02 novembro, 2012

Quanto tempo?



Quanto tempo, quanto tempo ainda há para sair correndo e engolir as chaves?
Ouvi sua voz em um vídeo caseiro antigo e desenrolei toda a fita. 
As suas fotos espalhadas pelo vento parecem uma armadilha do destino.
Um destino do outro lado do passado. Um destino do outro lado do passado feliz.

Quanto tempo, quanto tempo ainda há para você se desculpar?
Eu não acredito nesse tipo de milagre, pois a mão humana não é capaz de fazer milagres, muito menos de criar algo sem falhas.     
Tem um leão aqui dentro rugindo. Ele tem fome, então é melhor você fugir.

Quanto tempo, quanto tempo ainda tenho até o fim de tudo? Eu não sei, e também não acredito que este seja o momento mais apocalíptico, mas muito tempo alimentando monstros tornam-os mais fortes.
Preciso levar para o outro lado toda essa feitiçaria de mágico de pracinha. 

O meu condão produz sorrisos enquanto você tira coelhos de cartolas.
Nunca acreditei em palavras soltas que não façam sentido. Você só sabe pronunciá-las.
Preciso levar para o outro lado uma imagem que não faz bem.

Senti seu cheiro em camisetas antigas que joguei pela janela.
As suas fotos espalhadas pelo vento parecem uma armadilha do destino.
Um destino do outro lado do passado. Um destino do outro lado do passado feliz.

O leão está rugindo muito alto e prepara-se para atacar. Então fuja, pois ele corre.  
Corre veloz até alcançar sua presa. Ele está levando-a para o outro lado, atravessando rios.
Quanto tempo, quanto tempo até o abismo se aproximar dessas carcaças antigas? 
Quanto tempo, quanto tempo até os meus monstros  morrerem famintos?
Quanto tempo, quanto tempo para passar o efeito de todas as drogas que vieram de você?

Por, Rayanne Nayara.