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Meu mar.





Fui parar em uma ilha.
Deserta.
Passei um tempo a sós com a brisa e o mar.
Faltava algo. Faltava você.

Escrevi uma mensagem  e coloquei em uma garrafa. Joguei às ondas.
Ela voltou.
Escrevi outra mensagem  e coloquei em uma garrafa. Joguei às ondas.
Ela voltou.
Escrevi uma terceira mensagem  e coloquei em uma garrafa. Joguei às ondas.
Ela voltou.
Repeti tal atitude algumas outras vezes.
Todas voltaram. 
Então percebi, que você não queria vir. Mandou de volta as minhas mensagens, sem responder.
Mandou de volta as minhas mensagens, sem responder?
Pude escutar o sussurro do mar me dizendo: 
"_Jogue tantas outras garrafas e todas irão voltar. Pois eu não as quero levar."
Sorri. Depois gargalhei. Depois apenas observei.
Perguntei então às águas: 
"_Porque não me prestas esse favor?"
E ele: 
"_Porque preciso da tua companhia. Antes de você, tudo era monotóno,me entristecia. Depois de você, não há um só dia que minha margem se acalme. Minhas ondas batem na areia tentando te alcançar. Você fica sentada longe de mim. Quando você se  aproxima, eu me perturbo e lanço-me meu sal. Você corre e fica longe de novo."
Então indaguei-me:
"Mas como pode? O mar não fala. O mar não sente."
Foi aí que saindo das águas eu o avistei, era grande, bonito e posava como rei.
E ele frustrado com o que eu havia dito respondeu-me:
"Mas como pode? Pode porque antes o mar, antes eu, não sabia amar." 
Fitando-me e eu olhando-o admirada, pude ler nos seus olhos marejados e salinados, que ele me amava. 
E se ele foi o único que me fez companhia por todo o tempo que preferi passar ali; se ninguém mais me procurara e somente ele ficara ali comigo. Refrescando-me com seus espirros de marisia, era somente porque me amava e era o único que sabia como amar-me. 
Então eu respondi:
"_Obrigada, eu ficarei então contigo. Netuno."

Por, Rayanne Nayara

*Essa história ficou meio maconha, eu sei. Mas surgiu de uma forma engraçada. Quando eu fui à praia, sentei-me na areia bem em frente ao mar. Fiquei ali sozinha, admirando-o. Eu sou louca pelo mar. As ondas  avançavam cada vez mais enfurecidas como se quisessem pegar-me. Eu sempre consegui refleti e obter minhas respostas enquanto olhava-o. De repente pensei: "Oceano, és oúnico que me entende e que me aceita." E a história veio. Um homem, representando o mar e toda a sua sabedoria, malícia, reino e beleza surgiria das ondas e encontraria uma pequena, frágil, complexa e  simpática mulher sentada à sua beirada. Aguardando-o que  ele respondesse suas dúvidas e compartilhasse seus pensamentos. É isso. 

Beijos, Raay :*

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