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SEMIAPAGADOS - CAP. 5


Miguel e eu tomamos banho de piscina à tarde. E eu fiz algo que não achava correto, mas se fez necessário: coletei informações do namoro de Melissa.
— Ele é legal papai, mas parece que a mamãe não gosta dele.
— E você já falou isso para ela? – perguntei ao meu filho com um sorriso.
— Ela diz que eu sou pequeno pra entender as coisas.
Afaguei os cabelos do meu filho, e o abracei apertado enquanto tomávamos Sol. Berta surgiu chamando Miguel para tomar banho, e descansar para sair comigo mais tarde. Antes de ir, Miguel beijou o meu rosto e perguntou:
— Quando você volta para casa, papai?
Olhei para o rostinho esperançoso do meu filho, e o os olhos de Melissa, refletidos nos dele me fizeram responder:
— Papai volta logo, filho.
Miguel saiu correndo em direção à Berta. Eu não sabia se o meu filho perguntava quando eu voltaria para minha família, ou para dentro da casa em que estávamos. Meu empresário e equipe surgiram atrás de Berta, enquanto ela entrava em casa com Miguel. Levantei, enrolei a toalha na minha cintura e bebi o restante do meu drinque indo até eles.
Todos falavam em como Miguel havia crescido, e estava cada vez mais parecido com a mãe. Me perguntaram se eu havia a visto, e como eu havia ficado com reencontro. Apenas respondi:
— Já tenho uma música nova para o próximo álbum.
— Mesmo longe, Melissa é a melhor musa inspiradora – disse Rick, meu empresário — E podemos escutar?
— Escrevi hoje, antes do almoço. E ainda estou finalizando os acordes finais, mas acho que ficou bom. Vamos pro estúdio.
Entrei e troquei de roupa, guiei minha equipe ao estúdio da minha casa. Enquanto todos se acomodavam nas poltronas e sofá, eu peguei meu violão e mostrei a próxima música:
"Sente meu perfume aqui, sei que esse cheiro te lembra de tanta coisa. E os amores que virão depois não conseguirão superar nós dois. Você roda, roda e para em mim. Sou o seu princípio, meio e fim como tatuagem que se faz, e você não pode apagar jamais. E passe o tempo que passar, o nosso amor renascerá como a flor de primavera. E aqui vai o meu recado pro seu novo namorado, que está vivendo uma mentira: quando ela ama você, é a mim que está amando, quando ela beija você, é a mim que está beijando, ela não pensa em você é em mim que está pensando, ela nunca me esqueceu, o amor dela sou eu."
— Melissa! Melissa! – disse Rick sacudindo a cabeça negativamente, sorrindo, quando terminei — Ela me causou problemas demais nesta turnê, mas vamos convir que já está garantindo a próxima!
— Você se diverte com a minha desgraça, não é mesmo Bonadio? – eu perguntei para o meu empresário sorridente.
— Jamais! Eu mais do que ninguém quero que vocês se acertem. Ela é a sua musa, afinal.
Afirmei com a cabeça e meu empresário e equipe me encaravam sorridentes.
— Você precisa reconquistá-la Luan. – disse Rick, agora sério e compassivo.
Apesar de brincar muito com a situação, Rick conhecia nossa história e torcia por nós. Ele gostava de Melissa. E era impossível não gostar.
— Então ela está com outro? – perguntou Ana, minha assessora.
— Um tal de Pedro.
— Eu vou mandar um buquê de flores para ela agora mesmo. – disse Ana se levantado apressada.
— Ana, Ana, espera! – eu levantei a chamando — Vamos agir com calma, ok?
— Isso aí! A música é boa Luan, mas hoje temos o último show para fechar. Teremos tempo pra trabalhar no novo CD e na missão "quero minha amada de volta". Vamos trabalhar pessoal! – disse Rick, enfático.
Depois de sair do estúdio, eu fui me arrumar para a passagem de som. Miguel, graças à Berta, já estava arrumado para sairmos com uma malinha de coisas que Berta preparou. Ana pegou Miguel no colo, e como ambos se davam muito bem, ela foi a babá da noite. Fomos para a Arena, as coisas estavam quase prontas, a passagem de som foi ótima, e o último show perfeito. Só não foi mais perfeito, porque minha musa não estava assistindo-o com meu filho. O show foi televisionado pelo canal Multishow e eu realmente esperava que Mel assistisse pela televisão. Eu mesmo mandei uma mensagem para Luke, avisando a hora e o canal.

Passado
— Isso Luke, no Vila Mix! Eu já estou voltando para casa para me arrumar.
— Queria estar aí com você Mel!
— E eu também queria que vocês pudessem vir. Como está o Marcos?
— O Marcos não está se sentindo muito bem hoje.
— O que ele tem?
— Não sei, chegou estranho do trabalho.
— Me mantenha informada.
— Claro, claro, eu vou mesmo te ligar do Rio de Janeiro, enquanto você está numa festa sertaneja em Belo Horizonte de camarote curtindo bastante para te falar se o Marcos está com 36, ou 37 e meio de febre! Acorda né, vadia!
— Estou falando sério, Lucas! Se precisar me ligue.
— Como se você pudesse fazer alguma coisa! Você está dirigindo e falando no celular?
— As duas mãos estão no volante, não pira!
— Olha só, eu vou desligar. Depois você me conta como foi, e se você tiver a oportunidade transa com o Lucas Lucco por mim.
— Ai, deixa de ser piranha! Até depois, se cuidem. Te amo.
— Também te amo, juízo!
Algumas horas depois de ter falado com Luke ao telefone, eu cheguei em casa e subi correndo para meu apartamento.
Quando morava no Rio, eu fui a uma boate com alguns amigos, inclusive Lucas, onde Dennis – um DJ – bastante conhecido na região tocaria. Acabei conhecendo-o e nos tornamos amigos pouco a pouco.
Eu não via, ou falava com Dennis desde que havia me mudado do Rio. Até aquela semana, quando ele me ligou se recusando a receber um "não" ao convite que me fez.
Ele tocaria nos intervalos dos shows do Vila Mix, que aconteceria no fim de semana em BH. E teria acesso ao camarote VIP dos artistas, e desejava me levar de acompanhante e aproveitar para que, matássemos a saudade de sair juntos para "azarar". Eu já havia desistido de pedir ao Dennis para não utilizar aquele tipo de gíria. Tão ridícula.
Coloquei o meu vestido azul-marinho e calcei o pep-toe roxo. Terminei de jogar os meus cabelos, ajeitar o batom e desci para encontrar Dennis.
— Gostoso! – eu abracei meu amigo quando o vi.
— Gostosa! – ele me rodopiou no abraço — Finalmente estamos nos reencontrando! Achei que você havia conhecido algum outro DJ das baladas mineiras, e me deixado de escanteio.
— Mas é óbvio que não! Não tem amigo melhor para curtir as baladas do que você, exceto o Luke!
— Com o Luke eu não tenho como competir. Como ele está?
— Bem, no RJ. Está me fazendo muita falta.
— Serei o seu Luke hoje, se quiser! Eu só não beijo rapazes.
— Pode ser apenas o Dennis. – eu disse sorrindo.
Entramos no carro dele e fomos direto ao festival. Chegamos lá, às 21 horas.
Entrei no camarote e Dennis foi preparar-se para tocar.
Ele seguraria do início até as dez e meia, onde a primeira atração entraria: Jorge e Matheus.
No camarote estavam alguns poucos cantores e duplas sertanejas que iriam se apresentar e já haviam chegado, amigos de amigos, convidados vip e pessoas que eu não conhecia, mas tiravam muitas fotos ao lado dos outros presentes.
A minha primeira hora sem a companhia de Dennis foi tranquila, eu nunca tive problemas para me socializar. Enquanto eu dançava na beira do camarote assistindo ao Dennis, uma garota se aproximou puxando assunto. Não lembro qual era o nome dela, mas lembro que ela me perguntou se eu era famosa. E eu respondi que não, que era apenas uma amiga do Dennis. Ela sorriu e ficamos conversando por um bom tempo e nos enturmando, até que Dennis voltou.
Eu e ele bebíamos alegres e dançarinos, arrancando risos dos mais próximos a nós.
Jorge e Matheus já tocavam, e o Vila Mix havia oficialmente começado. Vez ou outra algum cantor, ou dupla conhecido do Dennis se aproximava para falar com ele e, ele me apresentava:
— Esta gata que me acompanha hoje, é a Melissa. E nós não estamos juntos, tá?
Me deixava extremamente sem graça na frente das pessoas, porém conforme o álcool ia fazendo efeito, eu achava mais engraçado do que vergonhoso. Em determinado momento, eu conversava com um dos meus novos colegas, quando Dennis me chamou em um cantinho:
— Mel, tem um amigo meu que pediu para te apresentar a ele, vem cá.
— Tudo bem, que amigo? – perguntei aleatoriamente, meio altinha.
Então Dennis me levou até um cantinho mais vazio, onde estava o cara mais lindo que eu tinha visto até então.
Seu cabelo impecável, um blazer de manga ¾ preto sobre uma camisa branca de estampa minimalista. Uma barba tão impecável quanto o cabelo, bebia um drinque olhando fixamente para nós dois.
Eu não reconhecia o rapaz, mas meu coração já batia mais forte com o êxtase da imagem à minha frente. Após nos aproximarmos mais notei que, ninguém mais era, do que:
— Luan Santana? – eu perguntei ao vê-lo.
— Luan, esta é a Mel.
— Mel... Que doce.
Luan puxou minha mão, e eu sorri, em seguida ele me abraçou devagar e enquanto ele me abraçava encarei divertida, ao Dennis fazendo uma careta pelo xaveco bobo de Luan.
— É um prazer te conhecer, você me chamou bastante atenção. – Luan disse.
— Se você não estivesse escondidinho aqui, eu diria que também chamou a minha – falei sorridente para ele o olhando de cima a baixo — Você está muito bonito!
— Eu aprendi a me vestir depois de um tempo, o Dennis me conheceu nas épocas iniciais de Vila Mix, não é?
— Com certeza a melhor coisa que ele fez foi abolir o xadrez. – Dennis disse dançando ao nosso lado e xavecando uma loira um pouco mais afastada.
— E aí, como você conheceu o Dennis? – Luan me perguntou.
— Eu estava numa boate que ele tocava, e ao acabar de se apresentar ele esbarrou em mim e derrubou sua vodca no meu vestido.
Luan deu um meio sorriso sacana para Dennis, que foi logo tratando de se explicar:
— Foi um acidente de verdade, mas nos rendeu uma amizade maravilhosa. – e Luan deu outro sorriso sacana para nós.
— Não, não sorri assim. Dennis e eu nunca ficamos. – esclareci.
— Eu não sou cara de compromisso, a Mel é muito legal, nos demos muito bem e eu preferi manter a amizade com ela do que, correr o risco de magoá-la.
— Aham – resmunguei arrancando risos do Dennis que foi logo se reparando:
— Digamos, que a Melissa é uma mulher encantadora. Ela é decidida e eu enxerguei um potencial fracasso em me apaixonar por ela. Então ela foi bem clara quanto o "Dennis, eu não estou interessada em nada sério, não quero que você fique mal depois".
Dennis imitou a minha voz enquanto contava para o Luan, mas não tirava os olhos da loira.
— Dennis – o chamei — Vai logo falar com a loira!
— Bem, com licença Luan. A Melissa será uma companhia melhor que eu, te garanto. – ele se virou, mas voltou a nós em seguida: — E não zoa com ela, porque eu posso até ser seu amigo, mas eu sou mais amigo dela.
Luan levantou as mãos em justificativa, e logo depois Dennis saiu. Luan e eu ficamos nos encarando sorridentes. Eu não estava nem um pouco a fim de fazer a puritana com o Luan, mas também não queria que ele me achasse uma qualquer. Entre olhares e sorrisos sedutores, eu também queria conhecer aquele cara tão lindo, e galanteador com falsa inocência que se interessara por mim. Conversamos animados, dançamos e enquanto íamos até a mesa de bebidas reabastecer nossos copos, meu celular tocou.
— Oi Mário! – atendi falando alto por causa do barulho.
— Melissa? Eu preciso falar com você.
— Mário, olha desculpa, mas eu estou no meio de uma festa cara, eu não consigo te entender direito. Te ligo depois, se cuida! – disse e desliguei.
— Namorado? – perguntou Luan ao pé do meu ouvido.
— Ex. – eu sorri.
— Tem muito tempo?
— Vejamos... – fiz uma continha de dedos — Cinco anos.
Luan fez uma cara desanimada.
— Que terminamos. – então ele fez uma cara espantada.
— E ele ainda corre atrás de você?
— Não, é que nós meio que, nos tornamos amigos. Então ele mantém o contato, mas não nos vemos e nos falamos mesmo há muito tempo.
— Entendi. – disse o Luan sorrindo abertamente.

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