10 abril, 2013

Indicação do mês : "Ninguém Escreve ao Coronel", de Gabriel García Márquez

"Ninguém Escreve ao Coronel" escrito por Gabriel García Márquez. 

Literatura Estrangeira - Literatura Latino-Americana

Segunda Obra do autor!


A obra mais vangloriada de García é "Cem Anos de Solidão", cujo eu quero muito conhecer.  García é, um dos autores latino-americano mais traduzido e lido. Meu livro pertence à terceira edição, ano de 1973. É uma relíquia, e ouso acreditar que a resenha da contra capa feita pela "Livraria José Olympio Editora do Rio de Janeiro" ainda é muito atual, apesar das décadas passadas:

"Nenhum escritor latino-americano é tão lido hoje no mundo quanto Gabriel García Márquez. Os seus livros  estão traduzidos praticamente para todas as línguas, sucedem-se estudos e análises críticas sobre eles, surgem reedições a cada mês. Seus personagens "conversam" como se fossem pessoas de verdade porque são reflexo das angústias e dramas de um continente que somente agora, pouco a pouco, começa a impor respeito a outros povos (...)."





Um coronel reformado aguarda ansiosamente a sua aposentadoria, porém o governo ditatorial recém estabelecido e extremamente burocrático dificulta as coisas. 

Um excelente livro escrito em 1957, tendo García o auge maduro de seus 29 anos de idade. 




No decorrer do livro, a narrativa envolve a história de um coronel que diante as novas formas de governo estabelecidas, encontra-se em total abandono social. O governo não lhe dá apoio e ainda estabelece-se uma grande dificuldade de receber sua aposentadoria. No inicio do livro nota-se que o filho dele, há alguns anos foi morto, somente algumas páginas à frente descobre-se que o rapaz fora assassinado por um militar, visto que esse distribuía panfletos e campanhas subversivas à ditadura. Desde então vivem ao lado da miséria, o coronel, sua esposa asmática e um galo de briga que era do próprio filho. As rinhas também passam a ser vigiadas pelos militares, mas ainda aconteciam. Na esperança do lucro obtido por uma dessas rinhas, o coronel continua a cuidar do galo, muitas vezes abrindo mão de comer e alimentar sua esposa, para tratar do galo. Todas as sextas-feiras o coronel vai ao encontro da lancha do correio no porto em busca de receber alguma carta contendo sua aposentadoria. É um livro de García, como tantos outros, refletores de uma realidade difícil. 


García traz em seu estilo a simplicidade dos relatos e descrições. O livro, embora trate de um assunto sério e por alguns considerado esgotante é possuidor de uma narrativa tranquila e simples, sem muitos rebuscamentos linguísticos. Um livro sem direcionamento etário, social ou classista. Ao lê-lo, eu tive aquele interesse imediato de compreender a história e ao mesmo tempo, o deleite de uma linguagem antiga, da linguagem falada, da linguagem detalhista e não alegórica. É a linguagem direta, sem metáforas. Uma linguagem leve, mas nem por isso fraca ou indigna. Fora o primeiro livro de García que eu li, e confesso ter despertado-me curiosidade por outros. 

Não é um livro triste, nem feliz e sim, um livro que nos leva a refletir sobre os paradoxos e paradigmas de sociedades que buscam por ideais políticos. Sociedades essas subdividas, oscilantes entre o heroico e o vilanaz, o pobre e o rico, e o mais real de tudo: o quanto o jogo político pode virar a mesa da forma mais inesperada. Assim se vê, a deparar-se com um coronel falido, miserável e escorraçado após dar tudo de si pelo ideal político. Um jogo de interesse. Trata-se disso. 

Todo o livro é uma sátira, e apesar de sua magnitude discreta, não é do autor o livro que mostre toda a sua fantastiquice escrita, segundo alguns conhecedores de suas obras. Eu, na minha humilde leitura leiga sobre o determinado autor remeto-me somente, à valorizar uma obra tão discreta e talvez invisível, mas que para mentes contestadoras diz muito.

Destaco aqui, um trecho retirado de um site que diz exatamente o que é a narrativa do autor: 

García Márquez realiza um resgate da história latino-americana, mostrando que a América do Sul é muito mais do que “um homem de bigodes com um violão e um revólver”. 

Leia mais sobre o livro aqui: Literatsi