Pular para o conteúdo principal

SEMIAPAGADOS - CAP. 4


Lucas entrou logo após que Luan e Miguel saíram. Eu estava na cozinha com Pedro e Luke decidiu ir para o seu quarto.
Abracei Pedro pelas costas, ele virou e beijou os meus lábios serenamente. Sorri e peguei as cebolas para picar, ajudando-o.
— Então ele voltou da turnê? – Pedro perguntou.
— Sim, graças a Deus. Eu já estava me preocupando com Miguel. Agora as coisas vão ficar bem.
— Ele não vai vir aqui sempre, não é?
O tom de voz que Pedro usou me deixou bastante incomodada.
— Ele é o pai do meu filho, e virá sempre que necessário. – respondi um pouco mais rude do que esperava.
— Você podia ter me avisado. Espero que me avise quando ele vier de novo.
Parei o que eu fazia, e volvi a minha atenção ao Pedro que continuava seus afazeres com uma cara debochada.
— Para quê? Você é fã dele, e pretende avisar a todo mundo quando ele vier?
— Definitivamente não sou fã dele. Mas acho que devo saber quando o seu ex estiver te visitando.
— Certo Pedro – eu começava a me alterar sem saber o motivo — Luan é o pai do meu filho. Ele faz parte da minha vida, você goste ou não e ele estará por perto sempre.
— Até entendo vocês tem um filho, uma ligação, mas é da vida do Miguel que ele faz parte.
— Pedro, você não tem autoridade sobre mim ou meu filho. Luan, Miguel e eu estamos unidos para a vida toda. E você é quem deve se adequar a isto.
— Se você me quiser na sua vida, também tem que entender que eu não quero minha mulher com o ex andando por aí, o Miguel não pode servir de desculpa para isso.
Pedro já estava tão alterado quanto eu. Nós dois estávamos frente a frente, e eu já não reconhecia o olhar do homem à minha frente.
— Eu não sou sua mulher. Você acabou de chegar na minha vida. E eu não vou mais discutir nada disso com você, Luan está em um patamar que você não chegou.
— Olha só, eu entendo que vocês tem que conviver bem, mas amor... – Pedro se aproximou carinhoso como quem queria fazer as pazes — Eu vejo um futuro para nós três, eu não pretendo tomar o lugar de pai do Miguel, mas nós seremos uma família. E quando sair o seu divórcio com Luan, ele terá as visitas contadas e não teremos que nos preocupar com isso, então vamos parar de brigar.
Pedro tentou me beijar quando eu empurrei o afastando.
— Não estou reconhecendo você. Qual é a sua Pedro?
— Eu que não estou entendendo porque está tão nervosa por ouvir a verdade. Vocês separaram. Acabou. O golpe foi dado e agora ficaremos juntos.
— GOLPE? – eu gritei nervosa — Você está insinuando que eu dei um golpe no Luan?
— Bem, isso não importa agora amor, o motivo do término não faz diferença. Nós três seremos uma família. Ele voltou da turnê, o divórcio vai ser resolvido e seremos felizes. Esquece isso!
— Não se aproxima de mim, seu estúpido! Será que o golpista não é você?
— Do que está falando?
— Foi fácil se envolver com uma mulher fragilizada por um término recente, que tem um filho com um cantor famoso e que, ao sair o divórcio – que você pelo visto, espera mais do que eu – receberá uma alta pensão do ex-marido, não é mesmo?
— Melissa, não seja estúpida!
— Pedro, eu não quero olhar mais para você por hoje.
Lucas, que aparentemente estava ouvindo a conversa escondido entrou à cozinha. Ele parou próximo a nós, observando a discussão. Se bem conheço meu melhor amigo, ele estaria preparado para intervir se necessário.
— Melissa, qual o problema? Porque a hipótese do divórcio te deixou tão nervosa? Porque você está me atacando deste jeito?
— Pedro, eu não sei mais quais as suas reais intenções. Eu preciso pensar... Vai embora.
— Amor, acalme-se eu vou fazer o bife à parmegianna que você adora e nós vamos...
— EU DETESTO BIFE À PARMEGIANNA, PEDRO – gritei o interrompendo — E você nem ouviu quando te contei a história da primeira vez, segunda e terceira vez. Eu só como para não ser grosseira com você, mas quer saber de uma coisa... Eu fui muito estúpida! A gente não tem nada a ver!
— Eu fiquei este tempo todo cozinhando à toa para você?
— Não teria perdido o seu tempo se soubesse ouvir.
— Olha só, tá na cara que não vai dar certo por hoje... – Pedro colocou as mãos na cintura e olhando para mim continuou — Eu vou embora.
— E não precisa mais voltar.
— Do que você está falando? Você está terminando comigo?
— O que você quer que eu faça? Você foi estritamente agressivo com esta história de tirar o Luan da vida do meu filho.
— Não! De tirar o Luan da sua vida! Eu achei que você queria isso!
— Eu não te pedi isso!
— Não acredito que perdi meu tempo com você...
— E nem eu acredito que depois de três meses estudando, se você merecia ou não, entrar na minha vida e do meu filho, eu ainda assim me enganei.
— Sabe o que foi pior? – ele perguntou como se não houvesse escutado o que eu disse — Ter que conquistar o seu filho pra nada!
— Então você assume que não se importa nem um pouco com o Miguel!
Lucas me retirou da cozinha, pois sabia o quão nervosa eu estava, e antes de sair da cozinha eu gritei:
— Pedro some da minha casa, da minha vida, eu não quero você perto do meu filho nem de mim! Você vai agir como se nós nunca tivéssemos existido, entendeu?
Pedro deu as costas enquanto eu falava, e Lucas o acompanhou até a porta. Fui até o balcão da cozinha e pegando o bife que ele estava empanando, eu corri para a sala e antes que ele entrasse no elevador joguei o bife em cima dele:
— E LEVA ISSO TAMBÉM, SEU ESTÚPIDO!
— MELISSA! – Lucas gritou meu nome, me olhando incrédulo.
Bati a porta da casa e me joguei sentada ao sofá.
— Primeiramente eu não entendi nada do que aconteceu aqui! – Lucas disse parado de braços cruzados à minha frente.
Lucas me encarava com receio, e de repente começou a gargalhar.
— Você realmente jogou um bife no Pedro?
— Eu nunca mais vou comer bife à parmegianna, Luke! – coloquei as mãos sobre o rosto e de repente o juízo retornou a mim: — Céus, Luke! O que eu fiz?
— Sim, foi um desperdício de comida. Coisa mais feia Mel! – ele falou sentando-se ao meu lado.
— Não Luke, desperdício de tempo, como eu pude me envolver com esse, cara?
— Acho que é como você disse, você estava fragilizada.
— E você não me impediu por quê, seu traíra? – bati no ombro de Lucas.
— Gata, não vem com essa não! Você não me pediu que vigiasse a sua vida amorosa. – Lucas sorriu e depois de um silêncio disse: — É a segunda vez que digo isso hoje.
— O quê?
— Mel, esta explosão não teve nada a ver com o Luan?
— Claro que teve Lucas! Óbvio que teve! Você sabe que eu não sou hipócrita de esconder os sentimentos.
— Então, você ainda ama o Luan.
— Amo. E vê-lo hoje não me fez nada bem. Eu sei que tem um ano que estamos separados, mas depois que ele saiu de turnê eu não o vi mais, e os ânimos se acalmaram...
— Então vocês voltam e resolvem tudo isso. Certo?
— Claro que não Lucas! Óbvio que não!
— Por que não?
— Eu não volto pro Luan até ter certeza de que ele mudou. Eu nem sei se ele ainda me ama.
— Ele ama.
— Como você tem tanta certeza?
— Ele disse que ia ficar de olho no seu namoro. Não gostou nada de saber do Pedro. Perguntou se você amava o Pedro. E bem... Dá pra ver nos olhos dele.
— O que os olhos dele dizem não vão mudar o que aconteceu. Ou o Luan prova que a família é importante para ele, ou eu assino o divórcio.
Depois de dito aquilo, Lucas me falou que não iríamos almoçar em casa. Fomos nos arrumar e saímos para almoçar num restaurante que o Lucas adorava, e eu não conhecia. 

Comentários