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ELEH - CAP. 6

Acredite se puder

– História verdadeira? Tudo o que Jacob contou era falso?
– Nem tudo. 
– Nós temos mesmo uma proximidade com lobos, Luna. Mas está muito além do que você possa imaginar. 
– Nós somos os lobos Luna. – disse Emy concluindo a fala de Sue.
– Espera... Por isso que Seth disse que Embry era o lobo, quero dizer... Ele se transformou mesmo em um lobo?
          Apesar de soar muita loucura, e ainda mais louco o fato de eu estar acreditando naquilo tudo, eu não poderia me render à razão. Eu sentia que vivia tudo aquilo e segui as minhas emoções. 
– Há muito tempo nos primórdios de nosso povo, um líder quileute se transformou em lobo para defender sua tribo. Ele teve filhos e assim perpetuou-se o segredo. Não são todos que tem o dom de se transformar. Emily e eu, por exemplo, não nos transformamos. Sam é o líder temporário da nossa matilha. Ele foi o primeiro da nova geração quileute a se transformar. Contudo, Jacob é por herança o líder. Ele é neto de Efraim Black. O primeiro líder. Billy também foi líder e assim segue-se sucessivamente. 
– Mas... Jacob não estava preparado e era muito novo. Então Sam assumiu o posto por ser o primeiro e ter como preparar o restante da matilha que surgiria. – Emy concluiu.
– Mas porque Billy não continuou?
– Em uma luta Billy acabou ferido seriamente. 
– Entendi... A cadeira de rodas. Então Sam assumiu para ele...
– Exatamente. Os garotos só afloram seus dons a partir dos quinze anos. Os últimos foram Embry, depois Jacob, Quil e por último Seth. A mais recente na matilha é a Bruh. – Sue disse olhando a garota que nos dava as costas.
– Você está bem Luna? Está tão quieta ouvindo essas coisas todas... – Emily disse preocupada.
– Estou. Continue Sue, por favor.
– Os meninos foram treinados por Sam desde então. Aprenderam a controlar seus extintos, conhecer uns aos outros e... A defender a tribo de outros perigos. 
– Que outros perigos?
– Existem muitos mistérios dos quais, você vai conhecer Luna. Por enquanto, você deve apenas saber o essencial sobre nós. – Emy confortou-me meiga afim de que eu me acalmasse e aceitasse apenas o que escutava naquele momento.
– No início é muito difícil. A primeira transformação é dolorosa e eles devem ser isolados. A maioria não aceita o fardo. Foi assim principalmente com Jacob, que descobriu que o seu era muito maior. Eles conseguem transformar-se a qualquer hora, mas precisam controlar a raiva, pois dependendo da tensão em seu corpo o extinto fala mais alto. Hoje eles já estão mais íntimos com seus próprios dons. 
– Contudo Bruh... – Emily disse em tom mais baixo olhando-a. – É tudo muito novo para ela ainda.
– Sue... Então os lobos na minha casa...
– Eram os meninos te protegendo. 


          Aquilo foi como uma faca dentro do meu peito. Eu os desprezara na reserva por não me contarem nada do que acontecia com Embry e, no entanto, eles me defendiam o tempo todo... Jacob... Por isso ele dormia tão mal! Mas aquela noite na porta da minha casa... Se aquilo era um lobo porque eles brigaram? Era muita informação!
– Sue... Espera... – respirei fundo.
– Sei que é muita coisa e você não terá a resposta para tudo agora.
– Mas do que eles defendiam-me?
– Chegamos ao ponto crucial. – Emily disse tentando parecer humorada.
– Luna... Tudo isso tem ocorrido porque algo inesperado surgiu. Até pouco tempo os garotos podiam controlar suas transformações, mas... Recentemente, Embry se tornou algo mais perigoso e incontrolável. Quando aconteceu o trouxemos para cá, pois os Whitonn têm conhecimentos vastos sobre isso. Tivemos que isolar Embry, por isso não teve notícias dele. Nós sabemos muito pouco dessa nova transformação e temos tido contato direto com esta tribo para poder conhecer da mesma sabedoria que eles têm sobre o assunto. 


           Eu estava assustada e Lia surgiu com o chá. A filha mais velha perguntou a Sue se preferia que ela continuasse me contando para a mãe descansar, mas Sue permaneceu firme. Emily ponderou se não fosse melhor dar um tempo para a minha cabeça. Eu nada pronunciava. Bebia o chá na busca de que ele fosse um entorpecente para o meu desespero interno.
– Ela deve saber de tudo logo! – disse Bruh raivosa. 
          Emily a chamou para fora do quarto a fim de que ela se acalmasse e eu ficasse mais confotável com Sue e Lia. Após as duas terem saído continuamos.
– Como você está reagindo? – perguntou Lia.

– Eu não sei. Sinceramente. Tudo treme por dentro, mas... Sinto-me apenas anestesiada. 
– Devo continuar? – perguntou Sue.
– É óbvio! – elas entreolharam-se em dúvida quando exclamei.
– Luna, naquela noite em que os meninos saíram para acalmar os lobos e Jacob te levou para casa... Bem, os lobos na nossa reserva não eram da nossa tribo. Eram daqui e levavam notícias de novas feras, muito piores em poder de destruição. Na sua casa... Jacob disse-nos que viu um vulto.
– Sim! Ele insistiu que era um lobo, mas eu vi que não era! Andava como uma pessoa e agora sabendo disso, sei que ele lutou com aquilo! 
– Não era uma pessoa apenas, era uma mistura de lobo e homem.
– Espera... Um lobisomem? Mas, isso não existe Sue. – Lia riu da minha afirmação.
– Você é engraçada! Acredita que nos transformamos em animais, mas lobisomens não existem? – perguntou Lia divertida, e daí eu percebi que a minha insanidade era muito séria.
– Luna... Respire e apenas ouça tudo bem? Vai ser melhor assim. – Lia pediu.
– Naquela noite, um lobisomem de uma tribo antiga e agora extinta veio para as proximidades de Forks. O chefe dos Whitonn surgiu na nossa reserva contando-nos que há poucas semanas um homem apareceu lhes pedindo abrigo, pois toda sua gente havia sido dizimada. Ele era um lobisomem, como alguns da tribo onde estamos. 
– Há lobisomens aqui? – eu me assustei.
– Sim, o velho índio foi um e o chefe também. Eles não se transformam mais por causa do veneno que tomam, a vida deles teve de ser sacrificada para que isso que eles considerem "um mal", não continue. Eles não devem ter muito tempo e nem tiveram filhos. Se empenharam a descobrir mais coisas e com o passar dos anos, Billy e eu tivemos muitas informações dadas por eles. Eles sabiam sobre nós e vigiavam-nos por pensarem que seríamos da mesma espécie. Billy e eu nunca acreditamos nisso, pois já nos transformávamos há sete gerações. Esse homem que lhes pediu abrigo transformou-se e fugiu para caçar. Essa era a noite que você estava conosco. Os Whitonn acreditam que a única forma de acabar com isso, é matando a fera, e assim fizeram com aquele último índio lobisomem da antiga tribo desconhecida. Ainda naquela noite, Embry se transformou também. Foi um choque para todos nós, nunca esperaríamos que acontecesse com um de nós. Entretanto, os meninos correspondem à sétima geração e pelo o que sabemos agora, os homens lobos só se transformam na sua real figura, à sétima geração. – Sue chorava.
– Então todos estão condenados a...
– Sim Luna... O que nos espantou é que por ordem, Sam deveria ser o primeiro, mas fazendo as contas somente a partir de Embry que de fato houve as sétimas transformações. Sam e Lia, estão fora. 
– Mãe, antes de continuar... Ela deve saber mais de nossos dons.
– Tem mais? – eu dizia assustada.
– Tem. Nós podemos ouvir os pensamentos uns dos outros. Por isso temos essa ligação tão forte e somos como irmãos. A matilha defende um ao outro com a própria vida. Somos habilidosos, temos excelente visão, escutamos uns aos outros a distâncias longas e... – interrompi Lia.
– Isso explica um bocado. Como a leve mudança de cor, nos olhos de Seth agora a pouco e puxa...
– Pois é. O chefe Kwyto disse que um lobisomem pode ou não guardar suas memórias enquanto está transformado. Embry é um dos que podem. E segundo o chefe isso nunca aconteceu com nenhuma fera que ele tenha conhecido, nem mesmo com ele. E aí está mais uma dificuldade que enfrentamos. Pois, até onde um lobisomem é controlado se sua memória estiver preservada? Um lobisomem é capaz de matar em alto grau. Embry guardou você na memória dele e por isso temos protegido-a dele. Na primeira noite, na porta de sua casa, era o Embry que Jacob tentou impedir de avançar e não o outro lobisomem desconhecido. Ele sente seu cheiro a distâncias e vai atrás de você, como fez hoje. Ele não quer matá-la, mas a proximidade de um lobisomem com alguém ainda que ele nutra boas memórias é perigosíssimo. 
– Começo a entender melhor...
– A estadia dele por essa tribo foi de muita ajuda. 
– Ah claro, isso porque impedimos que ele morresse! – resmungou Lia. 

          Olhei ainda mais assustada, se é que era possível, para Sue.
– Lia veio com Sam trazê-lo para cá. Não deixaram que nenhum de nós ficasse aqui, mas Lia se escondeu e como Sam não concordava em deixá-lo sozinho, ele deixou-a aqui. No meio da noite ela percebeu que iriam matar Embry e os impediu. Eles acham que somos demônios e não há outra forma de cura a não ser matando o lobisomem. Mas, nós acreditamos que podemos controlar isso! E Embry tem se empenhado muito nisso!

– O que eles estavam fazendo lá fora Sue, quando eu cheguei e o porquê destas pinturas? 
– Eles estão fazendo o ritual da grande Lua. Acreditam que essa fumaça e com as rezas que fazem, o Deus da Lua irá enganar o lobo-homem escondendo a lua. 
– A lua os transforma?
– Sim. Por isso é tão complicado controlar.
– E no que consiste a pintura que fizeram em Seth e em mim?
– A pintura de Seth é uma defesa espiritual para o provável lobisomem que há nele. Pintaram um Sol. O contrário da lua. E a sua pintura é uma defesa para o lobo que há dentro de Embry. Ainda que ele se lembre de você, ao se aproximar é como se você fosse um espírito ruim para ele. Ele se afastaria.
– E eu acho isso tudo uma bobagem. – Lia sussurrou para mim. – Se isso funcionasse, o chefe e o velho Whitonn não teriam que sacrificar suas vidas com o tal veneno.
– Que veneno é esse Sue?
– Eu ainda não sei. Eles não contam. Só sei que é uma mistura de várias ervas que eles injetam diretamente na veia. 
– Há quanto tempo fazem isso?
– Desde que o chefe se transformou aos seus quinze anos. O velho índio foi o primeiro, mas tanto ele quanto a tribo, nada sabiam a respeito. O velho se isolava toda a vez que chegava a temporada da grande Lua. Ele serviu de estudo para a tribo, tem cortes por todo o corpo e só não o mataram, por medo de acontecer com outro deles. Eles achavam que era um castigo dos Deuses e tiveram medo de matá-lo. Como eu te disse essa transformação só acontece de novo na sétima geração. Foi quando aconteceu com o chefe, filho do cacique da sétima geração. Nessa época, depois do velho ter sido objeto de estudos, eles já haviam descoberto esse veneno que isola as células mutativas deles aumentando o número de anticorpos que as combatem e destroem. É uma morte lenta. O chefe apenas se transformou uma vez, e não foi em lobisomem, foi em lobo, mas ainda assim o veneno não o impediu de aos vinte três anos virar a fera. Daí eles perceberam que aplicar o veneno uma só vez, ainda na juventude do lobo, não bastava e passaram a drogar-se sempre.
– Mas se o velho índio foi o primeiro e único, porque o filho do cacique herdou a genética? Eles têm alguma ligação?
– Qualquer um deles pode se transformar, mesmo que os pais não se transformem. Assim como nós. Paul, por exemplo, não é filho de lobos, mas transforma-se em um. Está no sangue Luna, não no gene.
– O que aquela índia te disse Sue? Digo, antes de vir me pintar.
– Ela... Acha que há algo dentro de você que guarda o espírito de um lobo... Mas não acredite nisso, querida.
– Seth disse que você pensa o mesmo.
– Não... Eu disse que você é parecida com nós, uma guerreira como nós.
– A minha pintura também consiste em me defender do meu suposto espírito lobo? 
– Sim... Mas não se ligue a isso Luna. Se você tivesse um espírito lobo nós já saberíamos.
– É! Que loucura! Eu não sei o que dizer...
– Fico abismada de você acreditar em nós. – disse Lia.
– Vocês se esquecem de que eu sou indígena também... Eu já ouvi sobre muitos mistérios dos meus antepassados Coxiponés.  

          Sue olhou-me curiosa. Até demais.
– Numa outra ocasião... Eu adoraria saber também. –  ela disse.
– Claro! Onde está o Quil? 
– Ele acabou de chegar! – disse Bruh entrando novamente ao quarto e com o semblante mais satisfeito. 
– Ele precisava distrair Embry até amanhecer. – Emily falou assim que Bruh saiu porta a fora. 


          Olhei pela janela e o dia amanhecia. Ficamos a noite toda ali e eu nem percebera. Tive de continuar dentro do quarto até que alguém dissesse que eu poderia sair. Jacob entrou.
– Luna? – olhei para trás ainda sentada na cama e sorri. Ele veio até mim e agachando na minha frente sorriu. Estava cansado.

– Black! – abracei-o forte. 
         Eu nunca tinha abraçado Black daquele jeito, mas era tão forte a minha felicidade em vê-lo bem e tão grande meu medo que, o alto desespero interior que eu estava escondendo se transpareceu.
– Acabou... Acabou Luna... Foi a última noite confusa de Embry. – ele afagava meus cabelos enquanto minhas lágrimas jorravam em seus grandes ombros.
– Como ele está? Onde você esteve?
– Ele está bem, cansado e um pouco machucado... Eu tive de caprichar em algumas mordidas... – Jacob riu sem graça. 
– Vocês tiveram que brigar?
– Somente lá em Seattle quando Quil e Seth foram te pegar, eu tive que dar cobertura e Embry estava bem disposto...
– Como foi? 
– Esquece isso... Como você está?
– Acho que bem...
– Ainda acha que somos uma boa companhia depois dessa noite?
– Agora mesmo é que eu não largo mais vocês... Eu sou uma de vocês agora... Não sou?
– É sim... Esse é o preço por se envolver demais conosco... Nunca dá para esconder por muito tempo quando se aproximam demais. – nós rimos nos olhando profundamente. 

– Gostei da maquiagem! – ele disse zombando da minha pintura e eu bati em seu ombro. – Ei! É sério! É linda... A pintura...


          Jacob se levantou estendendo a mão para me levantar também. Assim que estávamos de frente um com o outro ele me abraçou novamente, eu repeti o gesto com a mesma força, mas ele gemeu de dor. As costelas dele estavam machucadas. Olhei-o e ele fez que "não" com a cabeça. Insisti e mal-humorado Black ergueu sua camisa possibilitando-me ver o ferimento. Uma imensa marca de mordida. Dentes cravados em sua pele linda na altura de suas costelas. Não sangrava mais.
– Você... Você tem que tratar esse ferimento Black! – o adverti alteradamente nervosa.
– Eu sei, eu sei! Está tudo bem, não foi nada grave... Eu só queria te ver primeiro. Lobinha. – ele olhou-me ternamente passando uma das mechas do meu cabelo para trás da minha orelha. – Vamos?


          Seguimos até fora da cabana e a tribo estava tranquila. Me ver primeiro? Jacob pensava em mim antes até de seu machucado? Apesar da dor que aquela mordida monstruosa poderia estar proporcionando a ele? Então, mais uma vez ele demonstrou que eu era importante. O apelido "loba" que eu duvidava se era uma indireta foi desvendado. Eu era importante. Não sei em qual grau, nem em que intensidade, mas isso já não interessava.
          Chegando ao pátio, a grande fogueira já estava apagada, os índios que participavam do ritual dirigiam-se às suas cabanas. As mulheres começavam a sair dos seus esconderijos e retomar suas rotinas. As crianças acordavam saindo para brincar. Billy e Sue conversavam com os precursores da sabedoria daquele povo a cerca dos lobos-homens. Seth veio até mim abraçando-me e elogiando minha pintura assim como Black fez.
– Quer vê-lo? – Seth me perguntou.

– Eu posso? 
– Vamos, ele está arrasado por você... 

          Entramos em uma cabana maior onde estava o Quil cuidando de alguns ferimentos, abraçado à sua irmã, Paul tomava uma sopa conversando com Emily e Sam e finalmente Lia fazendo os curativos em Embry, que se mantinha cabisbaixo ainda deitado em uma maca improvisada. Jacob estava ao meu lado. Beijou minha testa e tirando a camisa sentou-se em outra maca onde Bruh rapidamente foi até ele tentar cuidar de seus ferimentos. Eles discutiam. Seth abraçou-me ainda mais forte e fomos até Embry.
– Você é incrível. – Seth sussurrou para mim sorrindo, antes de chegarmos até ele.

– Não... Vocês é que são. – eu disse e Lia se virou para mim.
– Luna. – ela falou sorrindo e Embry desviou sua atenção para nós. Ele tinha os olhos marejados a me olhar. – Vê Embry? Ela está bem! – Lia disse tentando confortá-lo.
– Não por minha causa. 
          Olhei para os irmãos Clearwater e eles nos deram licença para conversar.
– Eu fiquei muito preocupada com você... Como você está?
– Você é muito gentil... Mas deveria se preocupar em estar perto de mim.
– Eu nunca irei me afastar de nenhum de vocês... Eu sou uma de vocês! Assim como Emily... 
– Se não fosse por Jacob, Quil e Seth... Você não estaria aqui.
– Não! Não! Pelo o que eu sei ninguém sabe o que você teria feito comigo... Você me guarda em suas boas memórias e isso não significa que você me faria mal.
– Quando se é um monstro de mais de dois metros o mal sempre acontece, mesmo que não seja intencional.
– Embry... Para de falar assim tá? Eu te amo. E nada vai me afastar de você. A não ser que você não queira mais ser meu amigo.
– Não é questão de querer... Eu não posso mais ser.
– Essa noite depois de descobrir tudo, eu juntei algumas peças soltas e... Emily... A cicatriz dela, não foi um urso não é? Foi o Sam.
– Sim.
– Eles se casaram e estão juntos apesar disso.
– Mas você não sabe dos sentimentos dele.
– Sem dúvidas ele tem medo! Fica vigiando para que não a faça nenhum mal, mas o amor dos dois é muito maior...
– Ela é o imprinting dele, Luna. É muito diferente.
– Imprinting? 
– Não te contaram?
– São muitas coisas a se saber.
– Imprinting é algo como... O grande amor da vida de um lobo. Nenhum outro lobo pode fazer mal a pessoa de um imprinting, porque é como atingir o próprio lobo. Sam vive por Emily, não mais por ele. 
– Todos os lobos têm isso?
– Em algum momento de nossas vidas acontece, nunca é igual e não tem um tempo definido. Acontece de repente. Lembra que eu te disse que o amor acontece de imediato pelo menos para nós quileutes? E você não é meu imprinting Luna, o que significa que eu não sei até onde eu posso me segurar... Nem mesmo Sam conseguiu em determinada vez... – ele disse e nós olhamos para Sam e Emily. 

          Sam nos olhava como se soubesse do que falávamos. Talvez soubesse.
– Você também me disse recentemente: "Quero que se recorde do Embry que você conheceu... Quero ver você feliz.". Recorda-se?
– Sim, e quero mesmo que você seja feliz. Eu não sou mais o Embry Call que você conheceu na praia...
– Para mim, sempre será.
– Eu tenho medo do que eu possa te fazer Luna...
– Eu também. Não vou mentir! Mas eu acredito muito no seu coração, nos seus sentimentos e sei que você é muito mais forte do que tudo isso. Você sempre soube controlar seus extintos não é? Então ainda que essa tribo Whintonn diga o contrário, não é porque você se tornou um lobo maior e mais poderoso – nós rimos com os meus elogios – que signifique que você não se conheça.


          Embry abraçou-me e percebi que ele precisava ouvir aquilo de mim, não era a transformação dele que o assustava ou que o revoltava, mas sim as pessoas quem ele teria que se afastar e as limitações novas que teria de impor. Mas agora ele sabia, assim como eu e todos os quileutes pensávamos, que poderia ser apenas uma questão de tempo para ele ter novamente o controle em suas mãos.
– Embry... Você também me disse que não entendia nada antes, mas que agora entende tudo, que eu não vim para a vida de vocês à toa. Que eu sou a chave de tudo... O que você quis dizer?
– Esses tempos na reserva Whitonn me ajudaram bastante. Ajudaram a ver que você tem um papel fundamental entre nós. Luna, eu não teria me transformado se não fosse você.
– Claro que teria... Sue me explicou.
– Sim, o que eu quero dizer é que eu não teria me transformado por agora. É algo ligado às sensações, à energia que você trouxe...
– Então eu sou culpada?
– Não! Nada a ver! Você entendeu mal... É complicado. Como muitas coisas que estão para vir. Você descobrirá aos poucos. É algo da sua alma. E não se esqueça! Eu também disse que eu quero, preciso e vou te proteger. Sempre. – nos abraçamos sobre os olhares de Jacob, ele parecia feliz por nós.
– Agora entendo a primeira piada que você fez quando eu te conheci...
– Não me lembro...
– "Sou um excelente cão de guarda!".


          Dito aquilo caímos na gargalhada. Sam, Paul, Lia e Black também. Obviamente eles escutavam toda a nossa conversa. Bruh era a única que não esboçava nenhuma reação, a não ser olhar para Jacob nos encarando, e tentar atrair a atenção dele de volta para ela.
          Voltamos para a reserva naquele dia, com exceção de Embry que precisou ficar. Lia ficou com ele, ela ainda não confiava em deixá-lo lá, sozinho. Depois de semanas, Embry estava mais confiante com ele mesmo e as esperanças de todos nós sobre o autocontrole dele ficavam cada vez maiores. Os meninos treinavam com ele e o treinamento também era útil para toda a matilha. Afinal, todos estavam predestinados àquilo.

          Depois da minha descoberta algumas coisas começaram a ser esclarecidas. Como o dia em que Jacob me levava para casa, o exato dia do lobisomem solto na mata; Charlie parou a viatura no caminho para falar com Black. Não sabia o que eles conversaram, mas perguntei um pouco depois para Black. Assim como, Charlie, sempre soubera dos lobos, afinal ele é noivo de Sue. Será que sabia mesmo? Seria por isso que ele não tomava atitudes deixando Erick cada vez mais intrigado com os quileutes? E se Erick descobrisse?
          

          Decidida a falar sobre esses assuntos parti até a reserva. Era mais ou menos meio-dia e eu nem mesmo havia almoçado. Saí direto da farmácia para minha casa. Tomei um banho e como o dia estava mais abafado vesti uma camiseta e um casaco fino por cima.
          O sol não queimava por Forks. O Sol fugia de Forks. Ele teria medo? Se o ritual Whitonn estivesse certo, o Sol contrário à Lua defenderia o homem do lobo e... Vendo a falta de Sol em Forks cheguei à conclusão do porque havia lobisomens por lá. Muitos.
          Eu pensava essas sandices no meu Mustang a caminho de La Push. Engraçado... Sandice... O que é sandice para mim? Eu já descobri o improvável e sinto que descobrirei coisas tão maiores que nem conseguirei mais me assustar.
          Quando adentrei à reserva ela estava vazia. Fui até o galpão de Jacob e lá o encontrei. Sem camisa, bermuda rasgada, e descalço. Sujo de graxa. Mexia em uma moto. Bati levemente na imensa porta surtindo um inútil som oco que ele obviamente não ouviria. 


– Black? – eu chamei já entrando e ele virou para mim abrindo um sorriso e limpando as mãos.
          Black aprendera novamente a sorrir já fazia algum tempo. Mas ainda não era o sorriso descrito por Bella. Não era o sorriso que eu esperava e imaginava ser digno dele. Mas era um sorriso que só quando ele me avistava, ele esboçava. 


– Luna! – ele parou o que estava fazendo vindo até mim e eu fui abraçá-lo. – Não! Eu estou todo sujo! 
– Não me prive disso, por favor. – eu disse encarando-o decisiva e o abracei em cumprimento. 


          Quando nos soltamos do breve abraço, ele fez um dos seus gestos que era o meu favorito. Olhou para baixo rindo e bufando pelo nariz, depois olhou para o lado direito como se pensasse em algo que, pensava se falaria ou não, e seguidamente olhou-me fixamente gesticulando com os lábios um tímido formar de palavras ou sussurros. Ele faz isso constantemente e é uma das imagens que passa em minha mente, principalmente quando eu estou só. Passa sempre e automaticamente, algo incontrolável por mim. É como um vídeo caseiro que meu cérebro recua, adianta, para, reinicia e quando eu fecho os olhos... Eu consigo ver cada milímetro de Jacob nessa cena. Então, as palavras gesticuladas em mímica ganharam voz:
– Por que Luna?
– Por quê? Por que o que?
– Por que não quer que eu te prive de me abraçar?
E o que falar se eu não conhecia respostas?
– Por que... Não sei Black, mas... Faz bem para mim. Eu gosto. Acho que depois de tanto tempo sem um olhar sincero teu... Agora que somos amigos qualquer toque é um troféu.
          E os olhos dele arregalaram discretos. Fingiu bem. 
– Entendo... Veio nos visitar?
– Também.
– Também?
– Tenho alguns assuntos pendentes dentro de mim e que precisam ser desabafados... Mas antes... Essa moto é aquela que eu vi na reserva Whitonn?
– É! Ela mesma! Não está linda?
– Você faz um trabalho realmente magnífico! Ela parece tão mais nova...
– Não era para tê-la levado, mas na emergência... Eu dei uma polida nela e ajeitei a pintura também... Falta apenas trocar os pneus, que farei brevemente, eu espero.
– Conseguiu convencer Sue a deixá-lo dar ela ao Seth?
– Ãn... Ainda não. E acho que vai demorar um pouco mais para que ela mude de ideia.
– Do jeito que o vi dirigir ela está certíssima. – eu disse e nós rimos.
– Verdade. Mas eu nunca vi Seth cometer nenhum erro em cima de uma moto ou em um volante. Ele é muito bom em pilotar.
– Interessante... E porque está reformando-a? Algum motivo especial? – eu disse analisando a moto e andando em volta dela com as minhas mãos no bolso.
– Não... – Black começou a rir alto.
– O que foi? Eu disse algo errado?
– Não, mas vendo você assim nessa pose... Até parece uma motoqueira rebelde com esses jeans rasgados e tênis. 
– E quem disse que eu não posso ser uma motoqueira rebelde?
– Nossa... – ele disse aproximando e se encostando ao banco da moto de frente para mim encarando profundamente os meus olhos – Agora eu fiquei curioso!
          Nós passamos um tempo nos olhando predadoramente. Finalmente eu sacudi a cabeça desfazendo a linha do olhar e rindo.
– E então Black, você pode parar um pouco para conversar?
– Claro! Vamos para a minha casa. – ele cobriu a moto e fomos em direção ao portão do galpão.
          Conversávamos na breve mata que levava o caminho de volta ao pátio das cabanas.
– Onde estão todos?
– Eu não sei... Estavam todos aí mais cedo.
– Não vi ninguém quando cheguei. 
          Eu terminei de falar e havíamos chegado. Black olhou em volta vendo todas as cabanas fechadas.
– Ah! Lembrei! Foram todos à festa de aniversário do primo de Quil. 
– Ah... E porque você não foi?
– Não temos contato. – Jacob abria a porta de sua cabana me convidando a entrar.
– Billy também foi?
– Não, ele foi pescar. Meu pai não é muito social. – ele disse rindo.
– Percebi. Igual a você. – Jacob me direcionou um olhar óbvio. 
– Vem, pode entrar. – ele seguiu até seu quarto, mas eu fiquei parada na porta. – Não vai entrar?
– Não. Tudo bem. 
– Você dormiu aqui. Ou já se esqueceu?
– Nem um pouco. 
          Ele sorriu e eu entrei sentando-me em sua cama. Jacob tirou a camisa e eu desviei o olhar. Quando ele virou de costas para pegar outra roupa eu me atrevi a admirar seus músculos. Rapidamente parei, pois eu sabia que logo a minha hipnose surtiria.
– Porque vocês não se dão bem? Você e o primo do Quil? – eu me distraí da imagem dele com perguntas.
– Besteira dele.
– Que tipo de besteira? – e então Jacob tirou as calças ficando apenas de boxer e eu corei.
– Você se incomoda? – ele perguntou ao ver minha vergonha.
– Não tudo bem... Finja que eu não estou aqui... – eu disse e ele arqueou uma sobrancelha – Só não exagere! – nós rimos – Que tipos de besteiras Black?
– Black... – ele sorria – Gosto disso. – nos olhamos e eu cada vez mais sem graça pela semi nudez dele – Luna, você já deve ter percebido que Bruh é um problema constante que eu tenho não é? O primo dela me odeia por isso.
– Ah... Mas a Bruh ainda é muito nova e ela te admira, eu já te disse isso.
– Não. Ela imagina coisas. E eu também já te disse isso.
– Que tipo de coisas? 
          Eu levantei andando pelo quarto dele até a janela apoiando-me nela. Ele estava de costas e então veio até mim com um olhar estranho. Aproximou-se cada vez mais parando a centímetros. Contive apenas em encarar os olhos dele.
– O que você sente quando ficamos perto assim? – ele perguntou seriamente encarando meu olhar atônito.
– Black... Ah... Eu não sei. – eu sabia: eram os turbilhões no estômago, mas eu não arriscaria dizer nada.
– Quando Bruh faz isso comigo... Eu sinto raiva. Não sei por que, mas eu não gosto da ideia de tê-la tão perto. – ele dizia a tudo imóvel e encarando-me invasivamente nos olhos. Eu sentia como se Jacob pudesse enxergar a minha alma – Não é como quando ficamos assim, você e eu... Eu sinto-me bem desse jeito e você?
– Acho que... Também me sinto bem... É estranho...
          Então ele sorriu e tocou meu rosto. Encostou nossas testas.
– E quando Bruh faz isso eu tenho vontade de afastá-la...
– E agora? – ele não respondeu a minha pergunta, apenas cheirou meu pescoço devagar.
– Quando eu faço isso você não se sente... Invadida? 
– Black... – eu apenas sussurrava o nome dele, não consegui pensar em frases coesas e completas.
          Ele então uniu nossos corpos em um laço com seus braços em minha cintura e subindo a cabeça falou em meu ouvido: 
– Isso tudo não te faz pensar que eu vou beijá-la ou algo mais? – disse tudo pausadamente e eu nada respondi. Meu coração batia frenético.
– Esses tipos de coisas, Luna... São coisas que a Bruh costuma tentar fazer. – ele afastou-nos e mantínhamos o olhar, eu uni minhas forças para suportar a fraqueza de minhas pernas – E ela faz isso imaginando muitas coisas que eu não quero que aconteça... Mas tenho medo Luna.
– Medo? 
– Quando se fecha o coração e a alma para o amor... Nos enfraquecemos por muito pouco e principalmente diante a carne. – dando as costas e sorrindo ele se afastou em direção à porta – Vou tomar um banho. Fique a vontade eu não demoro.


          Ele saiu e eu desabei recostando-me à janela. Já estava abafado e depois do que ocorrera eu estava ainda mais quente. Tirei meu casaco fino deixando meu ombro à mostra, pois a camiseta tinha alças finas. Eu entendi o que ele quis dizer. Há muito ele não se permitia amar e Bruh o provocava como ele fez comigo. Jacob tinha medo de cair em tentação, por isso sentia raiva dela. Tinha raiva por se deixar abalar por uma garota tão nova e desimportante.
          Assim que recuperei o fôlego fui à varanda. Novos banquinhos haviam sido feitos. Fiquei algum tempo ali, de olhos fechados pensando no momento passado no quarto e ouvindo o chacoalhar das folhas na copa das árvores. E Black retornou.
– Pensando em que, Luna?
– Em nada... Apenas escutando o farfalhar das folhas... Sente isso? Eu sinto como se o vento pudesse me tocar e como se as folhas me falassem coisas que eu não consigo entender. – eu dizia tudo ainda de olhos fechados. Jacob tirou uma mecha do meu cabelo mal preso do meu rosto e colocou-a atrás da orelha. Abri os olhos sorrindo e deparando-me com um olhar admirado.
– Olha... Desculpe-me por aquilo Luna... – ele dizia se referindo às provocações no quarto.
– Tudo bem... Acho que eu consegui entender perfeitamente. – ele sorriu e estendeu-me uma caneca de café que havia depositado ao lado assim que chegou – Como você consegue tão rapidamente esculpir novas coisas?
– É uma terapia que faço quando estou nervoso ou quando muitas coisas estão me perturbando.
– Foi uma semana difícil de treinamentos com Embry e a alcatéia?
– Sim, mas não foi isso que me incomodou. Tem muitas coisas me incomodando há algum tempo desde a transformação do Embry.
– Se quiser conversar sobre.
– Obrigado. E quando eu conseguir mais lenhas eu vou chamá-la para esculpir comigo, que tal?
– Acho ótimo. – sorrimos bebericando o café.
– Fale Luna. Você disse que precisava desabafar, então vamos lá.
– Charlie sempre soube de tudo?
– Somente a partir de algum tempo depois que ele e Sue uniram-se.
– E aquele dia na estrada... Quando você dormiu lá em casa... O que ele disse a você na estrada?
– Ele havia parado para me cumprimentar, mas eu aproveitei para alertá-lo sobre o lobo. O que mais?
– Nossa... São tantas coisas... Bem, e lembra quando Embry e eu fomos à praia de La Push pela primeira vez? 
– Hunf. Desculpe, mas não há como eu esquecer aquele dia.
– Por quê?
– Esquece... Prossiga.
– Tá, mas depois eu vou querer saber mais sobre isso... 
– Bem depois. – ele riu e eu me fiz curiosa.
– Porque você não achou boa ideia nós irmos até lá?
– Quem lhe disse isso?
– Ouvi vocês sussurrando.
– Que bela audição. Foi por causa do perigo. Lembra que esse foi o mesmo dia do ataque do lobo?
– E nesse mesmo dia, eu vi um vulto na janela e Sue disse que era o lobisomem, porém pelo que percebi um lobisomem é bem maior do que isso. E eu escutei apenas um urro. O seu urro quando desceu...
– Você insiste nessa ideia... O que mais seria?
– Tenho lido noticias antigas de Forks e não são os lobos os primeiros a serem acusados de assassinatos, principalmente no bairro onde moro. – Jacob ficou estático e sério.
– Foi um lobisomem. 
– E porque a sua feição enojada ao perceber o vulto? Você não age daquele jeito diante de um lobo.
– Luna, aonde você quer chegar?
– Eu não sei. O que falta a você me dizer?
– Nada.
– Está certo... Por enquanto acho que é só. – eu sorri para amenizar o clima denso que ficou entre nós – Posso ir lá pegar mais café? 
– Claro. 
Eu saí em seguida e fiquei me esgueirando cuidadosamente a olhar Jacob. Ele pôs as mãos na cabeça como se estivesse aliviado de sair de alguma furada. Entrei na cozinha e servi os cafés. Quando retornei à sala ouvi a voz de Bruh Ateara e fiquei escondida escutando.
– Jake! – a menina gritava.
– Já disse para não me chamar assim. Está fazendo o quê aqui?
– Eu soube na festa que você estava sozinho e dei um jeitinho de vir fazê-lo companhia. 
– Não precisa. – a menina se aproximou sedutoramente dele e eu relembrando o que ocorreu no quarto sai do esconderijo e apareci na varanda, ao lado de Jacob.
– O que ela faz aqui?
– Boa tarde Bruh.
– Jacob? – perguntava a ele contrariada e ignorando-me como sempre.
– Eu te disse que não precisava. Eu não estou sozinho.
          Ela saiu disparada e raivosa. Jacob rapidamente se levantou, se pondo à minha frente, pois como a menina ainda era nova com o controle da transformação ele temia que ela pudesse me machucar.
– Obrigada.
– Tudo bem, você precisa ficar mais tempo por aqui... Ela nunca se afastou tão rápido.
– Você não é um pouco rude com ela, Black?
– Não. Sou muito compreensivo até.


          Nós ficamos conversando várias coisas diferentes e Jacob me chamou para andar na praia. Fomos. Quando estávamos lá eu fui andando à frente dele para o mar. Ele não entraria. Apenas molhei os pés e contemplei as ondas um pouco. Quando voltei, Jacob me virou de costas para ele e tocou na parte de trás do meu ombro esquerdo. Eu sorri sem graça ao olhá-lo. Ele descobriu a minha tatuagem. Ninguém nunca havia visto, pois eu nunca a tinha deixado a mostra desde então.
– Que oportuno... Um índio tatuado no ombro?

– É... Um Cheyenne. Dos meus antepassados. – eu ainda estava sem graça.
– Porque de repente você surge tão perfeita em nosso caminho?
– Eu não sou perfeita Black...
– Tente me provar o contrário qualquer hora.
– Você é que não tem percebido, mas se analisar bem...
– Eu te analiso muito bem. – ele disse e instaurando um silêncio enorme em minha alma – Me conte um pouco mais da sua história?
– Sim, claro! Mas... Está escurecendo e acho melhor eu ir. Pode ser outro dia?
– Claro. Já aviso que não vou desistir disso.
– Estamos quites, porque eu também não vou desistir de descobrir muitos mistérios que você tem.
          Jacob sorriu depois de fazer o meu gesto favorito: aquele de olhar para baixo, lados e gesticular palavras tímidas dessa vez, não pronunciadas. Começava a esfriar.
– Eu deixei meu casaco no seu quarto...
– Vamos lá. – ele me guiou para dentro do cômodo quando já estávamos na reserva.
          Mantivemo-nos silenciosos. Cúmplices em sorrisos tímidos e olhares predadores. Eu abaixei para pegar o casaco na cama dele e ele repetindo o meu gesto fez nossas mãos se tocarem. Levantamo-nos ao mesmo tempo. Ele às minhas costas. Fechei os olhos e senti as mãos de Jacob passando por meus braços vestindo meu casaco em mim. Viramo-nos.
– Obrigada.
– Não há de quê.
– Eu... Acho que já vou então...
– Antes...
          Ele aproximou devagar. Abraçou-me e afundou seu rosto na curvatura do meu pescoço. Cheirava meus cabelos e me apertava forte. 
– Você disse para eu não privá-la de me abraçar...
– Nunca – eu disse também o abraçando. 

          Ele puxou mechas do meu cabelo e cheirou após cheirar meu pescoço.
– Você tem um cheiro... Tão... 
– Os cheiros guardam as memórias. Eu lembro. – então ele riu jogando seu peso cada vez mais em mim.
– As melhores lembranças guardam os cheiros... É o contrário.
– Dá no mesmo. – nós rimos.
          Infelizmente nos soltamos e Jacob acompanhou-me até o Mustang. 
– E aí, vai dormir na porta da minha casa hoje? – eu ri sacana.
– Não, mas quem sabe se você me convidar...
– Convite feito. E não precisa ser na porta.


          Ríamos como adolescentes bobos. Voltei para casa radiante e me sentindo diferente de tudo o que eu já havia sentido desde que chegara a Forks. Naquela tarde, Jacob e eu demos um salto de quinze andares na nossa relação sempre tão... Enigmática.

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