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ELEH - CAP. 3

 Os segredos começam 
Amanheceu. Escovei os dentes, senti o cheiro do café e desci. Jacob estava na cozinha mexendo na geladeira. Parei na bancada da cozinha sorrindo.
– Bom dia Black. – ele sorriu.

– Bom dia. Belo penteado. – ele ainda ria. 
– Desculpe te decepcionar, não sou como as donzelas de filme que acordam belas, maquiadas e penteadas. – eu disse em um tom divertido, peguei uma xícara e me servi daquela bebida quentinha e cheirosa. 

          Jacob fechando a geladeira e pousando o queijo no balcão olhava para mim, quase que admirado. Com um olhar indecifrável e um sorriso de canto tímido e ainda assim, ousado.
– Corrigindo. Você só não acorda penteada e maquiada. A outra parte é verdade. – ele falou pegando uma xícara. 
         Sorri sem graça, novamente ele foi gentil. Percebi que Jacob tinha olheiras fortes, observei por sobre o ombro dele, sua camiseta estava no sofá.
– Não dormiu ou dormiu no sofá? 

– Dormi um pouco. Na cama. Acordo cedo. – ele falou preparando um sanduíche. – A propósito, perdoe-me por invadir sua cozinha e mexer em suas coisas. 
– Ai fala sério. Não tem que se desculpar. – eu disse revirando os olhos. 

          Apoiava-me de braços cruzados no mesmo balcão do armário alto. Jacob à minha frente de costas.
– Bom apetite. – ele falou entregando um sanduíche aparentemente apetitoso.

– Obrigada Black, mas eu não sou de comer de manhã. Fique à vontade.
– Por isso está assim, um gravetinho. – ele me encarava sério.
– Acha mesmo que estou magricela? – eu disse dando uma volta.
– Se quiser ser forte como eu, trate de não me fazer essa desfeita.
– Tudo bem, eu não quero ficar forte como você. – eu disse zombando dos grandes e extensos músculos dele.

          Comemos, sorrimos, conversamos. Combinamos que ele levaria meu carro para a reserva e faria os consertos necessários por um preço camarada. Jacob também se ofereceu para me ajudar com a reforma de minha casa. Após arrumarmos a bagunça do café, ele prendeu meu carro ao dele e pegou sua camiseta e chaves. Na porta de casa nos despedíamos quando outro carro chegou. Uma viatura da delegacia. Erick desceu aproximando-se muito contrariado. Pude perceber que Jacob revirou os olhos ao vê-lo, tratou-o com desdém.
– Estou atrapalhando? – disse Erick alterado.

– De forma alguma, eu já fiz tudo o que eu vim fazer – disse Jacob para ele piscando para mim em seguida. Pensei que ele estivesse provocando Erick. E estava. – Eu já estava de saída. 
– Então tenha um bom dia. – Erick dizia grosseiramente.
– Erick!? Qual o seu problema? – eu adverti pela falta de educação. 

        Ele ignorou subindo os degraus da varanda, vindo até mim e parando do meu lado.
– Luna, se precisar pode me ligar. Deixei meu telefone no seu quarto. – Erick se exaltou ao ouvi-lo e me puxou para entrar, mas eu soltei-o e olhei reprovadora. – Vou analisar melhor seu carro e qualquer coisa eu te aviso. 
– Certo, também pode me ligar quando quiser. Depois combinamos a reforma pode ser?
– Com certeza! – Jacob disse animado. 


          Erick estava parado atrás de mim de braços cruzados observando a tudo muito contrariado. Black subiu os degraus se aproximando. Parou na minha frente me encarando. Passou as mãos em meu rosto. Fiquei confusa e olhei-o em dúvida. Ele sorriu travesso. Percebi que ele pretendia irritar ainda mais o Erick. Então segurando o meu queixo beijou minha face, de um jeito demorado. Abraçou-me carinhoso em seguida, piscou e foi até o carro.
           Erick entrou em casa pisando fundo e bufando. Revirei os olhos e acenei para Jacob no carro. Esperei o carro se distanciar e entrei. Ao passar pela porta lembrei do que Jacob dissera sobre o lobo, não enxerguei vassoura alguma, eu olhei fora da casa e dentro, na sala. Não havia nada com o que ele pudesse defender-se de um lobo. Erick estava na cozinha e me distanciou desses pensamentos com uma série de perguntas.


– O que ele fazia aqui? Ele dormiu aqui né? Tomaram café juntos? Fala Luna! Explique-se! – ele dizia percebendo a recém-arrumação de um café da manhã a dois em minha cozinha. 
– Em primeiro lugar, não devo explicações da minha vida a você. – eu disse enraivecida com a arrogância de Jones.
– Ah não? E o que nós temos? – ele falou se aproximando.
– Não temos compromisso algum um com o outro Erick! Você é um amigo. 
– Vai negar que existem sentimentos entre nós?
– De forma alguma. Mas eu não considero um ou mais beijos um compromisso. Pelo menos não sem um diálogo que nos leve a essa conclusão. Eu sempre deixei muito claro isso Jones, que nós somos amigos.
– Considero isso o quê? Um intimato de que você e esse quileute esnobe estão juntos?
– Não estamos juntos! Não fale dele e de nenhum outro quileute assim na minha frente! – eu gritava. – Jacob dormiu aqui sim. A energia acabou, estava escuro e a casa circundada por lobos! – Erick ficou perplexo.
– Lobos? Billy Black esteve na delegacia ontem à noite dizendo que haviam espantado novamente os lobos das proximidades de Forks. 
– Sim, mas havia lobos aqui.
– Está vendo? Sempre tem alguma coisa errada! Os quileutes estão sempre atrapalhando com as tradições estúpidas deles! Atrapalha o serviço de todo o regimento e nada resolvem. Ninguém vai tirar da minha cabeça que eles são os causadores de todos os ataques que vêm acontecendo! Entende agora porque eu não gosto da ideia de você metida com eles? Eles não são boa gente Luna! 
– Para! Para! Espere! Que história é essa? Que tradições? Que ataques? 
– Esquece. Fiz plantão a noite toda e vim passar o dia com você, mas eu entendi que não significo nada não é? Melhor eu ir para casa.
– Erick pare com isso! – eu disse segurando as mãos dele. – Suba, tome um banho. Pode ir dormir um pouco se quiser. Eu preparo algo para você comer. Sem drama okay? Somos amigos e não namorados. Você sempre soube disso.
– Está interessada em outra pessoa? Jacob? Outro cara de La Push? 


           Eu deveria ser sincera. Em momento algum eu pretendi magoá-lo. Agi errado não deixando as coisas totalmente claras, talvez. Erick e eu estávamos ficando, desde uma semana depois do que eu cheguei à cidade. Eu o adorava e queria muito tê-lo sempre por perto, mas as coisas estavam seguindo intensas e rapidamente. O beijo com Embry me deixou muito confusa. Meu coração estava revirado, minha mente confusa e minha alma parecia ter fugido para outro lugar distante do meu corpo. Nada obedecia e a situação tornava-se sufocante.
– Erick... Tem outra pessoa da reserva sim. 
– É! Depois de vê-lo sair daqui, não era de se assustar! – ele bufava.
– Não é o Jacob!  
– Isso ajuda muito. – ele disse irônico com mágoa nos olhos e saindo violentamente.


          Passaram-se três semanas e Erick não me telefonava, não mandava notícia nenhuma. Os Carter me perguntavam sobre ele, mas eu sempre inventava alguma desculpa. Scott Carter demonstrava interesse em mim e eu estava incomodada com aquilo. Fiquei amiga tanto de Peter quanto de Scott. A rotina estava tranquila  e as coisas seguiam em busca de um eixo. Embry e eu não estávamos namorando,mas nos curtindo. Apesar de gostar muito dele e de saber que era recíproco, eu sentia que faltava algo, e Embry também não demonstrava qualquer necessidade de firmarmos algum relacionamento sério.
          Jacob e Embry apareciam lá em casa duas vezes na semana, eles se empenharam mesmo em me ajudar com a obra. Charlie Swan passava em frente a minha casa todos os dias na volta do trabalho, nós não nos falávamos até então, mas ele sempre acenava educado. Algumas vezes, os garotos quileutes estavam lá e eles  iam até Charlie conversar. Eu servia um café, mas não passávamos dos cumprimentos "leis" da boa ética. 
          Meu carro ainda estava na reserva, nas mãos do instável Black. Tive que ir ao mercado pela semana e o único jeito era ir a pé e tentar encontrar uma carona para a volta, ou por força da raridade, um táxi. Eu saí cedo de casa com um carrinho de feira. Andava tranquilamente na estradinha não muito fria, aproximava-se o verão. Ouvi um som baixo de carro e um "bip" de sirene.Olhei para trás e era uma viatura. Até imaginei ser Erick, mas pelo caminho que fazia a probabilidade maior era de ser Charlie. E era. Ele foi diminuindo a velocidade, eu diminui os passos.


– Bom dia senhorita. Quer uma carona?
– Sr. Swan, eu não vou recusar. Poupará muito meu tempo.


          Ele desceu do carro, pegou meu carrinho de compras guardando-o no porta-malas.Abriu a porta do carona para mim e seguimos silenciosos. Ambos estávamos desconfortáveis. Então ele iniciou um diálogo inesperado.
– Erick, falou que você era amiga de Bella. – olhou apreensivo para mim.

– Sim. Há algum tempo. Estudamos juntas em Phoenix, mas depois que ela veio para Forks, nunca mais nos vimos e pouquíssimas vezes nos falamos.
– Já deve saber que ela não está mais aqui, não é?
– Sim, eu sei. – muitas coisas eu gostaria de perguntar, claro que eu me calei.– Erick... Como ele está?
– Vocês não tem se falado?
– Briga boba. – eu sorri sem graça e desviei o olhar.
– É por causa dos rapazes da reserva certo?
– Erick não aprova minha convivência com os quileutes. – eu falei vazia olhando a mata pela janela. – E nem tem um motivo decente para isso. – concluí olhando para Charlie.
– Ele é um bom rapaz Luna. A birra dele com os quileutes está além de ciúmes.  Erick é um policial muito dedicado e desconfia até da própria sombra. 
– Sim, eu sei disso, mas isso não implica nele desrespeitar minhas escolhas.
– Ele só quer protegê-la. Ainda que não tenha percebido que o pessoal da reserva não é inimigo. – ele fez uma pausa. – Você e Bella... Qual era o grau de amizade? – eu sorri e vagueei por minha mente, buscando na memória indícios de nossa amizade antiga, surda e aparentemente escondida, já que aparentava que ela nunca falara sobre mim, ninguém sabia da minha existência como amiga,única, aliás.
– Bella não era o tipo de garota que sabia lidar com pessoas. Ela sempre foi muito reservada. Um dia eu a defendi de alguns garotos que a paqueravam... Não sei se o senhor sabia, mas ela sempre foi péssima em lidar com paqueras. Enfim,ficamos amigas. Melhores amigas. Eu cuidava de Bella o tempo todo e gostávamos da companhia uma da outra. Depois que ela se foi... Bem, a vida às vezes nos joga por rumos diferentes não é? – eu disse com mágoa. 

         Eu amava Bella como uma irmã e sofri por não encontrá-la, sofri pelo afastamento repentino dela. Charlie ficou emocionado. Não chorou, mas pude perceber sua alteração de humor.Eu sorri agradecida a Charlie e ele me encarava com extrema ternura. Ao chegarmos  à cidade descemos do carro e ele entregou o meu carrinho. 
– Obrigada. Muito obrigada pela companhia Luna. 

– Imagine, eu quem agradeço. 
– Espero que vá me visitar. – ele pedia ternamente e eu sorrindo sem graça disse que sim. – Sue me falou muito sobre você. 
– Sue Clearwater? Não sabia que eram amigos... – eu disse confusa, pois eu realmente não imaginava.
– Somos noivos. – ele disse feliz e sem graça.
– Bem, de qualquer forma não haveria como eu saber ainda. Mas fico feliz, Sue é uma pessoa maravilhosa e o senhor com certeza também é. Vou querer acompanhar essa felicidade de perto! – eu falei amigável.
– E nós vamos querê-la por perto também. E, por favor, não precisa me chamar de senhor. 
– Tudo bem, Charlie! – eu disse engraçada e rimos. 
– Eu espero mesmo, que você possa me visitar. Eu adoraria conhecer uma amiga de minha filha que... Enfim, estou ansioso para conhecê-la! 
– Irei visitá-lo com certeza! – eu falei fazendo uma careta amiga e apontando o dedo de forma marota. 
          Entrando no mercado, Eva Carter e seus filhos, Peter e Scott cumprimentaram-me  como sempre muito sorridentes. Segui em direção às minhas compras parando em  frente à prateleira de enlatados. Scott estava atrás de mim e disse me  surpreendendo:

– Posso ajudar senhorita? 
– Olá! Muito obrigada Scott, mas eu não vou atrapalhar seu serviço. Já estou  familiarizada com o mercado. – eu disse  simpática, porém na hora de pegar uma das latas da prateleira, eu acabei  derrubando mais algumas. 
– Eu acabei de arrumar isso aí. – ele disse de olhos fechados, brincalhão  desviando-se de observar a bagunça no chão. Não era grande, mas ainda assim, eu  havia derrubado algumas latas e era muito chato. 
– Eu disse que não atrapalharia seu serviço? Que mentirosa! – eu disse zombando  e me abaixando junto com ele para pegar os itens caídos. – Me desculpe.
– Tudo bem pode deixar. Peter me ajuda com isso. – ele falou sorrindo e se  levantando. Eu sorri totalmente sem graça me levantando junto. Uma mulher aparentemente esnobe nos interrompeu.
– Olá Scott. – ela disse sorrindo para ele e olhando-me de esguelha.
– Olá. – ele sorriu para ela cumprimentando-a e depois voltou à palavra para mim. – Luna, essa é Daniela Parker. Dani, essa é Luna Bedingfield. – ele falou apresentando-nos. Estendi a mão e Daniela cumprimentou-me indiferente.
– Sei quem ela é. É a namoradinha do "nosso" Erick  Jones. – ela enfatizou a palavra "nosso" e olhou para Scott convencida.
– Está enganada. Eu não sou namorada de ninguém. – eu disse já antipática. 
– Hmm. Nesse caso, é bem pior. – ela falou me olhando grosseira. Eu dei uma risadinha esnobe e cínica.
– Foi um prazer conhecê-la queridinha. – eu disse muito, mas muito nojenta. Dei um "soquinho" no ombro de Scott e sorrindo me despedi – Falou Scott, mais uma vez me desculpe aí pela bagunça na sua prateleira organizada. – ele me abraçou de lado e beijou minha testa. Nem me dei ao trabalho de olhar para Miss  Antipatia.


          Acredito que Daniela Parker não gostou muito de me associar ao Erick, ou até mesmo a Scott. De uma coisa eu sei, eu não gostei nada da forma como ela me tratou. Contudo isso não será problema, afinal as pedras que entram em meu  sapato eu sacudo até serem jogadas para longe. 
          Me aproximando do caixa vi que Peter organizava as latas que derrubei. Ele cantarolava todo alegre. Peter tinha 20 anos e era muito engraçado. Scott  conferia alguns preços das prateleiras em sua tabela de mão e aparentemente  ignorava à Daniela que não parava de segui-lo. Eva Carter sorriu e iniciou um  diálogo comigo.
– Como está Luna?

– Muito bem obrigada. E por aqui?
– Tudo como sempre! Junior falou que você está atendendo na farmácia agora.
– Sim, mas só de vez em quando. Continuo com os trabalhos de pesquisa no  laboratório.
– E está gostando de trabalhar para os irmãos Vincent?
– Sim, o emprego é ótimo! Já saí do período de experiência e agora sou  contratada. Estou muito feliz. 
– Parabéns! Eles quase não aparecem, mas são ótimas pessoas. 
– Sim! Sim! Muito simpáticos. 
– Olha, não pude deixar de perceber o que houve ali. – ela disse apontando para o corredor onde derrubei as latas. – Não ligue para a senhorita Parker. 
– Ah, imagina! Eu costumo ignorar essas coisas. – eu falei sorrindo.
– Me desculpe por entrar nesse assunto, mas... Scott está bastante encantado  com você. – ela me olhou como se esperasse alguma resposta que eu provavelmente  não daria. 

          Senti como se estivesse naqueles comerciais de festa surpresa,onde os balões estão suspensos esperando a hora de serem jogados em cima da  vítima com muitos aplausos depois.
– Eu gosto muito do Scott, é muito divertido e solícito. Um grande amigo! – eu disse sorrindo sem encarar Eva, mas então olhei para ela sem ação. Ela me  encarava. – Bem, eu nem sei o que dizer, só posso agradecer o carinho. – fiquei realmente desconcertada com aquela declaração. Coisa mais nada–a ver!

– Luna, você tem sido o assunto de muitos rapazes na cidade. É comum por ser  nova por aqui. Eu temo que Scott se apegue muito a você, e apesar de saber que  você não faz nada para que ele crie esperanças, eu gostaria que deixasse claro  o que sente por meu filho. Já falei para ele, que você tem muito apreço pelos  quileutes. – certo, agora me soa um crime ser amiga dos quileutes.

             Estão  sempre associando a minha imagem a deles. Qual é, eu nem tenho a tal tatuagem  dos clãs. Cidades pequenas!
– Hãm... Eva, eu realmente não permiti que Scott criasse expectativas. Porém eu  deixarei mais claro para ele nossa amizade. Não quero magoá-lo e adoro muito  estar com ele. Prezo nossa amizade. Assim como também prezo pela minha amizade  com os quileutes.

– Não precisa se explicar querida, apenas estou dizendo isso para que esteja  preparada.

          Me despedi dela pegando minhas compras e ainda pensando no motivo ilógico pelo  qual ela disse aquelas coisas. Proteger o filho de desilusões? Pode ser, mas ainda assim, não vi necessidade dessa abordagem naquele momento. Chegando à porta de saída do mercado, a moto de Jacob estava estacionada beirando acalçada à minha frente. Olhei para os lados e vi Seth Clearwater distraído.
– Seth? 

– Ei Luna! – ele veio andando na minha direção. Seth tem 20 anos e é tão lindo quanto seus irmãos de tribo. – Te ajudo com as sacolas. – ele  disse e eu entregando algumas, agradeci.
– É a moto de Jacob? – eu perguntei admirando, aquela bela motocicleta, um  pouco velha, mas admiravelmente conservada.
– É sim! Estive na sua casa, mas como estava tudo fechado imaginei que você  estaria aqui na cidade. Embry me falou uma vez que você costuma fazer compras  as quartas e eu associei as ideias – Seth sorria muito alegre. Como sempre. – Jake pediu para eu te buscar e deixou que eu viesse no "bebê" dele. – nós rimos pela comparação. 
– Pilotando na moto do Black? Que honra hein! – eu pisquei e ele sorriu  orgulhoso. – Mas, o que ele quer comigo?
– Seu carro está pronto. 
– Já? Que rápido. Tem o quê... – eu parei pensativa contando o tempo  mentalmente – Umas quatro semanas que eu o bati? – eu falei espantada.
– Jake tem esse hobby e ele andou se empenhando no seu carro dia e noite. Na  verdade ele tem se empenhado com seu carro, sua casa... Há tempos não o víamos assim. – Seth olhou-me com ternura.
– Hmm... Bom eu vou, mas e as compras? 

        Scott apareceu para pegar umas caixas que estavam na porta do mercado, ao ver Seth foi cumprimentá-lo.
– Rapaz! Você não para de crescer? – ele disse olhando-o e rindo para nós. 
          Eles  conheciam-se desde muito novos, afinal todos se conhecem em Forks, e Scott  estudou com os meninos da reserva com a mesma faixa etária de Jacob. Peter e Seth estudaram juntos também, sendo os mais novos.
– Nem de crescer, nem de ser lindo. – nós rimos com o comentário de Seth apesar  de ser uma verdade.

– Ei Scott, vocês fazem entregas? – eu perguntei.
– Sim, mas hoje estamos sem moto e não dá para eu ir fazer as entregas. Peter  também não, é um risco, ele pode não chegar vivo ou inteiro. – fez uma pausa  rindo descrente – Por que perguntou?
– Preciso ir à reserva com Seth, mas de moto e com essas compras não dá. Posso  deixá-las aí e pegar depois?
– De jeito nenhum. Eu te dou uma carona até sua casa, de lá você segue com o Seth. 
– Mas você disse que não poderia fazer entregas... – Seth tirou as palavras de  minha boca.
– Sim, entregas, no plural. Uma saída rápida não tem problema. Vou pegar o meu  carro. Esperem aqui. – ele disse sorrindo e saiu.
– Tão solícito para a "senhorita  diva da cidade" . – Seth falou me fazendo rir.
          

               Seguimos então como o combinado. Deixei minhas compras em casa. Agradeci e me  despedi de Scott. Chegando à reserva, cumprimentei Sue que logo me apresentou  sua filha Lia, a qual eu ainda não conhecia.
– Esta é Lia minha filha mais velha, Luna. Ela está fazendo faculdade de medicina um pouco distante e nos visita quando pode. – disse Sue muito feliz.


          Fomos apresentadas e Lia pareceu não gostar muito de mim. Eu já estava achando que tinha algo errado comigo, era a segunda garota naquele dia que não foi coma minha cara. Comentei com Sue sobre a carona de Charlie enquanto esperava Black,que havia saído com Paul e Sam. Ela ficou feliz por termos nos falado e por Charlie ter comentado sobre o noivado. Sue contou que iniciaram um relacionamento sete anos atrás após o falecimento do pai de Seth e Lia, o qual era melhor amigo de Charlie. Disse que no início foi difícil, sentiu culpa pela memória do esposo, mas que com o apoio de Seth ela conseguiu lidar com as dificuldades impostas também por Lia.
           Segundo Sue, Lia não cogitava a ideia desse casamento e nem apoiava, pois imaginava que ela e Bella deveriam se tornar mais próximas. Ao que me deu entender, Lia não gostava nada, nada, de Isabella Swan. Estranho falar assim de uma pessoa que era como uma irmã para mim. Continuamos conversando até Jacob aparecer ao lado de Paul, Sam e Billy.
– Ora, ora! Luna está de volta! – disse Paul sorridente.

– Olá rapazes. – eu respondi. 
– Estou incluído no "rapazes"? –Billy perguntou. 
– Claro que sim! – eu disse sorrindo largo fazendo os meninos e Sue rirem. Lia  ainda estava distante e séria.
– Fico lisonjeado. – Billy respondeu simpático. – Hora do meu chá. Aceita Luna? 
– Sim, claro. 

          Antes de eu responder os meninos: Seth, Quil, Paul, Sam einclusive Black, acenavam reprovadores e quando eu respondi Billy, eles abaixaram acabeça fazendo cara feia.
          Jacob me olhou e sorriu. Era a primeira vez que ele fazia isso tão  espontaneamente. Perguntei a eles onde estava Embry e disseram que ele havia  ido para o extremo sul de Silverdale, uma cidadezinha um pouco maior que Forks  e um pouco mais colorida, que fazia divisa com outros centros urbanos e é mais  próxima da rodovia federal de Seattle. Segundo Black, Embry foi visitar uns  amigos antigos da tribo. 

          Todos foram fazer suas coisas, Seth conversava com Lia e Quil Ateara. Eu olhei de longe para ela, e um pouco chateada por que eu realmente gostaria de entender  que mal há em falar comigo, em gostar de mim. Jacob se aproximou, segurou meu braço e sorrindo solidário falou: "Ela vai te aceitar. Ela é assim mesmo, leva um tempo" . Eu sorri em agradecimento. Jacob começava a trincar aos poucos a barreira invisível entrenós e eu me sentia mais confortável com isso. Ele me dava medo e isso não é  nada legal e nem combina com uma figura bonita, galante e sinceramente amigável  como a dele.

– Então já acabou com meu carro? 

– Pois é eu tenho um dom. – ele disse e sorriu convencido. Jacob estava aprendendo de novo como sorrir, eu podia ver alguns raios tímidos de luz em seu sorriso. – Vamos, está lá no galpão. – fomos andando. Ele então olhou para mim com um olhar curioso e falou continuando a olhar e seguir para frente: – Quer dizer que pilotar minha moto é uma honra? – falou olhando de soslaio e travesso.
– Seth te contou? 
– Era segredo? Ele não é muito bom com segredos, já aviso. 
– Não, não era. Mas sim, para ele é uma honra.
– Você pilota?
– Sim.
– Depois de ver o que fez com seu carro... Céus, você deve ser suicida em cima  de uma moto. – ele falou rindo.
– Eiii! Qual é!? 
– Pobre moto... – ele ainda ria divertido e zombador. Dei um soco no braço dele afim de que ele parasse. – Ai! Nem doeu, sua fracote! – ele continuou zombando.
– Pode zombar! Só porque é maior do que eu.
– E mais forte. 
– Anormalmente, mais forte. – eu respondi.
– E mais bonito também. – ele falava.
– Tá legal, aí você já está sonhando. – eu zombei dele.
– Estou? – me encarou surpreso como se o fato de ser lindo fosse a coisa mais óbvia do mundo. 

          E era, mas eu não precisava falar.
– Claro! Você não é mais bonito do que eu. Eu sou linda! – eu disse rindo divertida.
– É você é. – ele falou sério e fez uma pausa pensativa. – Mas temos de convir  que eu também sou lindo.
– Certo, entraremos em acordo: Eu sou linda e você é legal. – eu disse óbvia e desinteressante, ele me empurrou se esquivando de mim em seguida.
– Preparada para isso? 
– Sempre e para tudo.
          Black mostrou meu carro, novinho em folha! Era mesmo o meu carro? O que ele fez?
– Uau. Esse aí não é meu carro!
– Bom, eu dei uma polida e um trato na pintura também. – Jacob olhava o carro  admirado com o trabalho que havia feito.
– Black... Não sei se com o meu pequeno salário de bióloga e farmacêutica  conseguirei pagar... – ele interrompeu.
– Garota, o que tínhamos combinado era um preço camarada. Eu não sou de quebrar  minhas promessas. Foi um passatempo cuidar do seu Mustang. E cá para nós seu salário não é tão ruim! Mas o dinheiro  não me importa mesmo. Não se preocupe com isso.
– Certo, mas você não fez promessa alguma para mim. 
– Luna. Você vai deixar eu te mimar um pouco ou não? – ele largou a capa do carro em um canto e veio até mim com a mesma expressão séria que me amedronta  por vezes.
– Mimar-me? Posso saber que papo é esse agora?
– Considere um pedido de desculpas por toda a minha grosseria.
– Não. Eu não posso aceitar isso Jacob! – falei apontando meu próprio carro.
– Quer deixá-lo comigo? – ele ria.
– Não. Lógico que não, mas eu vou pagar. O valor justo.
– Nesse caso, me vejo obrigado a recusar.
          Ficamos nesse bate-rebate até Seth aparecer nos chamando.
– Luna. Billy está chamando. – disse Seth.
– Depois resolvemos isso Luna. – disse Jacob, guiando para fora do galpão.


          Fomos andando até a varanda da cabana de Billy. Ele estava lá com um sorriso simpático no rosto e uma caneca na mão. Quil, Paul, Lia, Seth, Sam, Emily e Sue estavam na varanda da cabana de Emily e Sam. As cabanas dos quileutes eram uma de frente para outra no seu espaço 'reservado' da mata. Dividiam-se em grupos dentro da reserva. Eram todos integrantes de uma só tribo, porém o grau de parentesco influenciava nessas separações. Um exemplo nem tão claro, mas que talvez funcione: a família de Quil morava mais ao norte da reserva, porém o próprio Quil permanecia com Embry e Paul na cabana de Sam. Jacob residia com o pai na mesma cabana, mas todos eram uma só família. Confuso. Aqui entra aquela história de Embry dizer que era "praticamente" irmão de Jacob. É e não é.Algo como consideração ou a ideia ainda mais confusa de clãs que Jacob me falara superficialmente.
          Todos me olhavam apreensivos. Eu começava a me observar procurando algum problema aparente. Lia olhava para mim, de maneira desafiadora. Ouvi um comentário dela falando para Paul "ela não vai conseguir" e ele respondendo"caso 10 dólares com você como consegue" . Jacob sussurrou no meu ouvido "você consegue" e riu em seguida. Sentou-se ao lado do pai que esticou outra caneca para ele.Então consegui compreender o quê todos esperavam ou duvidavam de mim: beber o tal chá de Billy.
– Luna, o que achou do seu carro? – disse Billy muito simpático, mais do quê ode costume. Seria aquilo era algum tipo de jogo?
– Perfeito demais. Mesmo para mim. – eu disse e nós três ríamos. 


          O restante da "plateia" continuava a nos olhar, porém disfarçavam com conversas. Eu sou bem perceptível para algumas coisas e bem lenta para outras.E o divertido é que as pessoas nunca conseguem atinar para o quê eu me alerto  ou faço-me de desentendida. Sentei em um banquinho rústico e muito bonitinho em frente à cadeira de Billy. Mas antes fiquei admirando o banco.
– Jacob que fez. Não é maravilhoso? – disse o pai orgulhoso.

– Pai... – Jacob resmungou revirando os olhos.
– É sim. Você tem muitos dons não é Black? 
– Nada demais Luna.
– Bom, eu não conseguiria. – eu disse me sentando. 
– Qualquer dia ele te ensina Luna. – Billy falou sorridente. 

                Sim, eu começava a me assustar com o modo como o Sr. Billy Black comportava-se.
– Se ela quiser pai. Não esqueça. – Jacob bebia vagarosamente seu chá olhando-me por cima da caneca com a sobrancelha arqueada. Aquilo me soou  desafiador. E eu não recuso desafios.
– Eu vou adorar! – eu disse tão desafiadora quanto ele.
– Agora beba seu chá, senão vai esfriar mais. Ou não quer? – Billy disse  divertido. 


          Peguei a caneca enquanto todos me olhavam aflitos. Céus, o quê havia naquele  chá? Veneno? Era a hora, eu não iria dar para trás, até porque eu estava  bastante curiosa. As conversas cessaram na cabana ao lado e o silêncio dominou a floresta. Eu podia escutar o cricrilar dos grilos e algumas risadinhas dos  meninos. Jacob me encarava confiante, tão confiante como eu mesma não poderia  confiar, e pareceu-me divertido.
          Então olhei para a bebida, dei de ombros, sussurrei um "Hum!" e virei a bebida.Era péssimo, mas consegui engolir sem caretas. Todos arregalavam os olhos. Os  meninos na cabana de Sue riam e exclamavam meu nome como uma plateia diante um  gladiador herói. Não pude deixar de me divertir com tudo aquilo e comecei a rir alto. Paul virou-se para Lia e disse: "São 10 pratas baby!" e ela exclamou: "Duvido que ela beba mais!". Todos me olharam e eu novamente dando de ombros, virei tudo em um só gole. Já não estava mais tão quente e tornou-se uma  questão de honra diante a atitude de Lia! Black abaixou a cabeça e começou a  rir como alguém que diz: "Eu  sabia!" . Billy olhou para ele e entregou cinco dólares. 
– Entendi agora. Alguém mais apostou por aqui? – eu falei olhando a todos e  rindo.

– Valeu Luna. O velho não queria me pagar essas cinco pratas há algum tempo. –Jacob disse sorrindo e colocando a mão sobre o ombro do pai que riu desanimado.
– Você é corajosa. Gostei ainda mais de você. – disse Billy completando – É das  minhas! 
          Eu comecei a rir e brindei novamente outra caneca que ele me serviu. A bebida  era muito ruim, mas eu estava acostumada a chás como aquele. Enquanto me servia  Billy explicava:
– É uma bebida de ervas medicinais que Sue e eu, cultivamos. Tomo há muito  tempo, desde que tinha a idade de Jacob. Meu avô passou para meu pai, que  passou para mim.
– É amarga e picante. O gosto picante lembra o de um tempero que utilizo  muito. O que são?
– Ocimum Basilicum e Aloe Vera. Como bióloga deve conhecer não?
– Claro! Babosa e Manjericão. Conheço muito. As propriedades nutricionais do manjericão e da babosa são excelentes. Grandes remédios. Principalmente o Aloe Vera que cura ferida interna, previne tumores, reduz colesterol e outras  infinidades de propriedades!
– Babôssa? Mândiéricao? – Billy perguntou com sotaque carregado por não  conseguir pronunciar como eu. 

          Engraçado até, mas eu sou educada e não gargalhei  como queria. Pude perceber tanto nele, quanto em Black que os nomes que dei  eram desconhecidos na tribo.
– Bem, acho que está na hora de vocês saberem um pouquinho mais sobre mim. – eu  falei sorrindo enquanto eles se encontravam atenciosos. Chamei os outros para  ouvirem também de uma vez. – Só falta Embry... Mas depois eu conto a ele.Bem... Eu não conheci minha mãe, ela faleceu no parto e meu pai conviveu pouco  tempo comigo. Mas chegamos a fazer uma viagem à terra de nossos ancestrais, como dizia meu  pai. No Brasil. Meu avô não nascera lá, mas meu pai sim. Algum tempo depois da morte dele que meu pai voltou para os Estados Unidos. Nessa viagem, conheci um  pajé da tribo. Eu também tenho sangue indígena sabiam?

– Eu desconfiava. – Billy falou sendo assentido por Sue que disse "É evidente aos olhares experientes"

          Eu sorri e todos pareciam bem interessados na minha história, inclusive  Jacob.
– Pois é, meu pai nascido na tribo Bororo ou também chamada de Coxiponé. E meu  avô nascido por descendentes da tribo Cheyenne. É uma tribo completamente  extinta hoje. – Billy e Sue se entreolharam curiosos. – Fomos à tribo Coxiponé no Brasil  e conhecendo um pajé amigo dele aprendi muitas coisas lá. Inclusive sobre   plantas de cura. Foi onde me interessei por biologia.
– Seu avô era um Cheyenne? – Jacob perguntou.
– Pouquíssimas vezes minha tia e eu conversamos sobre essas coisas. Não tenho certeza se ele era Cheyenne ou apenas conviveu com eles. Ela disse uma vez que ele passou muito tempo em outra tribo. Nessa outra tribo ela nasceu e viveram até os cinco anos de idade dela, depois todos foram para o Brasil. Emeu pai nasceu lá.
– Sua tia? – Quil perguntou confuso.
– Meu pai faleceu quando eu tinha 10 anos e fui criada por minha tia. Aos dezesseis anos eu voltei por curiosidade à tribo no Brasil. Quase morri, diga-sede passagem, não me reconheciam. Convivi um pouco mais com o pajé e aprendi um pouco mais.
– Essa tribo onde seu avô passou um tempo até sua tia nascer... Você não sabe mais nada sobre isso?
– Não me lembro de muita coisa Sue. Eu era mais nova quando minha tia me contou e raras vezes nós voltamos a falar do assunto. Mas engraçado... – fui interrompida por Sam que se levantou bruscamente atraindo toda a atenção. 


          Ele olhava para o vazio à frente. Jacob se levantou em seguida imitando os gestos dele e logo todos os meninos fizeram o mesmo. Parecia uma hipnose. Billy estava apreensivo e disse forte e sério "Entrem!" e os meninos seguiram-no. Lia também foi atrás.Fiquei naquela varanda sem entender muita coisa, quando Emily e Sue chamaram minha atenção para uma conversa. Eu não sei o que elas diziam e nem mesmo  respondi, eu olhava para dentro da casa de Billy ansiosa e curiosa.
          Todos os meninos vieram novamente à varanda e olharam aflitos na minha direção. Encaravam uns aos outros silenciosos. Sue levantando-se disse que iria tirar os biscoitos que assava do forno e traria para nós. Eles não falavam nada e Billy puxou uma conversa aleatória da qual eu não consegui entender nada. Eu apenas olhava para os meninos. Todos visivelmente nervosos e aflitos. Os músculos enrijecidos,olhares ansiosos. 
          Quil, já percebi, é o mais estressado ou nervoso; ele sempre  fica inquieto e parece explodir. Seth tocou o ombro dele, como se pedisse a ele  para se controlar. Então eu encarei Jacob, que passou do estado de "desinibido"para "altamente fora de aproximação". Aquela barreira que eu começava  fervorosamente a odiar se ergueu.
          Seth resolveu falar: "Então Luna, oque achou do chá?" . Isso descontraiu um pouco e todos riram, eu  respondi: "Fichinha" .Novos risos. Seth zombou com "Uuuh.  Ela é linha dura gente!". Billy então disse que prepararia algo mais  forte para saber se eu era linha dura mesmo. Eu disse que estaria aguardando.Pedi licença e permissão ao Billy para levar as xícaras à cozinha da casa dele.E mais do que rapidamente ele agradeceu e permitiu. Lógico, eu não queria me afastar, afinal eu tenho faro, mas eu sabia que era por minha causa que nada era pronunciado. Uma retirada estratégica.

Lia, assim que voltou de dentro da casa estava distante da varanda. De repente  ela bufou e saiu correndo, havia entrado na mata como um furacão. Algo ali  estava me intrigando muito. E esta impressão não era surpresa. Na verdade, os  quileutes desde que topei com Jacob na praia tornaram-se uma espécie de  necessidade para mim. Eu precisava ficar perto e não era apenas por Embry ou  qualquer outra coisa. Eu me sentia confortável com eles. Ousaria dizer até...Parte deles. Lavei as xícaras muito atenta aos burburinhos que eu esforçava ouvir.Assim que acabei fui dando passos calmos e silenciosos até a varanda de volta.Talvez me vissem e  se calassem ou na melhor das hipóteses, estariam tão  concentrados na conversa que não notariam minha chegada. Batata. Cheguei  próxima à porta e escutei Sam exclamando baixo: "Ela não pode saber! Embry precisa de ajuda agora". 

– O que houve com Embry? O que eu não posso saber? – eu sou bem impulsiva às  vezes.

          Jacob pegou meu braço um pouco alterado. Aquilo foi suficiente para eu me  assustar e me calar. 
– Jake! Calma aí! – Paul dizia.
– Eu resolvo isso! – Jacob gritou para eles me arrastando para o galpão.
– Black me solte agora! O que você está pensando? Está me machucando seu louco!
          

         Ele nada dizia, entrou comigo no galpão e puxou a imensa e pesada porta do lugar. Pegou as chaves do meu carro no seu bolso e me entregou.
– Tá. Estou sendo expulsa. Entendi! Só que não saio daqui sem saber o que está acontecendo com Embry! – eu parecia uma ursa raivosa. 
– Não Luna! – ele estava nervoso mesmo, mas não bravo, apenas nervoso com algo.– Você não está sendo expulsa. Não queremos que pense isso. – ele pousou as mãos  no meu rosto fazendo eu olhá-lo nos olhos. – Desculpe ter machucado você. –afastou e pegou meu braço para analisar.
– Tudo bem, então o que foi tudo isso? – eu estava confusa e estressada por ser  culpa dele me deixar daquele jeito. Estava tudo tão bem até a crise de bipolaridade dele!
– Eu não posso lhe explicar direito. É coisa de clã. Embry está bem, apenas saiba disso.
– Coisa de clã... Entendo, eu não tenho esse direito mesmo... Peça desculpa aos outros pela minha intromissão. 
– Luna... 


          Dei as costas a ele entrando no meu carro e saindo da reserva sem olhar para trás. Avistei Seth correr até ele que já no meio da floresta olhava meu carro partir. Então de repente ele saiu olhando por cima do ombro devagar. Eu chorava. Não esperava ser tão íntima deles, mas achei que merecia alguma  consideração. Eu não pedi nada além de notícias do Embry. O que estava acontecendo com ele que eu não poderia saber? De uma coisa eu tive certeza: se Embry considerasse-me como dizia, eu acabaria sabendo das coisas. 

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