12 setembro, 2012

Ela sou eu



Ela sou eu.
Ela ainda não dirige carros e embora pense nisso vez ou outra, não toma uns pileques. Ela não gosta de pileques, prefere tomar café forte. O mesmo café que os irmãos negros cultivaram.
Ela anda realinhando órbitas que saíram da rotação dentro e fora de sua pele.
Rasga medrosamente os rótulos. 
Ela quebra as placas de PARE,  para em um acostamento da estrada, apenas para sentar e ver os carros que não pode dirigir.
Ela não acredita em muitas coisas que dizem, e nem em algumas asneiras que ela pronuncia.
Ela grita "parem", ninguém repara. 
Ela grita "sigam", ninguém consegue entender.
Ela grita "venham" e a multidão invísivel segue-a, ou pensa assim acontecer.
Ela chora por não alcançar as altas nuvens. Estupidez ser uma bípede humana.
O que quer que ela fale é incompreensível a ouvidos multuosos.
Ela não é radical . Apenas por dentro. Existem monstros terríveis e anjos dentro do seu coração. 
Tem olhos misteriosos e cautelosos. Passos grandes e plumosos.
Ela tem medo e coragem.
Ela tem força e fraqueza.
Ela tem alma. Mais de uma. 
Ela é só uma superfície que pode-se tocar mas não pode-se aprofundar.
Ela tem chaves e uma coleção de chaveiros, tem fotografias.
No momento não tem relógio.
Ela tem palavras, todas as imagináveis possíveis e impossíveis.
Ela tem crises, já passou.
Ela tem risos de neném, de bicho esquisito, de Marte, de gente, de menina bonita, de menina feia.
Ela é simples e luxuosa. 
Ela tenta ser humilde. Talvez  seja, mas ainda tenta ser.
Ela tem umas janelas bem bacanas. 
Ela tem gente dentro de gente. 
Ela tem defeitos numerosos e algumas leves qualidades.
Ela é mutante. Passa de líquido a gasoso. Passa de verde, madura e podre.
Ela é inteligente e ingnorante.
Ela não conseguia, mas ultimamente aprendeu a esquecer em um piscar de olhos. Mas nem tudo que deve esquecer ela esquece.
Ela, essa insana sonhadora que cresceu e ganhou algumas curvas insignificantes, não quer conversão. Quer compreensão para tudo o que não entende. Quer  muita voz para gritar. Quer um brilho especial.
Quer dois sóis em volta de si e uma lua no centro. Quer bons tempos.
Ela sou eu.

Por, Rayanne Nayara.


2 comentários:

  1. Olá!Bom dia!
    Tudo bem por aqui?
    ...prazer! Linda apresentação com "ela sou eu".Gostaria de te parabenizar pelo ótimo texto. Admirei a forma como você descreveu sem iconoclastia academica como muitos fazem.Nunca gostei de textos para poucos, ou seja, textos que complicam mais do que explicam. Bom, estou só de passagem, mas devo confessar… seu blog está lindo!Parabéns!
    Ah..obrigado pelo carinho da participação em meu blog!Muito feliz!
    Boa quarta feira!
    Beijos

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  2. Felisberto O prazer é todo meu em recebê-lo tão magnificente em suas palavras aqui em meu blog!
    Obrigada pelas palavras. Fico extremamente feliz de teres gostado do blog. E não precisa agradecer, achei seu blog rico e muito singelo, com poesia simples e encantadora.

    Abraços e volte sempre!

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