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A ponte.







Ele esperou na ponte, a névoa era densa o suficiente para cegar. 
Mal podia distinguir onde estava. Apenas sabia que ali marcaram.
Nem um som, nem vento. As águas do rio abaixo também não corriam.
Era noite, mas para madrugada.
Na verdade também não poderia dizer, já que mal havia dormido.
Então escutou barulhos no silêncio.
TOC TOC TOC TOC .
Ela chegou.
_ Eu já estava nervoso.
_ Não mais que eu.
_ Pode dizer-me o propósito desse encontro?
_ É uma despedida, não havia percebido?
_ Sim, mas tive esperanças ...
_ Então é só.
_ Só?  Então você me faz sair de casa no meio da ...
_ Já vai amanhecer.
_ Sim, na madrugada. Não dormi. Estou cansado e você me faz vir aqui, para dizer que é uma despedida e só?
_ O que quer que eu faça?
_ O que você queria fazer me chamando aqui?
_ Eu não sei.
_ Se eu pedisse para ficar ?
_ Eu...
_ Mas eu não vou pedir, perdi a conta de todas as possibilidades que lhe dei para ficar. 
_ Porque veio?
_ Eu já disse. Tive esperanças.
_ Posso então te abraçar?
Antes mesmo dele responder, ela voou em seus braços. Abraçou chorosa apertando forte as costelas do rapaz. Ele repetiu o gesto e beijou-a.
A menina soltou-o. Correndo foi até a alça da ponte, pegou o peso em seus pés. Olhou para trás e sorriu.
CHUÁAA...
O corpo afogou-se.
O rapaz deu as costas chorando e saiu. Logo o dia mostrava seus primeiros raios felizes de sol.

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