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ELEH - CAP. 1




Chegada

       Forks. Uma cidadezinha terrível comparada à Phoenix. Até mesmo para Isabella Marie Swan que nunca fora fã do entusiasmo natural de Phoenix. Nunca imaginei que pudesse existir um lugar tão monocromático. Erick e eu terminávamos a arrumação de toda a minha mudança. Conheci Erick precisamente há umas três semanas. Ele estagia na delegacia da cidade, muito cortês e gentil começamos a nos tornar amigos. Ou um pouco mais do que isso, mas ainda é cedo para transformar isso em uma narrativa apaixonada.
          Quando eu recebia as poucas notícias de Bella por e-mail, ela sempre citara a monotonia de Forks de uma forma exagerada. Talvez até fosse, o fato é que, em cidades pequenas novos moradores tornam-se uma atração. Em alguma época distinta, Bella citou poucas vezes um lugar chamado La Push, do qual me parecia deixá-la muito à vontade. Estou ansiosa para conhecer então a tal reserva quileute. Erick disse-me ser uma reserva indígena e muito antiga, talvez até mais antiga do que a própria cidade. Eu não consigo imaginar Bella em um lugar como esse. Na verdade não consigo assimilar nada que pudesse atraí-la para uma reserva indígena. 
          Estava um sábado de tarde fria. Erick não trabalharia e havíamos combinado de sairmos à tarde, se não fosse um chamado de emergência de seu chefe Charlie Swan, que atrapalhou o combinado. Eu gostaria de conhecê-lo, o pai de minha amiga, mas isso teria de ser iniciativa dela. Então Erick saiu e eu peguei as chaves do carro e dirigi até a casa de Bella. Eu não tinha o endereço, mas as pessoas da cidade indicaram o lugar. 
          Chegando lá ansiosa para reencontrá-la fui me aproximando cautelosamente da casa. Subi as escadas da varanda e bati à porta. Uma, duas, três vezes, mas ninguém atendia. Fui às janelas fechadas assim como as cortinas tentando observar o lugar. A casa apesar de organizada – não como se ali existisse uma família constituída por mulher, filha e marido, mas organizada como se fosse inabitada – estava de fato vazia. Estranhei e voltei ao meu carro. Sem ter muito o que fazer, afinal, eu não conhecia nada e ninguém pedi a população discreta pelo caminho, indicações de como chegar à praia de La Push. 
          O lugar apesar de inóspito e descolorido tinha um ar paradisíaco e sombrio. Chamou-me atenção algumas rochas na areia, próximas ao mar. Caminhando distraída bati em algo que me cativou ainda mais a atenção. Grande com peitoril largo, pele incendiada tanto na cor quanto temperatura, cabelos curtos negros, um homem me fitou parado e surpreso. Talvez não tivesse me visto, o que não era surpresa, ele era realmente enorme. Fiquei encarando o peitoril atraente à minha frente hipnotizada e as mãos dele seguravam-me firmes pelos braços, então ele deu uma risada abafada e discreta ao perceber minha hipnose. Embaraçada não consegui formular uma frase que fizesse sentido.
– Desculpe. Distraída com o mar, é lindo aqui. Não vi à frente. – disse tudo muito rápido, sem ponto ou vírgula. Vergonhoso. 
– Como? – ele me perguntou indiferente no olhar, mas sem parecer hostil. Em seguida me soltou.
– Ãhn... Eu estava distraída com a beleza do mar e não o vi se aproximando. Desculpe. – eu parecia sufocada, mas consegui parecer normal.
– Claro. La Push é realmente linda. – sua voz melodiosa trovejava apesar de não ser assim tão grossa. – Não se preocupe, na verdade a culpa é minha, eu devia olhar para baixo, você é relativamente baixinha. 
– Não te passa pela cabeça que você seja grande demais? Tipo, acima da média? – eu não costumava ser grosseira, mas foi ele quem me insultou primeiro. Claro que ele não mentia, mas ainda assim.
– Tem razão. Desculpe. – ele disse sem sorrir ou demonstrar a menor simpatia. Ficamos nos encarando curiosos, como se um analisasse o outro.
– Tudo bem. – eu disse sorrindo fraco, a fim de descontrair o clima denso entre nós. – Luna Bedingfield. – eu falei estendendo a mão.
– Jacob Black. – ele apertou minha mão ainda sem sorrir. Mas reconheci o nome.
– Jacob Black? – eu fitava-o duvidosa tentando me recordar porque aquele nome era-me tão familiar. – Jacob, Jacob, Jacob... 
– Sim. Me conhece? –  ele estava curioso.
– Não diretamente. Mas sinto já ter escutado o seu nome. 
– Bom, deve tê-lo escutado por aí. Todos nos conhecemos em La Push.
– Não, não foi aqui. Eu acabei de chegar à cidade e é a primeira vez que venho aqui. 


          Um silêncio torturante se estendeu. Novamente o clima denso entre nós, talvez fosse apenas uma impressão minha por causa do frio e do clima ainda mais denso das nuvens misturadas ao ar e maresia. Falando em frio, aí está algo que Jacob não deveria sentir, afinal como ele consegue ficar sem camisa enquanto eu estava abarrotadamente agasalhada? Com certeza ele tem alguma peculiaridade, mas por minha vez, eu nunca fora também um exemplo da normalidade.
– Bem, de qualquer forma seja bem-vinda à La Push. – ele disse se virando e saindo sem mais nenhuma formalidade. 
          As pessoas daqui deviam ser educadas, pois ele fora educado, mas bem antissociais. Agora começo a assimilar porque Bella gostava tanto daqui, ela era a pessoa mais antissocial que eu conhecia. Epa... Era isso! Bella me falou dele. Enquanto ele andava eu gritei:
– BELLA! – rapidamente ele se virou, com expressão de raiva e desconforto. – Isabella Swan me falou de você. Sabia que seu nome era familiar! 
– Argh! – ele resmungou ou rosnou, na verdade não entendi bem, me deu as costas e saiu ainda mais apressado. De repente voltou. – Há quanto tempo ela falou sobre mim? – agora ele estava desconfortável, curioso e ansioso, e seu corpo tremia um pouco. 
– Há alguns anos. Dois ou três. Não nos falamos há muito tempo. Mas... – antes que eu pudesse terminar ele saiu correndo pelo pequeno bosque atrás das rochas e à margem da estrada.


          Não compreendi nada do que ocorrera ali, estava zonza. Fui até as rochas e sentei-me. Adormeci involuntariamente ali. Acordei com outro rapaz me chamando, alto e bonito também como Jacob. Bastante parecido fisicamente. O frio gélido cortava meu rosto e o sussurro do mar uivava o princípio de noite. Me senti assustada. Não conseguia abrir meus olhos. Ainda sentia-me cansada e exausta, afinal eu havia trabalhado muito em casa naquela manhã e não descansei depois disso. Então o homem se pronunciava sacudindo-me levemente:
– Ei. Moça? Você está bem? – abri os olhos com certa dificuldade e pude ver nitidamente seu rosto após algumas piscadelas. Um belo rosto e olhos profundos. 
– Sim. Estou bem. 
– O que faz aí há essa hora? 
– Eu andava pela praia e sentei-me nas rochas. Não me percebi adormecer. Quais as horas?
– É um pouco tarde. Beirando às oito horas da noite. 
– Certo. Preciso ir embora agora mesmo! – então notei a escuridão e somente a lua fraca refletindo o mar. – Céus! Como vou encontrar meu carro nessa escuridão? 
– Acalme-se. Eu ajudo. Primeiro temos que descer, venha. – o rapaz pegou minha mão, me guiando por entre as rochas. Descemos à areia e ele perguntou: – Consegue ter alguma ideia de onde deixou seu carro? 
– Não andei muito. Estava há uns cinco metros das rochas quando encontrei Jacob.
– Jacob? Conhece-o? 
– Não exatamente. Trombamos mais à frente e acabamos nos conhecendo.
– Certo, vamos. – ele foi me puxando e eu não enxergava nada. De repente estávamos ao lado do meu carro. Como ele podia enxergar algo naquele breu? – Esse é seu carro? 
– Sim... Mas como? ... Enfim, obrigada. – desisti de perguntas inúteis. Era tarde e eu estava com um estranho, até simpático, mas ainda assim precisava ir para casa. 
– Consegue encontrar o caminho de volta?


          Olhei em volta, a estrada era reta, mas eu não tinha mais certeza de como voltar. Afinal eu fui até lá seguindo indicações, talvez se estivesse mais claro... 
– Na verdade eu ficaria grata se pudesse me explicar... – sorri sem graça e o rapaz riu.
– Tudo bem, eu te levo de volta. Importa-se? 
          Poderia ser perigoso afinal eu não o conhecia, mas eu não tinha muitas opções. Ou aceitava ou corria o risco de me perder na estrada e passar a noite com o carro no meio do nada, e isso me assustava muito mais.


– Claro que não, fico muito grata. 
          Entramos em meu carro. A luz de meu automóvel deixou as características físicas do estranho ainda mais evidentes. Era tentador, não tanto como Jacob, mas perdia por décimos para ele. Para piorar a minha situação ele também estava sem camisa. As pessoas de La Push não têm roupas? Não sentem frio? Eu devia vestir uns dois casacos grossos de lã! Isso incentivou o retorno da minha hipnose. Não posso voltar à La Push se for dar de cara com tantos peitoris como aqueles! Seria demasiadamente vergonhoso. Percebendo o meu devaneio –  o que fica muito perceptível tratando-se da minha careta –  ele dispôs a mim sua mão e apresentou-se.
– Prazer, meu nome é Embry Call. – indiscutivelmente simpático e bonito, com dentes brancos e afiados como de cães. 
– Luna Bedingfield. Muito obrigada pela ajuda. – sorri simpática e um pouco sem graça.
– Não há de quê. Nota-se que você é nova na cidade. – afivelamos os cintos e ele ligou o motor. – Se lembra pelo menos do seu endereço? 

          Ele ria divertido pedindo desculpas em seguida. Eu também ri afinal que espécie de pessoa sou eu que sei ir aos lugares mais não sei voltar? Isso se chama falta de atenção, algo não muito comum a mim.
– Então Embry... Moro em um lugar bem inóspito. Sabe a estrada sul saindo da cidade? 
– Sim, estamos nela. – eu olhei-o confusa enquanto ele abafava uma risada. – Esta é a estrada sul. Estamos a 80 km da saída da cidade. – agora ele ria debochado de mim, ainda confusa.
– Bem, eu sei disso. – disse tentando parecer menos ridícula. – Eu só queria te falar para pegar o norte da estrada sul. – tem coisa mais patética de se dizer? 
– Ah sim! – ele dizia tentando ficar sério. – Desculpe, mas você é realmente engraçada.
– Certo. Acho que estou mais para patética. – ele olhou-me em sinal de reprovação, como se não gostasse do que eu dissera. – Então... Sabe a casa do delegado Swan? 
– Mora perto? 
– Não muito na verdade. Uns 15 km. 
– É sei onde é. Você mora no antigo bairro Kalil. O que te fez comprar uma casa em um lugar tão abandonado? Não sei se você sabe, mas é a única moradora de lá agora.
– É eu percebi isso desde que cheguei. Infelizmente foi o único bairro onde eu pude comprar uma casa. O fato de não ter habitação me fez pagar uma mixaria por ela. Mas porque é desabitado?
– Bem... Forks tem muitas lendas... Logo você saberá. – ele dizia tranquilo. – E então Luna, há quanto tempo chegou?
– Comprei a casa há umas quatro semanas, mas somente há três me mudei de fato. 
– E você mora sozinha? 

          Fiquei receosa de responder. Pensei que talvez pudesse não ser adequado responder isso a um estranho. Mas, Embry já não era estranho. Pelo menos eu sabia seu nome e onde encontrá-lo. E depois, se fosse para ele me fazer algo ruim, bom... Essa informação seria ridícula, ele estava me levando à minha casa! Uma atitude muito irresponsável da minha parte. Porém eu não sentia que Embry fosse alguém do qual eu devesse correr, isso me parecia sentir por Jacob.
– Sim. Mas Erick me faz companhia e estou providenciando um bom cão de guarda.
– Eu sou um ótimo cão de guarda. – não entendi o que ele quis dizer, Embry gargalhava alto e aquilo me assustava. – Piada interna. Um dia quem sabe, eu te explico? – ficou sério em seguida.
– O que me denunciou? – perguntei de supetão.
– Como? – ele me olhou de esguio confuso. 
– Quando você disse "nota-se que você é nova na cidade" o que me denunciou? Quero dizer... Foi só pelo fato de eu não saber onde estou, de onde vim e para onde vou? – ri discreta e ele olhou-me com ternura sorrindo. 
– Seria o suficiente. Mas na verdade quando eu disse isso, ainda não tínhamos descoberto que você está completamente perdida. Eu percebi pelo fato de nunca antes tê-la visto em La Push ou dentro da reserva. Eu com certeza não deixaria você me passar em branco. – senti meu rosto arder e propus estar corando, algo muito comum a mim. – E eu percebi ainda mais, na verdade primeiramente, pela sua pele. – fiquei boquiaberta.
– Como assim? 
– Com exceção de nós quileutes, os habitantes de Forks não são muito bronzeados. – ele dizia parecendo óbvio.
– Ah sim. Isso é porque a reserva de vocês tem privilegiadamente uma praia em seus territórios?
– Hmmm. Não. – ele ria. – Não sei se percebeu, mas Forks não é muito quente, o sol se esconde daqui. 

– Bem, ainda estamos no inverno. – eu disse convincente.
– Ele se esconde. Você verá. – rimos. – De onde você vem Luna? É bem diferente das garotas daqui, vai perceber logo isso.
– Posso considerar isso um elogio? Sou de Phoenix.
– Com certeza! Os rapazes vão confirmar o que eu digo. – ele disse piscando sedutoramente e eu corei novamente. – De onde disse conhecer Jacob?
– Da praia mesmo. E eu não o conheço de fato. Uma amiga me falou dele.
– Uma amiga? – Embry parecia deslumbrado e tinha um olhar sacana. – Muito interessante! 


          Embry ia dizer algo, mas eu o interrompi antes. Foi mal educado, mas espontâneo, quando percebi já havia feito e me desculpei por isso.
– Vocês são parentes? – eu disse como uma repórter.
– Hmmm. Sim. Na reserva a maioria de nós somos parentes. 
– Vocês são irmãos?
– Praticamente. 
– Praticamente? Isso não soa muito afirmativo. 

          Então eu me indaguei internamente: Praticamente? Usa-se esse termo quando queremos dizer que é, mas não se é de fato. Deduzi que talvez fosse algo do tipo "de consideração".
– Tem razão. Sim somos irmãos. – ele disse dessa vez, convicto. Arqueei uma sobrancelha a ele em tom de dúvida, mas não dei muita importância a isso. Ele sorriu e continuou. – Essa sua amiga... Qual é o nome dela? Talvez eu a conheça.
– Com certeza deve conhecer, pelos emails que ela me mandava parecia que Bella estava quase se tornando uma residente da reserva! – eu ria. 

Embry então arregalou os olhos e ficou impossivelmente pálido. 
– Algum problema? – perguntei.
– Como disse que ela se chama?
– Isabella Swan. Filha do delegado Swan... Charlie não é?
– Eu a conheço sim. Veio por causa dela? – olhava-me de soslaio mais contido.
– Quase isso. Talvez eu possa dizer que "praticamente" isso. Nosso último contato foi há uns dois anos se não me falha a memória, por e-mail. Desde que ela mudou-se de Phoenix, não a  vi mais. Só podíamos nos comunicar pela internet. Ela deu uma sumida sabe? Então eu fui mandando emails para ver se algo havia acontecido e vez ou outra ela passou a me mandar também. Muito raramente. Como terminei minha faculdade ano passado, e fiquei bem curiosa para conhecer a "Forks" que sequestrara Bella, vim em um rápido passeio. Conheci uma senhora chamada Sue, na cidade. Conversando descobri que havia vagas de emprego aqui para meu cargo e então reuni minhas coisas e aqui estou. Tenho muita vontade de rever Bella. Sabe onde posso encontrá-la? Fui à casa dela, mas ela não estava lá.
– Nem vai estar. Bella se mudou. Há algum tempo que ninguém mais a vê.
– Nem Charlie?
– Ele não gosta nem de falar. 
– Ela voltou a morar com Renée? 
– Luna, Bella se casou. Foi embora com a família do noivo. É como se ela nunca estivera em Forks.


          As palavras de Embry... "como se ela nunca estivera em Forks"  fizeram um arrepio correr em minha espinha.
– Jacob não gostou quando falei dela. – fui cavando sobre as pistas.
– Bom... É melhor você não falar mais nela. Pelo menos não com ele. É doloroso. 
– Acho que sim... Ele saiu correndo e rosnando. 
– Rosnando?– Embry mantinha o olhar fixo na estrada, mas um pouco intrigado.
– Resmungando é lógico, mas – comecei a rir – parecia um rosnado, como um lobo. – eu continuava rindo e Embry muito sem graça, acompanhou-me com um breve riso. – Ele... Hãm... Como posso dizer... – vi o rosto de Embry empalidecer um pouco, muito imperceptivelmente. E suas sobrancelhas se unirem como se ele estivesse pronto para ouvir alguma reprovação, isso fez com que eu ficasse ainda mais sem jeito. – Bem, esquece! 
– Fale! Pode falar. Ele o quê? Ele fez algo?
– Não exatamente. – antes mesmo de eu poder continuar a falar, em um súbito Embry me interrompeu. 
– E então? – seus olhos eram aflitos. Fico pensando o que ele esperava que eu dissesse.
– Bem, me desculpe afinal ele é seu irmão. Mas, Jacob me parece ser antissocial.


          Embry aliviou-se por completo. Pude perceber pelas suas mãos que soltaram levemente o volante e por seus braços que antes estavam enrijecidos, com os músculos contraídos.
– Sabe Luna, Jacob sente amargura. Ele era apaixonado por Bella, mas então... As coisas tomaram rumos diferentes. Ela deve ter te comentado algo sobre isso, não?
– Na verdade não. Bella nunca fora o tipo de garota que falava em namoradinhos ou paixões. Mesmo com sua única amiga.
– Única? – fitou-me ele surpreso.
– Bem... Bella é bem antissocial, por isso que eu achei que ela tivesse se sentido tão atraída por La Push. Seu irmão me pareceu assim e imaginei que todos por lá fossem igual.
– Acho que não conheci a mesma Isabella que você. Ela era quieta, mas era sociável do jeito dela.
– Com certeza a mudança para Forks mudou muito a personalidade da minha amiga. E La Push deve tê-la feito muito mais feliz que o de costume, imagino.
– Sim. Bella mudou muito por aqui, mas não acho que a reserva a fez feliz... Eu diria talvez, apenas confortável.


          Sorrimos um para o outro, tímidos e havíamos chegado à minha casa. Não percebemos o tempo passar. Embry abriu a porta e desceu não me deixando abrir minha porta. Ele mesmo fez isso e ainda me deu sua mão para sair. Um cavalheiro. Eu esquecera as luzes da varanda apagadas, pois saí ainda cedo e não imaginava demorar. Embry olhou em volta e como se estivesse esperando algo passou o braço a minha frente, pedindo para eu esperar.
– Eu acho melhor eu ir à frente se não se importa. Está muito escuro e bem... Você sabe que estamos a sós. Ou pelo menos devíamos estar. – Embry olhou-me de uma forma que não me dava opções. Como se fosse uma ordem e assim eu não contestei. – Pode me dar a chave da casa? 
– Hãm... Sim. – eu procurava em minha bolsa o meu chaveiro de cãezinhos. Ao achá-lo entreguei-o a Embry um pouco nervosa. – Aqui está.
Ele deve ter percebido que eu estava um pouco apreensiva. 
– Desculpe Luna parece que estou te assustando. Eu só quero mesmo verificar se não há perigo para você. – disse segurando minhas mãos e eu apenas assenti. – Olha fique dentro do carro está bem? Eu irei lá, acenderei as luzes e volto para te acompanhar.
– Certo. 


          Enquanto eu observava Embry avançar percebi que ele cheirava o ar. Achei aquilo deveras estranho. Talvez estivesse apenas respirando fundo. Ele mantinha-se contraído da cabeça aos pés, como em posição de guarda. Entrou, acendeu as luzes da casa, demorou um pouco, voltou e abriu a porta do carro para mim.
– Está tudo certo! Nem cheiro de... Quer dizer, nem sinal de perigo. 
– Aceita um café? 
– Aceito. Em outra ocasião. Agora eu preciso ir. 
– É verdade está ficando tarde... Espera... Como você vai voltar? 
– Isso não é problema! Eu sou bem rápido e conheço bem a região. – ele sorria. De repente ele ergueu uma sobrancelha, me fitou por um minuto e abriu a boca: – Onde está o tal Erick? Seu namorado... Você não disse que ele a fazia companhia?
– Ah é! Bem ele deve estar na delegacia. Talvez em casa. Talvez haja algum recado na minha secretária. Ele me faz companhia de vez em quando. 

          Imaginei que o fato de ter colocado Erick como meu namorado pudesse ter sido uma estratégia de Embry para tirar tal dúvida, mas acho que não. 
– Nós não somos namorados, só amigos. – deixei claro, pois não éramos. Talvez estivéssemos nos tornando um pouco mais que amigos, mas bem menos que namorados.
– Se quiser posso ficar aqui. Claro, não quero que pense mal...
– Tudo bem, eu agradeço! É melhor você ir. Mas pode ser perigoso, então vai com meu carro!
– Não precisa Luna. Ainda assim, fico grato.
– Tem certeza? Não precisarei mais dele por hoje.
– Tenho!
– Sendo assim eu te acompanho até lá fora.
– Sendo assim você me acompanha até a porta, tranca a casa toda e vai descansar! Vou deixar meu telefone com você pode ser?
– Claro! – peguei uma agenda e caneta ao lado do telefone no balcão. 
– Bem, é isso. Caso precisar pode me ligar a qualquer hora. E eu falo sério. Fico um pouco... Preocupado com você aqui só. Parece muita loucura para quem acabou de te conhecer?
– De forma alguma. Até porque se for, então estamos ambos loucos. 

          Ficamos nos olhando sorridentes. Embry beijou minha testa e eu o acompanhei até a porta como ele fez questão. Verifiquei mesmo todas as trancas da casa, não queria admitir a ele, mas tenho medo de ficar sozinha aqui. É realmente um lugar ótimo para um crime silencioso. Isso me lembra que preciso descobrir sobre as tais lendas, que Embry não quis me contar, sobre esse lugar. 
          Fiquei pensando em Bella, nas coisas que eu descobri hoje. Eu quero procurá-la, mas talvez fosse melhor não. Se ela fez questão de sumir sem dar explicações, talvez eu não fosse importante para ela. Isso me magoa, mas devo pensar na minha nova vida em Forks. Na vaga de emprego que pretendo preencher segunda feira. Espero. Agora eu vou dormir. Se eu conseguir é claro, estou olhando o teto há algum tempo e não consigo parar de pensar no dia mais bacana que tive desde que cheguei. Será pela linda reserva La Push ou por ter um novo amigo tão legal como Embry? Será que ligo para saber se ele chegou bem? Amanhã. Amanhã cedo faço isso. Sem dúvidas, Embry é cativante e começo a achar que será difícil andar distante dele. E isso significa muitas visitas à reserva. Um tempo apegada bastante à praia de La Push. Bella tinha razão, coisas maravilhosas estão escondidas por lá.


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