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A Melhor Noite Sem Você.

São exatamente duas horas da manhã e aqui estou tentando rabiscar algumas linhas tortas que possam definir ou justificar esse recorte de nosso enlace.
Conhecemo-nos há tanto tempo e tantas vezes fomos lançados em ondas distantes. Contudo sempre remamos ao encontro um do outro. Mas, por quê, justamente no melhor dos encontros não tivemo-nos inteiros? 
Naquela manhã eu pensava incessante em todos os momentos cinematográficos do nosso namoro. Três meses sem dar uma explicação, sem um resposta, um indício de que ainda existisse algo entre nós. Foi de um silêncio ensurdecedor. Eu juro que tentei de todas as formas compreender seu afastamento, compreender a minha escolha cega. O fato é que não havia esperança. 
Como quando você chega no fim de um caminho e encontra nele um abismo, um buraco irreconhecível que não o levará para nenhum outro lugar.
Sem rumo. Era assim que passei a enxergar a nossa relação depois de tanto tempo no vácuo. Quando alguém se ausenta da vida de outra pessoa tão firmemente e tão inexplicavelmente, esse alguém deixa de fazer falta. Não é o meu caso, afinal ninguém imagina ou imaginará a falta que senti dos seus toques, dos seus sorrisos e até das suas lágrimas quentes escorrendo em minhas mãos. Porém, isso explica ainda  desfocadamente, todas as escolhas que eu fiz.
A melhor noite foi sem você. Sem os seus sussurros, sem os seus risos, seus toques, seus beijos e carinhos. Sem o seu cheiro. E pode ter certeza, essa não foi nem de longe a melhor noite, mas ainda que desprazerosa, eu falhei. Essa devia ser a sua noite. A nossa noite. 
Ao vê-lo abrindo aquela porta, com seu olhar tão aflito e um sorriso tão sem graça, carregando flores tímidas à minha busca, uma dor pungente invadiu meu coração.
Eu estava ali deitada ao lado de alguém que entorpecia meus maiores sentimentos por você e denunciava a minha descrença em nós, a minha fraqueza em suportar o medo de perdê-lo. Eu não tinha perdido-o. Você voltara para mim, com todo o nosso futuro na bagagem e nosso destino dentro de uma caixinha, depositado em um relicário tão sóbrio.  
Eu quebrei o cristal da confiança. Eu fui desleal e covarde. Mas a melhor noite não foi sem você. Não houve a melhor noite e nem haverá. O que houve foi uma noite de anestesia falsa. Uma anestesia que não foi capaz de impedir-me de sentir dor, ódio e arrependimento. Eu te amo. Sempre te amarei. E deixo esse pequeno envelope selado, com palavras choronas em cima da mesa da sua nova casa. 
PS: Você tem uma linda família, esposa e filhos. 

Beijos do seu passado tão errado.

Por, Rayanne Nayara .
Texto para a 106° Edição Cartas do Bloínques.

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