendo assim mais poesia, suavidade, e fantasia.



Falando do homem romântico, isso é notável. Porém, mais notável ainda é sua malandragem e sacanagem. Poeticamente, o livro tem pouco. Principalmente ao relatar o cotidiano de rapazes da época, à caça de virgens. De realista e sincero, o livro tem muito. Jamais imaginaria que ele fosse, ou se colocaria como o irmão mais novo, e menos querido pelo pai. E fica difícil sobrepor até onde entra a verdade biográfica no enredo do livro. Mas eu prefiro acreditar em cada uma das suas palavras.

A leitura pode ser um pouco cansativa para quem é acostumado à diálogos sempre estruturados, e pensamentos lineares. A narrativa utilizada é espontânea. Senti que o próprio autor, conversava comigo ao meu lado. As pontuações se embolam nos pensamentos soltos e descrições reais. Parece até confuso, mas apenas quando você se entrega à lábia do Chico, você passa a compreender o tempo e modo de suas falas.

Encantador e incomum. Romântico e dramático. Envolvente e curioso. Assim o classifico. E até agora, não descobri se a mocinha colocada como seu amor existiu, se ele perdeu esse grande amor de vez ou reencontrou-a. A sensação ao término do livro é: "preciso saber mais, preciso conversar com ele. Preciso perguntar tanta coisa... Preciso pegar um avião!"

Sim, sim. Chico Buarque transpareceu seu íntimo, sem perder seu olhar tristonho e misterioso. Confesso-me apaixonada. Apaixonada por ele, pela obra, ainda mais pela literatura.

Se já leu o livro, e quer saber mais dessa construção literária clique no link.