11 dezembro, 2012

A Eternidade


Caminhavam distantes, embora de mãos dadas. Deixavam-se guiar pelos pés na areia pesada. Os olhos fitavam além do horizonte e os ventos eram duendes mudos que brincavam de fazer cócegas.

Não há nada a se dizer quando já se sabe tudo. E quando não se conhece os limites o melhor é enfrentá-los.
Portanto, para quê pressa?

Estavam em um bom tempo do relacionamento. A plenitude pairava sobre ambos dando-lhes a impressão de não ter nada mais para conquistar. Já tinham o coração um do outro. Venceram as batalhas impostas pelo destino. Firmaram o desejo um do outro que neles sempre habitava. O que mais querer?

Pensativos entraram no mar. Enquanto as ondas lambiam suas pernas eles abraçavam-se ternamente. Olharam um ao outro e afundaram nas águas. Embaixo dela tudo era diferente, não se viam como na superfície. Aquilo dizia muita coisa.

Subiram novamente e na areia se sentaram. Ficaram longo tempo ali sem pronunciar qualquer som. Até que sorridentes aproximaram-se.


_ A eternidade. - Ele disse.
_ É a única coisa que falta. - Ela respondeu.
_ E não descansaremos até alcançá-la juntos.

Ele disse findando as dúvidas que a proximidade do noivado impusera sobre eles.