20 novembro, 2012

Do quê ela foge?

Ela corre incapaz de escutar os próprios passos. Apesar de sapatear em poças, chutar pedrinhas, ela não consegue escutar seus pés. 
Ela corre sendo guiada por pernas medrosas. Pés fujões. 
Por que ela corre? 
Corre, pois é a única opção. E foge desequilibrada. 
Uma parte deseja fincar o corpo em concreto e outra parte deseja inflar como um balão que sobe às altas nuvens. 
Ela foge do medo, do desespero, da violência, da insegurança, da chuva, do sol. Ela foge da família, da casa dos pais, da falta de apoio. Ela foge do grande amor de sua média vida, foge dos seus sonhos infantis. Foge dos monstros no armário e do rastro de gosma que eles deixam. Foge das drogas, foge da cura, foge da morte. Foge por prazer de fugir sem rumo, deixando seus pés descontroladamente covardes guiarem-na para qualquer horizonte. 
Ela corre dos próprios batimentos cardíacos, da própria alma reencarnada, do sangue que ferve em suas veias, da mente curiosa e insana. Ela foge dela mesma correndo vida à fora.


Por, Rayanne Nayara.
Texto para 136° Edição Visual do Bloínques.

2 comentários:

  1. Amei esse texto! Acho que todos nós temos vontade de fugir sem rumo, mas as vezes somos covardes demais para largar tudo e ir.

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  2. Juliana, fico felicíssima que tenhas gostado. Agradeço imensamente a atenção, o carinho e a pausa em opinar aqui. E sim, somos todos uns fujões, e o que nos torna covarde diante disso nem é o próprio ato de sair correndo com os motores nos pés, mas sim de não admitir a fuga !

    Um beijo e volte sempre! <3

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