17 julho, 2012

Como vender esses novos produtos?


Eu imaginava que quando entrasse na adolescência encontraria em meus amigos os mesmos desejos, sonhos, loucuras, as mesmas aventuras, porém a maioria deles foi corrompida pelo poder do capitalismo. Ou seja, desapareceu-se a vontade de engajar-se em uma boa batalha, pois o pensamento era "para quê batalhar, logo outro vem e resolve isso. Olha quanta coisa boa para  gente usufruir, não tenha pensamentos assim, o mundo  não tem solução, vamos aproveitar o que ele nos dá" . Porém, o conceito deles de "aproveitar o que ele nos dá" significa "vamos seguir os outros, comprar, comprar, comprar". Futilidades. Eu nunca fui ligada muito em compras, se eu puder andar de chinelos, rasteirinha ou tênis, jeans e camiseta, para onde quer que eu fosse, ótimo! Não que eu não goste de moda, pelo contrário, amo muito. Não que eu seja desleixada, até me preocupo bastante com a minha aparência, mas existem outras urgências! Estando eu confortável, beleza! A importância é não perder tempo e correr contra o tempo com meu caderninho e minha caneta. 
Também desapareceu-se a paixão artística. "Arte? Se eu ficar famoso pode ser, mas levar minha vida trabalhando e não tendo dinheiro? Jamais!" . E o mais lamentável de todos, evaporou-se a consciência, a gratidão, o amor pelo meio ambiente. Evaporou e não condensou-se. A chuva que eu esperava para incidir a verdade dos meus pensamentos sobre eles não veio. 
Com alguma luta alguns conseguiram enxergar o que era certo. Não o que fosse certo para mim, mas sim para todos. 
Infelizmente eu sempre me vi estranha, um menina à moda antiga, idealista, apaixonada, urgente no meio de uma multidão de pessoas que não passam de produtos fordistas. 
Sabe como eu me assistia no meio de tudo ? Eu assistia a vida assim : havia uma esteira rolante onde todas as pessoas vão sendo levadas, onde outras pessoas (que já haviam passado nessa esteira) vão introduzindo dentro delas as mesmas pecinhas. Todas iguais. E de repente lá estou eu na esteira, porém não conseguem introduzir-me as pecinhas, então eu sou desviada para um outra esteira que leva "o produto" para o incinerador. E na caixa um escrito assim "com defeito" . É engraçado né ? Por isso digo que somos todos produtos fordistas. Provenientes de uma linha de produção em massa, onde vez ou outra aparece algum produto defeituoso.
O meu espanto não era com o rótulo imposto em mim de "produto defeituoso", mas sim de não encontrar os outros produtos defeituosos como eu. Teriam sido todos incinerados ? Porquê eu fui a única a escapar ? Ou realmente eu era a  única peça com defeito da minha geração ?
Até que eu encontrei algumas pessoas como eu. E agora eu sinto-me mas forte para aceitar minhas engrenagens tortas. Ao contrário do que eu pensava, há muitos produtos defeituosos por aí, unindo-se para gerar algo novo, porém ainda são poucos diante da escala catastrófica de pessoas acomodadas que encontramos.

Por, Rayanne Nayara.