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ELEH - CAP. 13

Trincando o passado

Depois de descobrir todas aquelas coisas sobre o passado de Bella, eu fiquei ainda mais confusa e preocupada. Embry, ao contrário das meninas, não estava nenhum pouco confortável em desacatar as ordens de Billy. Portanto, após Emily contar tudo o que achava ser necessário - por hora - continuamos nosso dia. Em momento algum tocamos no assunto "Jacob". Até porque, eu estava bastante irritada ainda com o ocorrido do beijo, entre ele e Bruh Ateara. E o que mais me irritava era a consciência de que, eu, me encontrava perdidamente apaixonada por ele. 
Ao despertar do dia seguinte voltei minha atenção, aos meus trabalhos em laboratório. E algo que eu descobrira sobre aquelas algas marinhas um tempo antes, se confirmavam agora. Despertou minha curiosidade e antes de ir até a única pessoa que poderia me ajudar, eu precisaria de anotações coerentes. Passei toda a manhã analisando fatos, fórmulas, textos antigos, autores conhecidos, conceitos e mais artigos acerca da minha nova pesquisa. Tudo apontava para a mesma direção.  E como se algo dentro de mim me guiasse às descobertas, eu fui reunindo as informações das histórias que Emy me contara no dia anterior, e remontando peças em minha mente. Mas, o que a minha pesquisa teria a ver com tudo aquilo? Não havia certeza, ainda. No entanto, bons agouros me estimulavam a cavar ainda mais. Eu precisava continuar a trincar aquele passado de Forks.
Estava decidida a ir até Sue, e arrancar o máximo de informações que pudesse. E desta vez, Billy também abriria o jogo comigo. Estava farta de mentiras, de omissões. Era direito meu estar ciente de tudo, afinal eu estava inserida no meio daquela confusão. Não era certo que não soubesse a verdade completa.
Tomei um banho e descia as escadas quando meu telefone tocou com uma mensagem de Scott:
"Espero que esteja melhor hoje... Confesso que fiquei pensando em você aquele dia, e mal consegui dormir. Queria conversar. Tudo bem se nos encontrarmos hoje à noite?"
Respondi ao Scott que gostaria de vê-lo mais tarde, mas como estava ocupada, eu mandaria uma mensagem combinando um horário melhor. Pegando as chaves do meu carro, saí apressada até a reserva. Por ser hora do almoço, todos estavam reunidos em volta de grande mesa no pátio. E assim que parei o meu carro, as atenções se voltaram para mim. A maioria dos rostos sorriam, mas entre eles, lá estava a expressão de susto e esperança no rosto de Jacob. E Bruh, também estava lá, com sua raiva de sempre estampada num sorriso vadio. Respirei fundo controlando o ódio iminente. Saí do carro com um largo sorriso em meu rosto. Eu provaria ter superado aquela decepção. E Black sentiria amargamente o meu desprezo.
— Eu não acredito! Olha quem decidiu lembrar que tem amigo! – disse Seth com ar de deboche e alegria.
—Desculpe gracinha, eu andei muito ocupada. Não justifica o sumiço, eu sei. - eu depositei um beijo em seu rosto e um forte abraço.
— Mas... Para a alegria de todos: I'M BACK! - eu bradei um pouco mais alto e todos riam.
— Venha Luna, sente-se. O almoço está servido.
— Sue... Senti saudade de suas comidas tão gostosas!  
Abracei Sue recebendo seu maternal abraço de volta. Charlie também estava lá, e sentou-se ao meu lado. Abraçou-me e beijou minha testa.
— Como você está? 
— Estou bem, bastante atarefada apenas.
— Me preocupei com você.
— Por quê Charlie, aconteceu algo?
— Não quero ser invasivo, mas eu soube do ocorrido com o ... - ele inclinou a cabela para o lado onde Jacob estava sentado.
— Pelo que sei, não é destino das suas meninas ficarem com ele. 
— Eu estarei sempre disposto a ouvir. Basta me chamar.
— Eu sei. E agradeço muito. Nós iremos conversar mesmo, logo mais.
Charlie e eu sorrimos um para o outro e continuamos nosso almoço. Após colocar as fofocas em dia com todos à mesa, e auxiliar Sue com a limpeza - coisa que ela sempre evitava de nos permitir fazer - Emy, Lia e eu fomos à varanda da cabana de Sue. Seth estava deitado na rede. Nós três nos sentamos nos banquinhos próximos a ele.
— Sabe Luna... Se bem me recordo, alguém ia contar o que estava rolando com um tal rapaz da cidade! - disse Lia, sorrateira.
— É verdade! Você nos deu a volta ontem, mas pode ir contando tudo! 
— Então você e Scott estão finalmente juntos? - pronunciou Seth olhando para mim com um sorriso atrevido em seu rosto.
— Ei gracinha, o que você sabe que eu não sei?
— Luna, você sabe que eu e Scott somos amigos...
— Espera! Meu irmão caçula sabe de tudo e eu não? Qual foi índia branca? Pode ir falando!
Rimos com o comentário de Lia.
—Bem... Scott e eu saímos algumas vezes, mas não temos nada além de amizade.
— Não é bem assim... - cantarolou Seth
—Bem... Ele gosta de mim, mas você sabe muito bem que eu não dei falsas esperanças a ele Seth!
— E o beijo que aconteceu entre vocês?
— NÃO ACREDITO! - bradou Lia, arrancando alguns sorrisos bobos.
— Foi só um beijo. Não conversamos mais sobre isso... Mas talvez você esteja certo Seth. Não posso deixar de conversar sobre este beijo com Scott, até porque ele nutre algum tipo de sentimento. Não quero magoar ninguém.
—Você deveria dar uma chance a ele. Está solteira, e pelo que sei não tem mais nenhum interesse no policial. Não é?
— Não sei se deveria.
—Scott é um cara legal. Fora da reserva, talvez o mais legal que você tenha conhecido. E vocês formam um par bonitinho.
— Quanto ele te pagou para convencer a Luna, hein Seth? - Emy dizia rindo.
— Ele não me pagou nada. O pior é isso. - Seth levantou-se da rede adentrando a casa.
Eu e as meninas ficamos um tempo em silêncio olhando para onde o Seth teria ido. 
— Talvez o pirralho esteja certo Luna. 
— Concordo com a Lia. E com Seth. Você está solteira, não existe mais possibilidades entre você e o Erick. Ou existe?
— Não Emy! Torço todos os dias para que ele e Danielle se acertem.
— E pelo que sabemos, você não está disposta a perdoar o Jake... Não é?
— Emy, eu não quero nem mesmo ouvir a voz do Black, para não dar brecha de enfiar um soco na cara dele.
— Bem, entao é isso... Luna, ouça de alguém que viveu a solidão por muito tempo e não recomenda a ninguém. É muito triste viver sozinha. E você é muito sozinha aqui em Forks. Tirando a sua ligação conosco, o que mais você tem? Pense bem, talvez criar vínculos mais sólidos e menos complicados do que nós... Seja o melhor para você.
Lia sorriu, colocou a mão em meu ombro e entrou na casa. Emy e eu ficamos na varanda mais um pouco, em seguida eu contei que precisava falar com Sue e entrei também.
— Sue... Eu preciso da sua ajuda.
— Claro querida! Tem a ver com Jacob? 
Lia que estava na cozinha conosco, se retirou dizendo que nos deixaria a sós. Charlie apenas observava minhas reações sentado tomando café.
— Não. Absolutamente nada a ver com ele.
— Me desculpe, achei que sua vinda era por isso.
— Não precisa se desculpar. Sei que a maioria aqui na reserva estão ansiosos por essa história. Mas creio desapontá-los. Eu vim até aqui porque preciso conversar com vocês três. 
— Nós três? - disse Charlie.
— Onde está o Billy?
— Está na cabana. Eu vou preparar o chá de Billy. Enquanto isso você pode ir  chamá-lo.
— Não demoro. 
Saí da cabana de Sue, em direção à cabana de Billy. Torcia para não encontrar Jacob. Mas como todo o azar que eu vinha tendo, ele esbarrou em mim no meio de sua sala. Seus cabelos molhados e bagunçados denunciavam que acabava de sair do banho. Seu cheiro era ainda mais gostoso, com o acentuado amadeirado ainda maior. E eu sentia falta daquele cheiro. Nos encarávamos assustados. 
— Mani...
—Eu preciso falar com Billy. Onde ele está? - disse seca e ríspida.
—No quarto. Olha... Nós precisamos conversar.
— Não. Você precisa é chamá-lo para mim, é urgente. - me virei indo em direção a porta até que Jacob segurou meu braço.
— Por favor. Todo mundo tem direito a se explicar.
— Eu não quero explicações Black. Você escondeu seus sentimentos o tempo todo. Quando eu decidi me abrir a você, recebi a sua negação. E o que mais me deixa irritada é a sua incapacidade em ser franco. Era só dizer que estava envolvido com a Bruh... O que me faz lembrar que além de tudo você me fez de idiota! 
—Luna, não é nada disso.
— Mentiu quando disse que não tinha interesse nela, por ser muito jovem. Mentiu sobre não estar preparado para se envolver. E me fez de trouxa o tempo inteiro...
— Luna! Me escuta!
—Por favor, vá chamar seu pai.
Eu disse me distanciando, então Jacob me puxou novamente e me enlaçou num abraço apertado. 
—Me solte Black... - eu dizia furiosa olhando seus olhos.
— Eu não estou envolvido pela Bruh. Nunca estive. Ela me atacou aquele dia! Eu não queria que você tivesse se magoado e por isso evitei tanto tempo que nos envolvessemos. Você é a última pessoa a qual eu faria sentir a dor da rejeição. Me perdoe, mas foi tudo um engano.
— Belo discurso. Agora chame o seu pai, por favor. Estamos aguardando ele na cabana de Sue.
Eu disse finalmente me soltando dos braços fortes de Jacob e indo impassiva à cabana de Sue. Aguardamos Billy e assim que ele chegara fomos para a casa de Charlie. Concordamos que era melhor ter a conversa em um lugar afastado da reserva, por privacidade. Ao sair com meu carro, observei a figura amarga de Black na varanda de sua cabana, e seu pai ao meu lado no carona, apenas tristonho a nos observar. Assim que chegamos à casa de Charlie, e era a primeira vez que eu entrava lá, não fomos adiando ainda mais a conversa. Coloquei meus papéis sobre a mesa e fui logo ao assunto.
— Vocês devem saber, que eu já sei a história sobre Bella, os frios, e a reserva.
— Não era pra saber. - Billy retrucou um pouco irritado.
— Me desculpe Billy, mas era sim. Eu estou no meio disso tudo. Posso não estar envolvida com nenhum Cullen, mas estou envolvida com vocês. E já sei o bastante para não ter mais segredos entre nós. Acredito que a confiança é recíproca, não é mesmo?
— Claro. - disse Charlie.
— Concordo com ela Billy, há algum tempo eu já vinha dizendo que Luna precisava saber onde estava se metendo. 
— Ok Sue. Já sei de suas colocações há muito tempo. Mas  e você Charlie? Preparado para desenterrar o passado? 
—Billy, Luna pode não sentir o mesmo, mas eu sinto que ela é como uma filha. Uma filha que eu não tenho como perder. Tudo que eu quero é que ela saiba a verdade, para que assim possa decidir se viver entre nós é realmente o que ela quer.
—Certo... Então Luna. O que você quer saber?
— Eles voltaram? 
—Não. Não temos ideia de onde os Cullen estão, desde a morte de Renesmeé. Você já sabe?
— Sim, o imprinting de Jacob que ele matou para defender a tribo. Porque Bella, sendo mãe de Renesmeé e furiosa com Jacob... Partiria sem vingar-se?
— Isso querida, é algo que todos nós ainda tentamos entender. Os lobos são muito fortes, mas não é mentira que se ela quisesse, teria travado uma grande batalha para se vingar de Jake.
— Acreditamos Luna, que minha filha, motivada pelos sentimentos de amizade e amor que tinha pelo Jacob... Tenha ido embora para poupar que a vingança destruísse o que restava desse sentimento. 
—  Os Cullen conhecem nossa história Luna. Bella sabia que o único que pode ferir um imprinting de um lobo, é o próprio lobo. E por isso, nós acreditamos que Bella sabia o quão difícil foi também para Jake.
— Me desculpe Billy, mas não acredito nisto. Pelo que entendi, Bella não teve receio algum de abandonar sua vida, seu pai, seus sentimentos humanos para se unir aos Cullen. Estas desculpas, para mim, não passam de uma retirada estratégica.
— O que quer dizer com isso, querida?
— Sue... A Bella não é mais a menina que veio para Forks morar com o pai. Ela não relutou não foi?
— Luna... Já se passou tanto tempo desde que tudo aconteceu. Minha filha não teria porque voltar agora.
— Exato Charlie. Muito tempo se passou. Ninguém se lembraria. Porque iriam se proteger? Como Sue mesma disse, ela poderia reunir forças para se vingar.
— Luna, você não é de rodeios como eu. Então, onde quer chegar?
— Há um tempo atrás Billy, antes da transformação final de Embry. Eu era recém chegada e não sabia de nada ainda. Jacob dormiu na minha casa uma noite, e de madrugada eu desci para beber água. Vi uma sombra humana rondando minha casa, foi a primeira vez. Jake desceu e me calou, mandou que eu subisse e saiu pela porta. Ouvi rosnados, e na época ele dissera que eram lobos. Não acreditei, porque sei o que vi, mas não tive como contestá-lo. Nunca me esqueci deste fato. Após descobrir a verdade sobre os quileutes, muitas coisas  se encaixaram, mas esse era o único fato que ainda não se encaixava em nada. Outras vezes pude ver humanos rondando minha casa. Não contei a ninguém, mas sei o quão insegura é a minha casa. E por um tempo tendo a casa vigiada por lobos, em seguida disfarçando que estivesse muito movimentada sempre, eu consegui afastar essas visitas. Mas seja lá o que forem, não são burros e podem voltar a qualquer momento. Temo pelo que sejam. Conheço as lendas Kalil. 
—Billy! Você sabia disso? - Sue dizia um pouco desesperada.
— Jacob me contou sobre o ocorrido uma vez, mas como não aconteceram mais após a patrulha dos lobos, acreditamos que não havia mais riscos para Luna.
— Billy, isso era algo que você deveria ter me dito, ainda mais sabendo os motivos pelos quais me mudei para a reserva!
— Como assim Charlie? Você não mora mais aqui?
— Luna, desde que Sue e eu nos casamos, decidimos continuar na reserva, é mais seguro. Como você mesma sabe, Kalil não foi um bairro dos mais tranquilos. E há pouco tempo em minha casa também haviam rondas, de seres humanos estranhos. Não os abordei por recomendações da reserva, posso ser o delegado Swan, mas a morte de um humano para um vampiro é como tirar doce de criança.
— Então, eu realmente não estou segura.
— Luna, as coisas mudaram muito agora. Diante de tudo o que você diz... Lembra da oferta sobre morar na reserva?
— Sim Billy. 
— Junte suas coisas, você volta conosco hoje mesmo. E amanhã bem cedo começaremos a construção da sua cabana. Até lá você fica em minha casa, que é a mais vazia. E não tem discussões.
Billy se retirou em direção a cozinha de Charlie, acompanhado de Sue. Eu estava atônita. Não falei nem mesmo metade do que pretendia, mas em poucos minutos perdera com poucas informações a autonomia de minhas decisões. Se eu queria me mudar para a reserva? Lógico. Sempre quis. No entanto, não era o que eu desejava no momento. Meus planos de me desligar dos quileutes, em especial de um deles, iriam por água abaixo. Eu encarava a mesa em frente ao sofá atônita e sem reação, quando Charlie se pronunciou:
— Venha Luna, vamos pegar algumas das suas coisas em sua casa. Eu te acompanho.

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