25 dezembro, 2013

Contos de Natal

Tais contos que irei contar-lhes não tem nada a ver com o clássico "Conto de Natal". Não há fantasmas de natais passados, presente ou futuro. Embora, talvez, possa concluir-se que eles existam, e estejam presentes nas lembranças narradas.
Intitulo o primeiro conto como: "Noel existe! Eu o vi!" e mais uma vez, minha mãezinha participa dessa lembrança.





Noel existe! Eu o vi!
Natal de 1996, Belo Horizonte, Eldorado. A pequena garotinha de quatro anos aguardava ansiosa à chegada do vovô Noel. Como conta sua mãe, a ceia já havia sido servida à menina, mas ela recusava-se em dormir antes de ver o papai Noel. Naquele ano a pequenina escritora havia pedido uma boneca ao velhinho. Não sabia escrever, mas desenhou sua cartinha. Uma cartinha que tinha apenas desenhada: uma enorme árvore enfeitada, Noel, os familiares, o poodle Gugu aos pezinhos da criança e a boneca em seu colo. 
As horas passavam e a criança sem sono decidiu brincar. A mãe tentava atraí-la para o sono argumentando: 
" _ Se você não dormir ele não virá".
E ela perguntava inocentemente:
" _ Por quê?".
" _ Porque senão quebra a magia do natal."
Mas a criança havia esperado muito para vê-lo e estava decidida.
"_ É só uma espiadinha."
"_ Tudo bem, mas se ele não vir logo, você vai para cama, certo? São muitas casas filha, ele pode se atrasar. Prometo que te acordo quando ele chegar!"
"_ Tá bom!"
A criancinha teimosa pegou seu "velotrol" e levando-o até o quintal dos fundos foi pedalar. 
Não se sabe ao certo quanto tempo ela ficou ali aguardando a chegada do bom velhinho, quando de repente ela ouviu de longe: "Hô-hô-hô!"
Sua mãe veio ao seu encontro: 
"_ Vem filha!  Ele chegou! O papai foi ver se ele está lá fora!"
E ali iniciou-se a correria pela casa a procura do velho Noel que escondia-se muito bem. Quartos, cozinha, banheiro... Algumas perseguições e ao retorno à árvore, lá estava seu presente. A boneca que ela queria. 
"_ Mamãe!"
"_ Vamos Ray! Vamos ao quintal, ver o trenó indo embora!"
E assim que chegaram ao quintal, a mãe da menina apontou no céu a estrela mais brilhante.
"_ Está vendo? Ele já está longe, mas olha lá o nariz brilhante da rena Rudolph!"
"_ Sim, estou vendo mamãe! É ele, o papai Noel! Como brilha o trenozinho!"
"_ Pena que ele foi mais rápido que nós!"
"_ É... Como ele é tão rápido?"
"_ É a magia do Natal filha, assim ele consegue entregar todos os presentinhos à tempo no mundo inteiro! ... Agora vamos lá abrir o seu? Será que ele trouxe o que você queria?"
" _ Claro que trouxe! É o Papai Noel mamãe! E eu vi ele!"
" _ É você viu!"

Mãe e filha entraram e seguiram o ritual "rasgar de embrulhos". 
Há quem diga que não, mas para aquela criança o Papai Noel existe, ela viu! E ainda hoje, aos seus vinte anos ela acredita nisso! Mas sabe porque ela não o vê mais? Porque quando crescemos perdemos aos poucos a pureza da infância, o brilho ingênuo do olhar. No entanto, quem conserva um coração puro de criança consegue sentir a presença do bom velhinho. No caso da pequena Ray ela sente-o não só pelo coração, mas também pelo presente mais maravilhoso que os natais a trouxeram: a imaginação fértil e o doce desejo de ser uma eterna criança!

O próximo conto é chamado de "Dessa vez ele escapou mesmo!" e quem participa dessa lembrança é o meu super-pai!


Dessa vez ele escapou mesmo!
Natal de 1998, Rio de Janeiro, Maricá. Outro natal em que jurei não dormir e não perder a vigilância do bom velhinho! Eu iria vê-lo! Com meus seis aninhos, eu aprendia a escrever naquele ano, e já conseguia formar com letrinhas tortas e pouco jeito, mas muito esforço a seguinte cartinha: 
"Querido papai noel, eu sei que eu só peço bonecas, mas essa é muito especial! Eu quero aquela boneca bebê gigante que eu vi na loja! Ela é tão bonita! E eu não tenho bebês gigantes ainda! Por favorzinho, papai Noel! Eu tenho sido boazinha e pode perguntar para a tia Jurema, como eu me comportei bem nas aulinhas! Mamãe me ajudou a escrever essa cartinha, mas a maioria das letrinhas eu fiz sozinha! Só isso papai Noel. Um feliz natal pra você e para as reninhas. E olha papai Noel, esse ano eu vou ser mais rápida! E vou te ver! Um beijinho, obrigada e fica com o papai do céu (que mamãe disse que é seu amiguinho)."
Lógico que os erros de português eram muitos, afinal a Tia Jurema havia começado a ensinar-me naquele ano. Ah! Bons Tempos!
Enquanto as cenas repetiam-se: ceia, abraços, músicas natalinas, felicidade, pisca-piscas e etc; a menina só pensava em duas coisas: em sua boneca master-bebezuda e na missão importante de VER O PAPAI NOEL DE PERTINHO!
Essa lembrança é mais vaga do que a outra, porém eu recordo-me das seguintes cenas: papai puxando-me pela mão dizendo "Acho que ele chegou, vamos lá fora!". Não ele não estava do lado de fora. "Vamos filha, ele deve ter entrado pelos fundos da casa!", mas nada do lado de dentro, a não ser novamente os embrulhos ao pé da árvore. 
De repente minha mãezinha diz: "Ele está lá fora no portão indo embora! Corram!"
E pronto. Papai me deu as mãos e corremos até a rua, mas... Tarde demais! Ele era muito, muito rápido para um velhinho de cem anos!
"_ É filha, ele faz isso há muitos anos! Tem mais prática que nós." - dizia o pai consolador. 
"_ Tudo bem, deixa pro ano que vem." - eu não fiquei muito contente, me lembro.
"_ Agora vamos ver seu presente? Parece grande! O que você pediu?"
"_ Surpresa!" - a menininha gritou extasiada agora com o presente. 

Embora tenha ficado triste, no ano seguinte ela finalmente viu o papai noel. A professora da escola avisou aos pais, e o pai da pequena lhe disse: "Papai Noel disse que esse ano vai te visitar na escola, para compensar os outros natais que ele estava com pressa!" 


Ai, ai... A doce inocência... Porque ela se esvai quando vamos crescendo? Deveria ser o contrário, pois se, em uma pequena criança cabe tanta ingenuidade, imagina em um grande adulto o "tantão" que não caberia? 



Um Feliz Natal a todos, e que no próximo ano todos vejam o bom velhinho, ou pelo menos sintam sua presença.