Pular para o conteúdo principal

Droga Esplendíssima


Estive lendo e li um livro.
Assim como tantos outros que leio, esse também aguçou-me os sentimentos. Sentimentos que tomaram-me até engrossarem-se pela garganta.
A sensação sentida palavra após palavra, a expectativa do final... Ah, é a sensação mais deliciosa que já experimentei. Se ousadia for, ainda sim, coloco-a por dizer : é a melhor das drogas.
Lendo-me assim, até poderiam supor que eu seja perita nas drogas oferecidas pelo mundo. E de certa forma o sou. Das drogas experimentadas: a droga das músicas, dos sabores, dos romances, dos abraços e relações. A droga da beleza, cujo esta eu me pego a contemplar-me sempre. Nenhuma leva-me ao êxtase que me entrego às absorções dos livros .
Nenhuma das drogas de minha vida, conseguem passar-me reações tão deleitosas, quanto a droga oferecida pelas leituras.
Como pode, alguém prazerar-se com golpes tão profundos e dolorosos e ainda sorrir-se em vivê-los, como os golpes dados pelas palavras?
Indago-me a compreender que mesmo devorando maliciosamente do meu vício,  por que sinto-me tão néscia por vezes ? Por que sinto-me como uma tola por amar as penas antigas, as tintas das páginas, as sintaxes ? 
Talvez porque apresenta-se em mim um resquício de medo. Um medo de não ser compreendida, o medo de quando for a minha vez, acabe por pegar poeira e traças nas estantes e prateleiras.
Ainda assim, descrente do amor literário das gerações seguintes, eu sei que sempre haverá alguém como eu.
Que assim como eu, que converso com Machado, Alencar, Castro, Alighieri, Clarice ( Óh Clarice, amiga tão íntima de minhas sofreguidões), Fernando Pessoa, também conversará comigo, presente em vida ou não. Ainda que veja a minha língua rebuscada ou coloquial demais, ainda não o sei, pois cá não tenho o dom da vidência, estará lá alguém a conversar comigo. A ouvir o que eu digo, sendo eu a pessoa ou tratando-se de outro eu-lírico.
Escorre-me na face algumas lágrimas, pois o ardor dos meus sentimentos são de forma tão calorosos e sútis, que encontro-me a percorrer o relógio, buscando o passado. 
Céus ... como eu ficaria feliz! O que eu não daria para volver-me há séculos atrás e viver. 
Viver toda a esplendidez de outros tempos. 
Mesmo que meus amigos afastem-se de mim, por minhas palavras ou falta delas. 
Mesmo que minha família decepcione-se comigo por minhas escolhas. 
Mesmo que todos virem suas caras e caretas para minha lânguida imagem. 
Ou ainda que eu me feche a esperar a dizimação já profetizada, eu não estarei sozinha. 
O que lhes direi é verídico, podem até ofuscar minhas linhas, mas a presença daqueles que me confortam e me ensinam através de sua arte mestra, estarão comigo até o fim de meus dias. 
Eu passo e passarei a minha vida lendo. E orgulho em dizer aos boçais que discordarem : A melhor droga do mundo é a leitura, pois ela é uma conversa ampla. Embora achem que não obterão respostas, é porque não falavam sobre o mesmo assunto.
Toda escrita fala, pergunta e responde. Toda leitura é uma droga esplendíssima.


Por, 






Comentários

MAIS LIDAS

Sobre fanfics 'oneshot' .

Comecei a ler fanfiction aos meus treze anos de idade, na época em que ainda existia no orkut (céus, como você é velha) aquelas comunidades de "Web Novelas". Iniciei as leituras virtuais com as tais web novelas, que na minha opinião atual eram um pé no saco, pois a plataforma do orkut não permitia uma postagem em página única. As autoras postavam os capítulos através de comentários nos fóruns. Logo, ocorria uma mistura infinita de capítulos da história com comentários de leitoras. Tudo dentro de um mesmo fórum.  Enfim... Quem viveu saberá do que estamos falando aqui, e tchananãn.

Criaram por fim, as fanfictions (ficções de fã) que eram postadas em sites de hospedagem de página HTML, como por exemplo, o vilabol e geocities (R.I.P).  Foi um achado, gente!  Porque você escrevia sua história toda, criptografava em HTML, e a história ficava no padrão atual de postagem. Ah! E havia a possibilidade de ser interativa, o que na época era um babado! Assim que encerraram a disponibili…