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Se há alguém aí.



Eu ainda sou uma garotinha. Esperando sentada, um ônibus para qualquer lugar.
Qualquer lugar que faça com que as minhas meias furadas pareçam algo normal. Algo legal.
Implorando misericórdia a qualquer ninguém por ser uma boa menina ou talvez má.

O príncipe, aquele otário, aquele idiota de quem a madrasta da Branca de Neve deveria comer o coração.
Coitada da Branca, ela não podia sonhar. 
Nem eu. Os letreiros que vejo dizem "Proibido os sonhos."

O príncipe metido e arrogante que não dá as caras ou chega atrasado: um chute no traseiro dele.  Chamem os garotos normais! Os lerdos, mas normais. Os bobos, mas normais. Os feios, mas normais. Os burros, grossos, tímidos, nerds, gordos, os defeituosos, mas normais. Por favor suas libélulas hipócritas esqueçam o príncipe das fadinhas burras, ele não passa de um esnobe com um enorme vazio.

Se há alguém que possa ajudar, a minha criança, a parte de mim que não cresceu, pede um pouco de sagacidade para sair desses túneis estúpidos, onde todos seguem em fila indiana. A minha criança, a menina poeta que cresceu e sabe sofrer um drama Shakesperiano, essa tola amante alegre de tudo, ela só pede uns trocados pagos em sorrisos e abraços.

Por, Rayanne Nayara.

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